Lucro virtual

O lobby das distribuidoras de energia elétrica para receberem subsídio via aumento das tarifas tem confundido alguns jornalistas menos chegados à matemática. Primeiro, as empresas alegam que os lucros estão em patamares muito baixos e com tendência de queda. Meia verdade. Os lucros do setor estão baixos porque as empresas se endividaram em dólar. Porém, essas dívidas, na maioria dos casos, não foi usada para atividade fim das distribuidoras, mas sim para outros negócios. Exemplo: a Light, que comprou a Metropolitana e passou a exibir prejuízo no balanço. Excluindo o prejuízo financeiro, as distribuidoras dão belo lucro, como reportagens do MM já demonstraram.

Inflacionado
Outro ponto em que o lobby das distribuidoras avança é nos supostos prejuízos com o racionamento. Ventilam que estas perdas seriam de R$ 5,5 bilhões. Um jornal econômico novato chegou a falar em prejuízo de R$ 13 bilhões, somando distribuidoras e geradoras. Balela. Como esta coluna já mostrou – com dados concretos e não com “chutometria” – as empresas de distribuição de energia deixariam de ganhar, no máximo, R$ 1,8 bilhão. As perdas não são exclusivas delas. Todas as empresas, de todos os setores, sofrem com o racionamento.

Vôo alto
Ozires Silva, presidente da Varig, foi escolhido o empresário do ano do setor de transportes. O prêmio Destaque do Ano 2001 é conferido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e será entregue na próxima terça-feira, em Brasília.

Longo prazo
A Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp) e o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas, estão com um novo boletim na praça, com previsões políticas e econômicas de longo prazo – para audaciosos três anos. Seis economistas do Ibre e quatro cientistas políticos da Eaesp se juntaram para identificar novas tendências na política, no governo e nos mercados e definir os cenários mais prováveis para a construção de estratégia empresarial e risco no Brasil. Entre eles Luis Carlos Bresser Pereira, que certa ocasião previra que o neoliberalismo iria durar 100 anos.

Da arte de bajular
Entre o fim de 1989 e o início de 1990, Fernando Collor, já eleito, mas ainda não empossado, percorria o mundo no ritual recorrente de salamaleques aos países credores do Brasil. Empolgado com a performance e a acolhida dos chefes de Estado estrangeiros ao presidente recém-eleito, o repórter de um “jornalão” do Rio enviado para cobrir a viagem não economizava nos adjetivos. Estadista era piso, numa adulação sem pontos de resistência. Até que um dos editores do “jornalão” achou por bem advertir, em comunicado aberto, que jornalistas não deveriam confundir procedimentos protocolares, como ser conduzido até a porta de palácios, com deferências excepcionais. O repórter deslumbrado virou diretor de televisão estatal, mas, como mostra a acolhida ao discurso do presidente FH na Assembléia da França, a confusão, propositada, entre protocolo e reconhecimento, continua a ser cultivada.

Na festa errada
No próximo dia 11, personalidades políticas, religiosas e televisivas se unem para realizar, na fronteira de Brasil, Argentina e Paraguai, ato em defesa da paz mundial. A lista de convidados para o evento, no entanto, está provocando controvérsias sobre o objetivo dos organizadores. Com a presença confirmada do apresentador Ratinho, a dúvida é se o ato é contra ou a favor.

Notícias
A Confederação Nacional da Indústria lançou quarta-feira a Agência CNI, destinada à divulgação de notícias da indústria brasileira. Será divulgado noticiário da própria confederação, além de atividades do Sesi, Senai, Instituto Euvaldo Lodi e das 27 federações de indústria do país. A agência pode ser acessada pelo endereço www.agenciacni.org.br

Post-morten
É certo que na Argentina a data não é comemorada, ao contrário de outras partes do mundo, mas a divulgação do oitavo pacote do governo De la Rúa à véspera do Dia de Finados não deixa de ser emblemático sobre o futuro de Domingo Cavallo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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