Lucros dos bancos podem ser afetados

Relatório publicado nesta sexta-feira pela Fitch Ratings diz que as incertezas e a volatilidade do mercado financeiro permanecem. As pressões inflacionárias aumentaram e o endividamento das famílias no Brasil era de 59,9% em junho, o maior desde que o Banco Central começou a monitorar o indicador em 2005, com pagamentos de empréstimos residenciais consumindo 37,1% da renda disponível.

Os gastos com cartão de crédito (e dívidas) estão crescendo rapidamente, em função principalmente das necessidades dos consumidores de baixa renda. As tendências de inadimplência, embora atualmente baixas, em torno de 4% (de 6% antes da pandemia), podem estar mascarando a deterioração da qualidade de crédito, já que os tomadores normalmente rolam suas dívidas. No entanto, a Fitch observa que os empréstimos com cartão de crédito ainda representam um valor baixo: de 7,2% do total de crédito do Brasil.
O financiamento imobiliário, que totaliza em torno de US$130 bilhões (ou 18% do total de empréstimos), vem crescendo rapidamente. A Fitch estima que de 90% a 95% dos empréstimos imobiliários residenciais possuem taxas fixas, e a Caixa Econômica Federal, com 69% de participação de mercado, é a instituição mais exposta a esse tipo de financiamento. Além da forte garantia, intrínseca a este tipo de crédito, a boa qualidade também deriva de uma posição conservadora dos bancos, com empréstimos em relação ao valor do imóvel (‘Loan to Value’) de 60% a 70%.
Proprietários de residências e tomadores de empréstimos imobiliários que travaram a taxa de seus financiamentos antes que aumentassem têm um benefício no ambiente atual, dado o menor custo fixo de financiamento – o que manterá seus pagamentos/parcelas menos voláteis. Além disso, espera-se que as residências continuem se valorizando, ainda que não se espere um cenário de bolha de ativos iminente no Brasil.

Empréstimos corporativos

Os empréstimos corporativos (43% dos R$4,3 trilhões/US$827,6 bilhões do crédito total em agosto de 2021) não são uma grande preocupação para a qualidade do crédito devido à forte liquidez das empresas. Além disso, o financiamento de longo prazo do lado corporativo tem bom casamento de duração e custo, dadas as linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e as novas linhas de crédito de ajuda abertas em 2020.
A vacinação está facilitando a reabertura econômica, que também é apoiada por um maior crescimento econômico global e por preços mais altos de commodities. A Fitch manteve suas projeções de crescimento real do PIB para 2021 e 2022 do Brasil em 5% e 2%, respectivamente, em seu último Global Economic Outlook, com previsão de desaceleração em 2022 à medida que o crescimento global diminui de ritmo e devido ao aperto monetário doméstico em curso e de incertezas relacionadas à eleição do próximo ano, que podem pesar sobre os investimentos e as perspectivas de crescimento.

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