Lá&cá

A semana termina com dois fatos emblemático. Nos Estados Unidos, operadores do pregão da Bolsa de Nova York receberam com uma sonora vaia a informação de que o Federal Reserve (Fed, o BC de lá) reduzira os juros em apenas 0,25 ponto (20%) – os operadores esperavam pelo menos 0,5 ponto (40%). Já no Brasil, o mercado e seus porta-vozes na mídia preferiram comemorar a tímida queda de 0,5 ponto, ou 1,8%.

Cobiçado
A história de que o ex-deputado Luiz Alfredo Salomão levou bola preta no Senado para sua indicação à Agência Nacional do Petróleo (ANP) por sua atuação na CPI do Orçamento, que teria desagradado ao senador José Sarney, é muito interessante. Mas a verdade mesmo é que o PMDB bombardeou Salomão para poder indicar um nome do partido para o cargo – já existe até um, ligado a um ex-governador, circulando por Brasília.

Força olímpica
Um grupo de cem empresários, capitaneados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), visita o prefeito Cesar Maia nesta segunda-feira, às 12h, para apoiar a candidatura do Rio a sede das Olimpíadas de 2012. A Firjan vai se colocar à disposição do prefeito na luta por esta conquista, por acreditar que vai trazer oportunidades de desenvolvimento para o Rio. A capital fluminense disputa – no Brasil – a possibilidade de sediar os Jogos Olímpicos com São Paulo.

Patrícios
Com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Furlan, e do presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, será inaugurada dia 8, em Lisboa, a Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing de Portugal. A entidade conta com o apoio de empresários do Brasil e será presidida por um brasileiro, José Zetune, também presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). Entre os associados, estão empresas como TAP, Portugal Telecom, Grupo Sonae, EDP.

Dormindo com o inimigo
Empresas que aderirem ao programa de desconto em folha de dívidas de funcionários contraídas em empréstimos bancários devem se preparar para lidar com uma bomba relógio. Funcionários que chegam ao fim do mês com salários esterilizados no pagamento de dívidas e juros costumam trabalhar estressados e descontar na empresa sua irritação. Bom, somente para a banca, que recebe sua parte em dia e sem, necessariamente, reduzir substancialmente os juros.

“Gato” às avessas
Ao instalar relógios de medição nos postes, a Light estaria cobrando novamente as perdas técnicas nos ramais de ligação, que já são embutidas nas tarifas de energia. A denúncia é do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), que afirma já ter demonstrado o ato lesivo, de forma inequívoca, à Aneel e a órgãos de defesa do consumidor. Os medidores estão sendo colocados nos postes para evitar a fraude com energia (“gatos”), mas acaba deixando o consumidor à mercê de furtos após o relógio. O sindicato denuncia também que a distribuidora de energia da cidade do Rio de Janeiro e de parte do interior do estado está desrespeitando as normas técnicas NBR-5410 e NBR-5434 ao instalar medidores diretamente nas fachadas de prédios, com riscos à segurança e agressão à arquitetura.

Tentáculos
Um dos editores d”O Pasquim21 e do sítio www.revistamusicalbrasileira.com.br, o jornalista Luís Pimentel alerta que, usando a retórica globalizante sobre a necessidade de licenciar obras intelectuais no mundo inteiro, gigantes como Time-Warner, Disney, EMI e Universal estão comprando repertórios e absorvendo o copyright de toda e qualquer obra de arte que prometa lucros. “Aqui, fizeram uma varredura. Do primeiro samba que pudemos ouvir em disco, Pelo Telefone (Donga/Mauro de Almeida), gravado em 1917, à obra bossanovística de Tom Jobim”, denuncia.

Colonialismo cultural
Pimentel foi alertado pelo músico e produtor Marcus Vinícius de Andrade. “Durante muitos anos, a estratégia da indústria musical internacional consistiu em querer ocupar, com seus catálogos, o mercado fonográfico brasileiro – que já foi o quarto do mundo e hoje, com crise e tudo, ocupa o sétimo lugar”, diz Andrade, diretor-artístico da gravadora CPC-UMES e presidente da Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes (Amar) e a Sociedade Musical Brasileira (Sombrás).

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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