Lula e as eleições

Não sei se nós já entendemos bem os últimos pronunciamentos de Lula. Aquele que nos foi transmitido pelo Haddad, em que Lula pediu a ele para sair em campo como candidato, e o revelado na entrevista ao Uol, em que Lula colocou-se à disposição para enfrentar Bolsonaro, se for necessário.

Os líderes de verdade, as grandes figuras em todos os tempos, têm descortino, visão superior, grandeza na compreensão dos fatos, visão dos tempos atuais e do futuro, que os observadores, por mais argutos que sejam, muitas vezes não dispõem. E possuem o faro dos acontecimentos e percebem a fumaça do que está por vir.

É preciso ter em mente que um líder político da dimensão e da importância de Lula não está à disposição. Ele ter dito isto foi força de expressão. O líder está nos acontecimentos, está envolvido neles, é parte deles e os comanda. Lula, por ser quem é, está nas eleições de 2022, não à disposição das eleições, claro.

Quando Lula diz que todos os partidos devem ter seu candidato no primeiro turno, ele sabe muito bem o lugar que o PT aí terá. Nas últimas eleições, Haddad teve 31 milhões de votos, em meio a tanta adversidade, Lula na prisão, poucos passos decorridos do golpe que derrubou Dilma, campanha acirrada dos meios de comunicação contra. Agora, em situação muito mais favorável, o PT sairá bem mais na frente ainda dentre os demais partidos da área popular.

A esta altura, é possível afirmar que Bolsonaro estará no segundo turno, pois carrega vantagens eleitorais superiores aos que caminham ao seu lado, Dória, PSDB, DEM, Huck ou outro nome que os meios de comunicação fabricarem, e os demais que andam por aí.

Será naturalmente indagado porque não levei Ciro em conta. Nas últimas eleições, Ciro atingiu boa posição, a melhor da sua carreira. De lá pra cá, só fez trapalhadas, falas lamentáveis, espalhou mais do que juntou, ficou diminuído. E seu partido ainda menor, especialmente com parte de sua bancada assumindo as piores atitudes nas questões de interesse do povo.

E para enfrentar Bolsonaro, Lula não estará discursando para outro, por melhor que seja: ele é que estará defendendo os direitos do nosso povo e o respeito à nossa soberania. É inescapável para o líder estar na linha de frente das batalhas. Além do mais, é Lula quem fala mais diretamente ao nosso povo, é o que tem condições de elucidá-lo contra as enganações de Bolsonaro, sua gente, os meios de comunicação e algumas lideranças religiosas. Senão, corre o risco de diminuir o final de sua biografia. Lula nunca deu sinais disso. Muito pelo contrário.

Alguns criticam Lula de ter descartado o impeachment. Erram. E não é apenas questão de falta de tempo. É a questão da investidura popular que tem que ser respeitada, especialmente quando as eleições, que tudo resolverá como convém na República, estão se aproximando. É muito difícil aceitar, intragável até, ver alguém eleito por milhões de brasileiros ser derrubado por 300 a 400 deputados e senadores. Lula, que tem arraigada esta compreensão da força do povo, está revelando compreensão mais correta do papel da TV Globo e dos Estados Unidos como Império na política brasileira.

Muitos preocupam-se com as medidas de Bolsonaro para disseminação de armas como preparação para golpe. Golpe se dá com tanques e batalhões ocupando setores estratégicos e nas ruas. As armas espalhadas podem causar danos, até morticínios, são das coisas mais estúpidas, têm de ser duramente combatidas, mas não são suficientes para golpes.

O conservadorismo ainda dispõe de uma arma para barrar a caminhada do nosso povo: o direito de Lula se candidatar. Quando vemos os ataques que fazem à Petrobras nos últimos dias, dos tucanos ao DEM, dos grupos econômicos daqui e de fora aos meios de comunicação, temos ideia do que serão capazes, como sempre o fizeram ao longo da nossa História. A luta tem que continuar dura na resistência.

 

Vivaldo Barbosa é ex-deputado federal.

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