Lula: “Não devo e não temo”

O ex-presidente Luiz Luiz Inácio da Lula disse hoje que não teme a investigação da Polícia Federal.
– Eu já prestei vários depoimentos. Eu suspendi minhas férias para ir a Brasília prestar depoimento. Porque não devo e não temo. O que vale mais é um show midiático do que uma apuração séria – disse o ex-presidente a militantes, na sede do PT em São Paulo, em vídeo divulgado na internet. A Polícia Federal deflagrou hoje a 24ª fase da Lava Jato.
Lula foi levado de sua casa, em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC, sob um mandado de condução coercitiva, para o aeroporto. De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), foram abordados diversos assuntos durante o depoimento, como as palestras que o ex-presidente concedeu após deixar o Palácio do Planalto e a ligação com um sítio em Atibaia, no interior paulista.
Além da condução coercitiva, foram expedidos mandados de busca em diversos endereços do ex-presidente, como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o procurador da República, Carlos Fernando Lima, há indícios de que Lula recebeu pagamentos, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras investigadas na operação policial. De acordo com o procurador, foram cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias do sítio em Atibaia e de um apartamento triplex no Guarujá.
Em frente ao local onde Lula prestava depoimento, houve confusão após a chegada de um grupo de militantes do PT e da Central de Movimentos Populares que trocaram agressões e ofensas com manifestantes que criticavam o ex-presidente. Também houve tumulto no saguão do aeroporto. Além de xingamentos e agressões verbais, houve empurrões e bandeiradas. Ninguém ficou ferido.

“Não precisava levar uma coerção. Era só ter comunicado”, diz
Lula disse que jamais se recusou a dar depoimentos à Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato.
–  minha bronca é com o MP Estadual. Não precisaria levar uma coerção à minha casa, dos meus filhos. Não precisava, era só ter me comunicado. Antes dele, já fazíamos a coisa correta nesse país. A gente já lutava para fazer a coisa certa nesse país. Lamentavelmente preferiam usar a prepotência, a arrogância, o show de pirotecnia. É lamentável que uma parte do Judiciário esteja trabalhando com a imprensa – disse em entrevista coletiva, na sede do PT, em São Paulo.
Segundo o procurador da República, Carlos Fernando Lima, da Operação Lava Jato, há indícios de que Lula recebeu pagamentos, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras investigadas na operação policial. De acordo com o procurador, foram cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias do sítio em Atibaia e de um apartamento triplex no Guarujá.
Lula também disse que a democracia precisa de “instituições fortes”.
– É importante que os procuradores saibam que uma instituição forte tem que ter profissionais responsáveis.”
O ex-presidente lamentou o fato de ter sido levado, na manhã de hoje, à Polícia Federal de forma coercitiva para dar depoimento nas investigações da Operação Lava Jato:
– Eu me senti prisioneiro hoje de manhã. Já passei muitas coisas na minha vida, mas acho que o país não pode continuar assim, amedrontado. Antes de os advogados saberem que seu cliente vai ser chamado, a imprensa recebe. Dentro da Constituinte, eu briguei para ter um MP forte. Eu vou indicar sempre o primeiro da lista, mas é importante que os procuradores saibam que uma instituição forte precisa de pessoas muito responsáveis – disse.
O ex-presidente também destacou a autonomia da Presidência da República.
– Queria aproveitar para dizer que se tem alguém que precise de autonomia é a presidente da República. Estão cerceando o direito de essa mulher de governar esse país – falou.

Dilma considera exagerada e desnecessária condução de ex-presidente, dizem prefeitos
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), disse hoje que a presidente Dilma Rousseff fez, no Palácio do Planalto, uma avaliação sobre a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depoimento na Polícia Federal, em São Paulo. Os prefeitos se reuniram com Dilma pela manhã.
– Ela protestou. Acha que as coisas estão fugindo um pouco da chamada normalidade do Estado Democrático de Direito e lamentou que isso esteja acontecendo. Deixou isso muito claro. Ela falou sobre a forma como isso está acontecendo, que é exagerada. O ex-presidente Lula nunca se negou a depor, ele sempre usou os mecanismos legais para que seus depoimentos fossem colhidos, sempre foi ao Poder Judiciário, e a presidente entende que houve um exagero nesta condução forçada do ex-presidente Lula esta manhã. Ela mostrou sua insatisfação com essa situação – afirmou Fortunati.
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), ressaltou que a presidente considerou “desnecessária” a condução coercitiva do ex-presidente Lula, porque ele sempre teria se prestado a dar todos os esclarecimentos à Justiça por vontade própria.

Gilberto Carvalho critica PF e MP
O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, também criticou a conduta do Ministério Público Federal e da Polícia Federal nas investigações.
– Não sabemos a podridão que estão sendo as delações premiadas, que vão apenas para um lado. Eu chamo a atenção para o fato de que as empreiteiras doaram para todo mundo, mas isso só vale, quando é contra o PT. Essa poeira ainda vai baixar, e quem sairá desmoralizado não será o Lula – disse.

Governo e oposição politizam depoimento
Para a oposição, a 24ª etapa da Operação Lava Jato reforça o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na Câmara dos Deputados, lideranças oposicionistas manifestaram apoio às ações da Polícia Federal de hoje, como a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Os governistas alegaram que a nova fase da Lava Jato comprova aspecto político da operação.
O PSB divulgou reafirmou a “sua postura crítica em relação ao Governo Federal”. O partido reiterou sua intenção em “marchar em definitivo para a oposição a este governo”, segundo nota assinada pelo presidente do partido, Carlos Siqueira, para quem a mudança deverá ser aprovada pela Executiva Nacional.
O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que este 4 de março é um “dia histórico” que representará o “renascimento da República Brasileira”, com o Brasil mostrando ao mundo que “ninguém está acima da lei em nosso país”.
Também por meio de nota, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), defendeu a mobilização da oposição para votar o impeachment no Congresso Nacional, e conclamou a população a sair às ruas para se posicionar em defesa da investigação da Operação Lava Jato.
O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), disse que a nova fase da Lava Jato trouxe à luz “a existência de uma organização criminosa”, o que, segundo ele, representa “o começo do fim desse projeto”. Para ele, há reforço tanto o processo de impeachment da presidente Dilma em discussão na Câmara, como nas ações que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral, que apuram o financiamento da campanha dela à reeleição.
Vice-presidente nacional do PSDB, Carlos Sampaio (SP) disse que Lula “sempre foi o maior responsável por esses anos todos de corrupção” e que agora chegou a hora dele prestar contas à Justiça. O ex-líder da oposição na Câmara dos Deputados, Bruno Araújo (PSDB-PE) defendeu a retomada do processo de impeachment da presidente Dilma na Câmara, antes mesmo de o Supremo Tribunal Federal concluir sua avaliação sobre o caso.
Mais cedo, o líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (PT-BA), disse que a condução de Lula para prestar depoimento confirma que a Lava Jato é uma operação política e ilegal.
– Ilegal porque o ex-presidente Lula prestou depoimento sucessivas vezes e não há nenhuma pista e nem prova contra ele.
O petista avalia que existe uma ação politicamente coordenada com a oposição porque a tese do impeachment de Dilma teria perdido força.
– Estaremos em vigília em todos os estados durante o dia e tomaremos um conjunto de iniciativas para defender a democracia e o presidente Lula.
Deputados e senadores do PT foram a São Paulo para uma reunião no Diretório Nacional com o presidente da legenda, Rui Falcão. A ideia é discutir o cenário político diante da repercussão da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e para prestar solidariedade ao ex-presidente Lula. Uma das maiores preocupações no partido, neste momento, é mobilizar a militância em defesa do ex-presidente e da presidente Dilma Rousseff.

Jornais da América do Sul repercutem ação
A notícia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado para prestar depoimento na Polícia Federal, em São Paulo, foi manchete na imprensa da América Latina e dividiu opiniões. Na Argentina, o canal de televisão Todo Noticias acompanhou os acontecimentos no Brasil ao vivo e seus comentaristas falaram sobre a proposta do atual governo argentino de adotar no país a delação premiada e como esse tipo de acordo poderia ajudar na investigação de escândalos de corrupção envolvendo governos anteriores.
Os jornais “El Clarín” e “La Nación” – que têm correspondentes no Brasil – explicaram, aos leitores, o esquema de corrupção investigado na Petrobras e os motivos que levaram a Justiça a investigar Lula. O jornal “Pagina 12” disse que a operação de hoje que levou o ex-presidente a depor “tem cheiro de perseguição”.
Os canal de televisão Telesur deu como manchete o apoio das organizações sociais ao ex-presidente e ouviu especialistas que argumentaram que partidos de direita estariam se mobilizando para impedir que Lula se candidate à Presidência da República em 2018.
O jornal chileno, “El Mercurio”, assim como o paraguaio “ABC Color” citaram declarações de integrantes de partidos da oposição no Brasil que dizem que este é “o princípio do fim de [Dilma] Rousseff”.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reagiu sobre a operação policial pelo Twitter: “Desse ataque miserável, você [Lula] saíra mais forte; Venezuela te abraça”, escreveu.

Com informações da Agência Brasil

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