Luta interna

FH pode aposentar o surrado argumento de que a oposição atrapalha a imagem do país lá fora. Quem provoca verdadeiros estragos são os membros da base governista. A polêmica em torno da concessão de subsídios para instalação da Ford na Bahia foi parar nas páginas do Financial Times. O jornal da city londrina informa que o governo deve anunciar esta semana incentivos na ordem de R$ 700 milhões em empréstimos federais e estaduais, isenção de impostos e subsídios à multinacional norte-americana. O Financial Times avalia que a decisão pode ser considerada um triunfo pessoal do senador Antônio Carlos Magalhães, o chefe político da Bahia e aliado chave do governo. Segundo a matéria, autoridades fiscais teriam alertado que o pacote dificultaria o cumprimento dos termos do acordo de ajuda de US$ 41,5 bilhões acertado em março com o Fundo Monetário Internacional. Os incentivos poderiam ainda violar os regulamentos sobre ajuda estatal acertados com a Organização Mundial de Comércio e com os parceiros brasileiros do Mercosul, a zona de livre comércio que inclui a Argentina, o Paraguai e o Uruguai.

Oposição
Vetusto integrante de antigas equipes econômicas, conhecido por ser  mais direitista que Margareth Tatcher, parece ter mudado de posição sobre Furnas. Garantem fontes próximas que ele já não está concordando integralmente com a cisão da empresa. O que permite duas conclusões: a privatização de Furnas, ainda mais dividindo a estatal, é tão absurda que não tem defensores; e nunca é tarde para se ter um lampejo de lucidez.

O Programa de Ecoturismo na Amazônia começa com uma verba de US$ 11 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A contrapartida do  governo brasileiro será de US$ 2,5 milhões. Os recursos serão utilizados ao longo de 18 meses para a criação e instalação de pólos turísticos em nove estados da Amazônia. Na segunda fase, prevê  a aplicação, em três anos, de US$ 200 milhões, divididos entre o fortalecimento da infra-estrutura e créditos à iniciativa privada. O ecoturismo tem crescido à média de 20% ao ano, ante 6% do turismo tradicional, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente. Quando estiver em pleno funcionamento, o programa irá gerar 30 mil empregos diretos e 100 mil  indiretos. Espera-se que sem exigências estranhas dos países  mais poderosos, interessados em fincar suas bandeiras na Amazônia.

Apelação
Vender alguma coisa está tão difícil que já estão colocando até a avó no meio. A Federação do Comércio do Estado de São Paulo, a operadora de cartões de crédito Visa e a São Paulo Convention & Visitors Bureau lançaram a campanha para divulgação do “Dia da Vovó”.  O comércio espera elevar as vendas em 1,5% com a nova data comemorativa, que pretendem repetir sempre no terceiro domingo de julho. O Dia das Mães responde por uma elevação de 5% no consumo e a Federação estima, baseada no censo, que 12% da população paulista são mulheres acima de 55 anos, teoricamente em condições de serem avós. Os comerciantes agradecem antecipadamente: o lema da campanha é “Vó, obrigado por tudo”.

Visão
A Universidade Estácio de Sá concederá título de professor honoris causa ao  presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, em cerimônia no próximo dia 28, às 18h. Na ocasião, o presidente do BID proferirá palestra cujo tema será “Uma Visão da América Latina” e em seguida será lançada a Revista de Relações Internacionais – Reri, uma iniciativa das Universidades Associadas da América Latina (Uniaal). A solenidade será no Salão de Convenções da Estácio (Rua do Bispo, 83 – Rio Comprido).

Ar à venda
Uma indústria de papel instalada no Brasil já está sondando a possibilidade de “alugar” seu excedente de “geração de oxigênio” para alguma indústria poluidora. Explicando melhor: novas normas internacionais permitem que empresas que poluem o meio ambiente possam continuar operando se tiverem projetos de reflorestamento que compensem a poluição. Assim, seria possível utilizar áreas reflorestadas de outras indústrias, que não tenham déficit no setor ambiental. Como na reforma tributária em estudos no Brasil é grande a possibilidade de se adotar um imposto sobre atividades poluidoras, essa indústria de papel – com grandes áreas de reflorestamento – já estaria se antecipando ao vislumbrar um novo negócio.

Rápidos
O sistema ainda não está funcionando direito, mas a cobrança sim. As contas da Telemar já trazem separação entre as ligações interurbanas feitas pelas “prestadoras”. Detalhe: apesar da mudança ter ocorrido no último dia 3, ligações feitas no mês de junho já estão separadas pelas diferentes empresas. A Telemar atribuiu a si os interurbanos com destino do próprio Estado do Rio. Ligações do Rio para outros estados foram creditadas à Embratel.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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