Macron e Lula anunciam investimento de 1 bilhão de euros na Amazônia

Programa prevê participação dos povos indígenas e das comunidades locais na tomada de decisão e cacique Raoni Metuktire foi condecorado

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com lideranças indígenas
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com lideranças indígenas e cerimônia de condecoração do líder indígena Raoni, na Ilha do Combu. Belém - PA. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Nos próximos 4 anos, os governos brasileiros e francês, vão investir 1 bilhão de euros na bioeconomia da Amazônia brasileira e da Guiana Francesa, território ultramarino da França na América do Sul. O programa, que terá colaboração entre bancos públicos brasileiros e a Agência Francesa de Desenvolvimento, foi anunciado durante a visita do presidente da França, Emmanuel Macron a Belém, cidade que vai receber a cúpula do clima COP-30 no ano que vem. Não há a previsão de investimento privado no projeto.


Por meio de uma declaração intitulada “Chamado Brasil-França à ambição climática de Paris a Belém e além”, os países manifestaram o compromisso conjunto de combate ao desmatamento, proteção da Amazônia, restauração e gestão sustentável de florestas tropicais, e desenvolvimento da bioeconomia, incluindo “mecanismos inovadores de financiamento”.

Está prevista, entre outras medidas, a criação de um hub de pesquisa, investimento e compartilhamento de tecnologias-chave para a bioeconomia, com o fortalecimento do Centro Franco-Brasileiro de Biodiversidade Amazônica (CFBBA) e formação de redes de universidades francesas e brasileiras que possam contribuir para esses temas. Além disso, o programa envolve um novo acordo científico entre a França e o Brasil, operado pelo CIRAD e pela Embrapa, para o desenvolvimento de novos projetos de pesquisa sobre setores sustentáveis, inclusive na Guiana Francesa.

Outro ponto importante anunciado é a participação dos povos indígenas e das comunidades locais na tomada de decisão dos investimentos. Na ocasião da visita de Macron, o cacique Raoni Metuktire, líder do povo kayapó e um dos representantes indígenas mais reconhecidos internacionalmente, foi condecorado, com a ordem do cavaleiro da Legião de Honra da França. Entregue pelo presidente francês, a medalha é a maior honraria concedida pela França aos seus cidadãos e a estrangeiros que se destacam por suas atividades no cenário global.

“Caro Raoni, esse momento é dedicado a você. Várias vezes você foi à França e eu me comprometi a vir aqui na sua floresta, estar junto com os seus. Essa floresta, que é tão cobiçada, mas que você sempre lutou para defendê-la durante décadas. O presidente Lula e eu, hoje, fazemos causa comum com um de nossos amigos”, disse Macron em discurso antes de entregar a medalha ao cacique.
Em seu pronunciamento, falado no idioma kayapó e traduzido por um parente, Raoni cobrou ações do governo brasileiro para evitar ameaças ao desmatamento, e pediu que o governo bloqueie o projeto de construção da Ferrogrão. Com 933 quilômetros (km) de extensão, o projeto, ao custo de R$ 12 bilhões, prevê uma ferrovia que ligará Sinop, em Mato Grosso, ao porto paraense de Miritituba. A obra cruzaria áreas de preservação permanente e terras indígenas, onde vivem aproximadamente 2,6 mil pessoas.

“Presidente Lula, me escuta, eu subi com você na posse, na rampa [do Palácio do Planalto], e eu quero pedir que vocês não aprovem o projeto de construção da ferrovia de Sinop a Miritituba, mais conhecido como Ferrogrão”, afirmou. “Sempre defendi que não pode ter desmatamento, não consigo aceitar garimpo. Então, presidente, quero pedir novamente que você trabalhe para que não haja mais desmatamento e também que você precisa demarcar as terras indígenas”, continuou o cacique, que ainda pediu que o governo amplie o orçamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), órgão federal responsável pela demarcação de terras das populações originárias.

Agência Brasil

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