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domingo, janeiro 17, 2021

Madame Palocci

Dos empregos criados no setor de serviços em outubro, 73% são de baixa remuneração. Naquele mês, foram gerados cerca de 41 mil postos de trabalho; desse total, 30 mil são de empregados domésticos. Já passou da hora, portanto, de o governo, em vez de marquetar estatísticas do Ministério do Trabalho, discutir a qualidade do trabalho que está sendo gerado pela “vitoriosa” política econômica do ministro Antônio Palocci.

Não vai ter espaço
A decisão das grandes gravadoras norte-americanas, tomada em setembro de 2003, de processar internautas que trocam arquivos musicais tem pela frente um sério problema de legitimidade. Segundo cálculos da Fundação da Fronteira Eletrônica (EFF), entidade que luta pela legalização do compartilhamento de arquivos, desde então cerca de 6 mil ações foram abertas pelas gravadoras. O número deve ser ampliado, porque mês passado a indústria do cinema anunciou que pretende seguir os passos das gravadoras e iniciar uma onda de processos. A EFF lembra, no entanto, que o número de compartilhadores – como são classificados os que trocam arquivos pela Internet – somam, apenas nos Estados Unidos, cerca de 60 milhões de pessoas, “um número maior de pessoas do que o que elegeu o presidente George Bush”, que teve quase 59 milhões: “Ações contra os usuários não significam o pagamento de direitos aos artistas. Nós precisamos de uma solução construtiva”, defende a EFF.

Só um lado
Os cálculos da equipe econômica e da Receita Federal para impedir ou minimizar a correção da tabela do Imposto de Renda parte de grave vício de origem. Os números sobre a suposta perda de arrecadação ignoram os efeitos da correção sobre o aumento do consumo, o que significa, por óbvio, maior recolhimento de impostos sobre o setor produtivo.

Objetivo real
Como este raciocínio está ao alcance até de um candidato a guarda-livro, a omissão desse dado pela Receita e pela equipe econômica acaba por revelar a verdadeira razão da defesa do garrote fiscal sobre o contribuinte: usar a depressão da renda como forma de conter o consumo, para gerar excedentes a serem exportados pelo país. Não por acaso, apesar de seu gigantesco mercado interno potencial, o Brasil já vende para o exterior 25% do que produz, sem que seus filhos tenham acesso a boa parte dos produtos básicos.

Racismo forçado
“Há uma morte branca e uma morte negra.” A precipitada conclusão é de estudo da Universidade de São Paulo (USP), divulgado pela agência de notícias Notisa. Brancos morreriam mais em decorrência de neoplasias, problemas no aparelho circulatório, causas congênitas e perinatais, entre outras. Já os negros têm “óbitos cujas causas características são, em ordem decrescente de importância, externas, infecciosas, mal definidas, transtornos mentais, gravidez e parto, endócrinas e nutricionais”. “A morte negra é uma morte desgraçada”, lamentam os pesquisadores.
O problema começa pela disparidade da amostra da pesquisa, composta por 77,7% de registros de mortes de pessoas brancas e apenas 5,4% de negros, 14,3% de pardos e 2,6% de outros. E o próprio estudo lamenta que o aspecto socioeconômico dos indivíduos não tenha podido ser mensurado. “Talvez a característica da morte não seja a cor, mas a condição socioeconômica”, admitem os pesquisadores.

Boletim
O Brasil também não deve sair bem na foto do Pisa 2006, pesquisa da OCDE que avalia o desempenho dos estudantes com 15 anos em 41 países. A pesquisa que será divulgada daqui a dois anos dá ênfase às ciências; no Pisa 2004, o Brasil ficou em penúltimo lugar no quesito ciências, apesar de ter sido um dos poucos países que mostraram avanço significativo na área. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos deste ano teve como principal enfoque a matemática (em 2000 fora a leitura), em que o Brasil ficou na lanterna, atrás de potências como Indonésia e Tunísia.

Otimismo prematuro
Se o PIB do Brasil crescer os 5% esperados pelo IBGE, em dois anos de governo Lula o país terá crescido 2,75% – quase o mesmo que os 2,6% do primeiro mandato de FH. Para comprar, nos últimos 26 anos, o PIB chinês cresceu, em média, 9,4% ao ano.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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