Não existe época ruim para visitar Madri, mas os meses de fevereiro e março têm uma vantagem rara: a meia estação significa menos gente nas principais atrações. A primavera está chegando, e o clima ameno é perfeito para explorar a cidade sem o calor do verão ou as ruas lotadas. Nesse período, as amendoeiras e as cerejeiras da cidade florescem. Aproveitar o aroma suave dessas flores rosa claras em espaços ao ar livre, como o Parque Quinta de los Molinos, a Calle Miguel Servet e o Parque do Retiro, são boas dicas.
O Parque Quinta de los Molinos, no norte da capital da Espanha, é um refúgio natural enorme, com 16 hectares. Nele, se pode caminhar pelas trilhas sombreadas sob os pinheiros altos, dando uma volta ao redor do pequeno lago ou relaxando enquanto as crianças brincam em seus playgrounds bem conservados. Sem dúvida, uma das atrações mais populares da cidade é o Palácio Real, que recebe mais de 1.500.000 pessoas por ano. Apreciar as armaduras históricas dos cavaleiros e seus cavalos na armaria real ou explorar a Sala do Trono, onde o Rei Felipe VI recebe dignitários, são opções nessa visita, assim como dar um passeio pelos jardins do palácio ou assistir à cerimônia solene de troca da guarda – não tão majestosa como a que é realizada em Londres, no Palácio de Buckingham.
Com mais de 80 mil torcedores sentados sob sua cúpula metálica de formato peculiar, o Estádio Santiago Bernabéu é um dos pontos mais famosos de Madri. Para quem aprecia futebol, assistir a um jogo ali, no meio dos madrilenhos apaixonados, é imperdível. O telhado do estádio abre nos dias de sol e fecha nos dias de chuva. As temperaturas amenas deste mês de março, em torno de 15 °C, tornam Madri perfeita para pedalar pelo bairro de Las Letras, passear de bicicleta pela cidade, limpa e arborizada, e chegar até o Museu do Prado ou aventurar-se pelos caminhos arborizados do Parque do Retiro, integrante do conjunto de patrimônios da UNESCO chamado “Paisagem da Luz: Paseo del Prado e Parque do Retiro”. A poucos passos do Palácio Real, está o paraíso da comida: o Mercado de San Miguel, fundado em 1916, com mais de três dezenas de barracas servindo alguns dos melhores pratos de Madri. Nele se pode experimentar uma fatia de presunto ibérico, pegar um montadito feito na hora (um sanduíche pequeno com recheios à sua escolha) ou dar uma mordida na crocância frita de uma empanada… Tudo combinado com vinho espanhol, cerveja local ou vermute — uma bebida típica de Madri. O ambiente interno permite que sejam degustadas as delícias locais, com conforto e segurança.
O Triângulo Dourado da Arte é composto pelo Museu do Prado, Museu Reina Sofia e o Museu Thyssen-Bornemisza. O primeiro, um dos mais importantes museus do Mundo, abriga os retratos sombrios de Goya e as cenas da realeza de Velázquez. Sua coleção, centrada na época anterior ao século 20, destaca a arte italiana, espanhola e flamenga. Algumas das obras mais representativas que lá se encontram são As Meninas, A forja de Vulcano, O triunfo de Baco, A maja despida, A vindima, 2 de maio de 1808, As três Graças, e Carlos V, em Mühlberg, dentre muitas outras de tirar o fôlego. Existe também no museu um importante conjunto de esculturas clássicas greco-romanas, renascentistas e de outros períodos.
Bem próximo fica o Museu Reina Sofía, que é o museu nacional espanhol de arte do século 20, exibindo a Guernica, de Picasso, além de obras de Dalí e Miró. Tem também uma biblioteca de acesso livre especializada em arte (com mais de 100 000 livros, 3 500 gravações áudio e 1 000 vídeos).
O Thyssen-Bornemisza completa o triângulo, com obras-primas renascentistas e expressionistas, dispondo de uma das maiores coleções privadas de arte do planeta. As suas coleções estão organizadas por ordem cronológica, começando no Renascimento e terminando no século 20. Estão expostas no terceiro piso obras de mestres italianos, alemães e holandeses do século 16, como Jan Van Eyck, Alberto Durero e Hans Holbein, o Jovem. Existe, ainda, uma galeria dedicada a Tiziano, Tintoretto, Bassano, El Greco, Bernini e Caravaggio. No segundo piso está a coleção de pintura holandesa, desde Frans Hals, do século 17, a Max Beckmann, do século 20; conta ainda com algumas obras do Realismo, Rococó, Neoclassicismo, Romantismo e Impressionismo. O primeiro piso reúne obras do século 20, desde o cubismo e as primeiras vanguardas, até à Pop Art. Destacam-se algumas obras primas contemporâneas de Picasso, Mondrian, Chagall, Hopper e Dali.
Madrid é a quarta cidade europeia mais visitada, e a primeira da Espanha. Em 2024, acolheu quase sete milhões de turistas. A cidade é rica em arte e história, mas não só de arte vive a capital: a Catedral de Almudena, a Praça de Espanha, totalmente restaurada, a Praça Mayor e a Puerta del Sol, uma praça animada com a famosa estátua do Urso e do Morango (símbolo da cidade), são locais de elevado interesse turístico e histórico que todos os dias são visitados por centenas de pessoas.
A Praça Mayor, no coração da cidade, com arquitetura histórica e cafés ao ar livre, é um dos locais mais emblemáticos de Madri. Situada no centro comercial da cidade, é uma praça fortificada de planta retangular completamente rodeada por edifícios. Existem ao todo nove entradas para a praça. Foi construída durante o período Austríaco. Originalmente o seu nome era Plaza del Arrabal e foi projetada por Juan de Herrera, em 1581, a mando do Rei Filipe II, com o fim de remodelar a caótica e atarefada zona. A construção começou só em 1617 durante o reinado de Filipe III. A obra foi deixada ao cargo de Juan Gómez de Mora e foi terminada dois anos mais tarde. Hoje em dia se diz ser um projeto de Juan de Villanueva, depois de ser reconstruída a praça, em 1790, após um grande incêndio.
A Praça de Espanha é uma das mais importantes de Madrid, de onde sai a Gran Via, principal artéria da cidade. Contém um conjunto de esculturas que homenageia o escritor Miguel de Cervantes, através de sua famosa personagem Dom Quixote.
Praças não faltam em Madri e todas absolutamente limpas e muito bem conservadas, sem a presença de moradores de ruas e livres de pixações. A Praça de Cólon, por exemplo, em homenagem ao maior navegador ao serviço da Espanha de todos os tempos, Cristóvão Colombo, comemora a era dourada da Espanha (Séculos 16-17). Nesse local, estão edificados o Centro Cultural de Madri e um monumento a Colombo em estilo neogótico, erguido entre 1881 e 1885.
O Paseo de la Castellana, uma das principais e mais largas avenidas de Madri, tem atualmente seis faixas de rodagem centrais e mais quatro laterais. Percorre a cidade desde a Praça de Colón, seguindo para norte. O seu caminho corresponde a curso de um antigo rio que por ali passava. No extremo sul liga-se ao Paseo de Recoletos, que por sua vez se une ao Paseo del Prado; essas três vias formam um eixo importante que percorre a cidade de norte a sul. É também ao longo do Paseo de la Castellana que se erguem os muitos edifícios do complexo financeiro AZCA, o mais robusto da cidade, e o recente complexo Cuatro Torres Business Area.
A Gran Via é uma das principais artérias da cidade. Começa na Calle de Alcalá e termina na Praça da Espanha, onde foi, em janeiro deste ano, inaugurado o Café Cervantes. Trata-se de uma importante área comercial, turística e de lazer, com os seus muitos cinemas e teatros, sendo o seu traçado, compreendido entre a Praça del Callo e a Praça de Espanha, conhecido como a “Broadway madrilena”. Ali, o movimento é feérico, inclusive de madrugada.
Em 2021, Madri tinha 3 305 408 habitantes e a sua área metropolitana cerca de 6,8 milhões de habitantes. É a segunda maior cidade da União Europeia, depois de Berlim, e sua área metropolitana é a segunda maior da UE, depois de Paris. A área urbana da capital espanhola abrange um total de 604,3 de km2.
Pertinho de Madri, estão as cidades de Alcalá de Henares, 30 km; Aranjuez, 50 km; El Escorial/Vale de los Caidos, 45 km; Chinchón, 50 km; Toledo, 70 km; Segóvia, 90 km; Ávila, 110 km; e Salamanca, 210 km. Essas cidades, cada qual com os seus encantos, são opções para viagens de dias inteiros, bate e volta de Madri, aproveitando o trem de alta velocidade.
Mágica, feérica, sedutora, histórica, rica em tradição, clima excelente e com espetacular gastronomia, a Espanha, com paisagens verdadeiramente cinematográficas, encanta a todos.

















