Mães e empregos

Levantamento realizado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (divulgado pela Agência Brasil) revelou que 54,5% das mulheres com 15 anos ou mais integravam a força de trabalho, em 2019. Entre os homens, esta participação foi de 73,7%. Força de trabalho é a soma de todas as pessoas que estão empregadas ou procurando emprego.

São informações que constam da segunda edição do relatório “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, com informações variadas sobre as condições de vida das brasileiras. Outros indicadores podem contribuir para melhor compreensão em torno da condição feminina para participação no mercado de trabalho.

Na faixa etária entre 25 e 49 anos, o nível de ocupação entre as mulheres que têm filhos de até três anos de idade é de 54,6%, abaixo do nível daquelas que não têm. Entre os homens que vivem em lares com crianças até três anos, o nível de ocupação é de 89,2%, superior ao nível dos que não têm filhos nessa idade. Quanto ao recorte racial, mães pretas ou pardas, com filhos ou filhas, de até três anos, apresentaram os menores níveis de ocupação, inferiores a 50%, enquanto as mães brancas registraram um percentual de 62,6%.

Os afazeres domésticos realizados por mulheres, em 2019, ocuparam quase o dobro de tempo do que os realizados por homens (21,4 horas semanais entre as mulheres, contra 11,0 horas semanais entre os homens). A Região Sudeste foi aquela onde as mulheres tiveram maior carga horária comprometida com os afazeres domésticos, alcançando 22,1 horas semanais, embora não seja esta a de maior discrepância entre gêneros, que é verificada na Região Nordeste.

Quanto ao recorte da renda, entre as mulheres que compõem o segmento dos 20% da população com os menores rendimentos, mais de 24 horas semanais foram consumidas por atividades voltadas para os afazeres domésticos. Enquanto aquelas que integram a faixa dos 20% com os maiores rendimentos, esse uso do tempo cai para pouco mais de 18 horas semanais.

As dificuldades não se limitam ao ingresso no mercado de trabalho. Os afazeres domésticos limitam também o desempenho das mulheres que estão incluídas. No relatório consta que a dupla jornada acarretou o trabalho em tempo parcial, isto é, até 30 horas semanais, para um terço delas. Apenas 15,6% (cerca de metade) dos homens empregados estavam nesta condição.

Por fim, o fosso de salários e rendimentos, em 2019, mostra as mulheres recebendo 77,7% do total recebido pelos homens. A iniquidade atinge relevância maior no desempenho das funções e dos cargos que correspondem aos ganhos maiores. Mulheres em cargos de chefia receberam 61,9% do rendimento dos homens. O hiato foi alto até mesmo no grupo dos profissionais da ciência e intelectuais, em que as mulheres receberam 63,6% dos ganhos dos homens para as mesmas funções.

 

Escolas não bastam

No Brasil, 37,1% das mulheres que compõem a população com 25 anos, ou mais, não tinham escolaridade, ou tinham cursado apenas o fundamental, incompleto. Entre os homens, esse percentual alcança 40,4%. A taxa de frequência escolar das mulheres brancas é 40,9%, e a taxa das mulheres pretas ou pardas, de 22,3%.

Quando se compara a proporção de pessoas com nível superior completo, verifica-se que, entre os homens, esse índice é 15,1%. Entre as mulheres, é de 19,4%. Os dados revelam uma mudança, já que, entre a população de 65 anos, ou mais, observa-se que as proporções estão invertidas, com as mulheres registrando nível de instrução ligeiramente inferior ao dos homens. Ou seja, não é a escolaridade que explica esta iniquidade.

 

Há um déficit de representação política?

O relatório aborda o crescimento da representação política feminina, mesmo sabendo-se que feminina, no caso, não é necessariamente a mesma coisa que feminista, no significado da defesa e desenvolvimento de alternativas de garantia de direitos da mulher.

Há, na Câmara dos Deputados, a representação de mulheres deputadas, no exercício do mandato, de 14,8% do total, o que faz do Brasil, entre os países da América Latina, o de menor bancada de mulheres e o que ocupa a 142ª colocação, entre 190 países. No pleito de 2020, para a escolha de prefeitos e vereadores, houve apenas 16% de mulheres eleitas vereadoras.

Embora a representação político partidária seja apenas um aspecto da política, o déficit de peso específico das causas feministas fica evidente. Somente assim será possível chegar a creches em quantidade, capilaridade e qualidade bastante para atender às reais necessidades, além de saúde, saneamento, escolas em tempo integral, transporte público, condições para se combater o feminicídio, melhores empregos, entre outras.

 

#vacina sim.

Com a vacina em regime de Pare!Siga! e aquele prefeito falando que não organiza fila… É no que dá jogar lixo na urna eleitoral…

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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