Maioria dos varejos digitais não possui processos na Justiça

Dos que tem, 39,6% possuem pelo menos um; pós-venda e logística costumam ser os motivos

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E-commerce (Foto: Pixabay/CC)
E-commerce (foto Pixabay/CC)

Segundo a 10ª edição do “Perfil do E-commerce Brasileiro”, pesquisa realizada pela BigDataCorp, a maioria dos varejos eletrônicos brasileiros não apresenta processos na Justiça. A pesquisa, que inspecionou mais de 23 milhões de sites e 1,9 milhão de e-commerces no país inteiro, indica variações significativas ano a ano, com tendências de crescimento nos processos.

O estudo mostrou que a maior parte dos e-commerces brasileiros não possui processos na Justiça, mas que essa realidade vem se alterando ao longo dos anos, com um crescimento nos casos de litígio. Em 2023, 39,6% das empresas apresentavam somente um processo, e 8,12% apresentavam dois processos. A faixa de três a cinco processos também teve um aumento, alcançando 21,77%. Por outro lado, houve uma diminuição no grupo de seis a 10 processos para 7,91%, e uma queda expressiva para empresas com 11 a 50 processos, que totalizaram 16,27%. Os dados apontam que 6,32% das empresas enfrentaram mais de 50 processos, demonstrando um cenário difícil para uma parte do setor.

Marco Aurélio Brasil, professor de Direito Empresarial do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), destaca que processos com e-commerces geralmente envolvem pós-vendas e logística, como demoras e produtos defeituosos.

“A eficiência no atendimento e estratégias jurídicas são cruciais para minimizar litígios e melhorar a reputação das empresas. Elas devem investir em um bom serviço de atendimento ao cliente, adotar melhores estratégias, assim, reduzindo custos e melhorando a percepção do consumidor”, finaliza.

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O Brasil, o setor apresentou um crescimento forte em relação ao ano anterior. O número de lojas virtuais também aumentou em 17%, chegando a mais de 1,9 milhão.

A pesquisa aponta um crescimento significativo nas empresas de pequeno porte, aquelas que têm um faturamento anual de até R$ 5 milhões. Esse aumento veio junto com uma queda na parcela de empresas que têm faturamento mais elevado, que hoje totalizam apenas 2.7% do total. O estudo “Perfil do E-Commerce Brasileiro” destaca também uma redução na integração dos canais de venda físicos: a proporção de e-commerces que possuem loja física caiu para 16,5%, contra cerca de 19% em 2022. Os marketplaces, por outro lado, seguem cada vez mais relevantes. O número de e-commerces presentes em pelo menos um marketplace teve um aumento de 61% nos últimos 2 anos, saltando de 14.8% para 23.8%.

Nas lojas virtuais são oferecidos, principalmente, produtos e serviços com preço menor do que R$ 100 (72,3%). Já itens com valores acima de R$ 1 mil tiveram uma queda acentuada de 2022 a 2023 (20,5% vs. 15%). Uma grande parcela dos e-commerces (68,4%), possuem uma variedade de até 10 produtos à disposição do consumidor.

O estudo apontou que 73,5% dos e-commerces são familiares, e que 86% deles tem menos de 10 funcionários. 45,7% são na verdade empresas individuais, nas quais apenas o empreendedor trabalha. A grande maioria das companhias nunca sofreu um processo por falha no atendimento ao cliente, mas 13,6% delas já passaram por essa experiência, reforçando a importância do cliente investigar a reputação da empresa antes de realizar uma compra.

A preocupação com segurança contra fraudes bateu recorde alta para os empreendedores: 89% utilizam certificados SSL (Secure Sockets Layer), camada de segurança que criptografa os dados transacionados entre consumidor e loja online. Houve um grande aumento na adesão da ferramenta desde 2016 (73,8% vs 89,3% em 2023). Os lojistas também têm investido mais no uso de tecnologia para melhorar a experiência do cliente: 65,8% aceitam carteiras digitais como pagamento.

Ainda segundo o estudo, os e-commerces representam apenas 8% em relação aos demais tipos de websites no Brasil; cerca de 75,6% das lojas online contam com mídias sociais. Embora o Facebook ainda seja a rede mais utilizada, o TikTok vem rapidamente ganhando espaço. Em 2021, estava presente em 1,2% das lojas, e hoje já está em 14%; o mercado de plataformas de construção de sites segue em consolidação. A quantidade de opções disponíveis para os empreendedores caiu de mais de 200 em 2022 para 195 neste ano; a acessibilidade digital continua sendo um grande problema, apesar de um avanço significativo: em 2022, apenas 0,06% das lojas eram aprovadas em todos os testes de acessibilidade, número que subiu para 1,3% em 2023.

A série Perfil do E-Commerce Brasileiro usa o processo automatizado da BigDataCorp, que coleta dados e inspeciona mais de 1,8 bilhões de sites de todo o mundo continuamente. A análise é feita com base na captura de todo o conteúdo HTML das páginas identificadas como e-commerce e realiza o mapeamento das informações para o estudo. Os dados apresentados foram colhidos até o dia 30 de setembro. A captura dos dados demográficos indicados na pesquisa foi feita com base no cruzamento de dados disponibilizados pela lei de acesso à informação e os CNPJs dos e-commerces.

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