Maioria sem poder de decisão

Apenas 4% dos deputados e senadores eleitos em 2018 se autodeclaram pretos.

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Nesta sexta-feira (20) comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra, data relacionada ao dia em que foi morto Zumbi dos Palmares, em 1695, líder que simboliza a luta contra a escravidão. O Brasil, com 55% da população de negros, continua marcado pelo racismo. Prova disso está no fato de a Polícia Civil de Joinville investigar caso de ameaça de morte contra vereadora eleita Ana Lucia Martins, do PT, primeira negra da história da Câmara Municipal da cidade catarinense.

Ela foi alvo de ataques racistas nas redes sociais após ter sido eleita domingo (15). Por meio de um perfil falso, pessoas que se dizem membros de uma denominada “juventude hitlerista” publicaram mensagens de ódio e com ameaças de morte.

Agora só falta a gente m4t4r el4 e entrar o suplente que é branco (sic)”, dizia uma das mensagens. Ana registrou boletim de ocorrência e prestará depoimento na delegacia. Ela foi eleita com 3.126 votos, a sétima mais votada na cidade.

Mesmo sendo maioria no quadro populacional, os negros estão presentes em apenas 27% no Legislativo. Nas últimas eleições, 7, 444 candidatos pardos e pretos foram eleitos ao Legislativo. Apesar disso, 75% da nova Câmara são de deputados brancos

Apenas 4% dos deputados e senadores eleitos em 2018 se autodeclaram pretos, segundo levantamento realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A porcentagem corresponde a 65 nomes das 1.626 vagas que ocupam o Legislativo nos quatro anos. Pela definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pardos e pretos são considerados negros e, a partir disto, somam 444 candidatos eleitos.

Atualmente, cinco estados e mais de mil municípios adotam a data como feriado local. Um projeto de lei do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em discussão no Senado propõe que o dia seja oficializado feriado nacional (PLS 482/2017). A relatoria é do senador Paulo Paim (PT-RS).

Ao longo de pequenas conquistas garantidas, 2018 foi marcado pela primeira vez que uma mulher indígena foi eleita deputada federal. Com 8.267 votos, Joênia Wapichana (Rede-RR) foi eleita em Roraima ao Legislativo. Há 38 anos, em 1982, Mário Juruna, eleito pelo PDT, se tornou o primeiro indígena a chegar à Câmara dos Deputados.

Os números expõem a situação de exclusão social e necessidade de reparação provocada pelo racismo no Brasil. Já que o número no Legislativo pode ser considerado inexpressivo se comparado ao fato de que 55, 9% dos brasileiros são declaradamente negros.

No atual governo essa exclusão se destaca com a apresença de apenas 3% dos assessores presidenciais negros. Outros 198 profissionais (20% dos funcionários), de acordo com o levantamento interno do governo, se consideram pardos. O governo Bolsonaro não tem nenhum ministro preto ou pardo.

 

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