Mais da metade dos trabalhadores que se identificam como autônomos ou empreendedores quer ter carteira de trabalho assinada, com todos os direitos da CLT garantem; 56% dos que hoje se declaram autônomos e já tiveram carteira de trabalho assinada afirmam que, com certeza, gostariam de voltar a ser celetistas.
Os dados são da pesquisa Vox Populi “O Trabalho no Brasil”, encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais.
Na avaliação do presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, a pesquisa mostra que autodeclarados empreendedores e autônomos são empurrados para modalidade e a informalidade pela precarização do trabalho formal. Entrevistados apontaram que os empregadores pagam baixos salários, fazem muitas exigências de qualificação, além de impor jornadas extensas.
A pesquisa mostrou uma diferença entre a percepção sobre preferências nacionais e a realidade: 53,4% das pessoas entrevistadas avaliam que os brasileiros preferem ser empreendedores; 40,1%, que os brasileiros desejam carteira assinada.
Entre trabalhadores do setor privado com carteira, 40,9% com certeza gostaria de ser empreendedor. Entre trabalhadores do setor privado sem carteira (maioria são MEIs e PJ), cerca de 56% já tiveram experiência anterior no regime CLT; 59,1% afirmaram que, com certeza, voltariam a ter carteira de trabalho assinada, enquanto 30,9% disseram que poderiam retornar.
Aqueles que destacam o empreendedorismo com melhor forma de ocupação valorizam autonomia e flexibilidade.
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Entre as pessoas fora do mercado (mulheres em atividades de cuidado não remunerado e estudantes) que gostariam de retornar, 52,2% e 57,1% preferem retornar ao mercado de trabalho com carteira assinada (CLT).
Entre os que se declararam trabalhadores autônomos, 55,3% poderia voltar ou, com certeza, voltaria a ter carteira assinada; 39,1% não voltaria a ter carteira assinada.
Entre os que se declararam empreendedores: 58,9% com certeza não voltaria a ter carteira assinada, enquanto 32,7% poderia voltar ou, com certeza, voltaria a ter carteira assinada.
A pesquisa levantou a situação anterior dos empreendedores e trabalhadores autônomos: 35,7% tinham carteira assinada anteriormente; 21,7% estavam desempregados; 19,9% sempre estiveram na condição de empreendedor ou autônomo.
As principais razões para ser empreendedor/trabalhador autônomo: precisava trabalhar para ajudar a família/complementar a renda; precisava ganhar mais dinheiro/salários são baixos; precisava de um trabalho com flexibilidade de horário; não conseguia arranjar emprego na área de formação; não gosta de ter patrão.
Principais atividades dos que declararam ser empreendedores ou autônomos:
- 1.Ambulante ou sacoleiro;
- 2.Trabalhador na construção civil (pedreiro, pintor, encanador, reformas, etc.);
- 3.Cabeleireiro(a) ou barbeiro(a);
- 4.Comerciante;
- 5.Cozinheiro(a) (marmitas, doces, salgados, pães, bolos, etc.);
- 6.Artesão;
- 7.Técnico em TI (manutenção, conserto de computadores, hardware, etc.);
- 8.Manicure, pedicure, depiladora;
- 9.Mecânico (conserto de carros e motos);
- 10.Faz-tudo ou “marido de aluguel”;
Qual a pauta dos autônomos ou empreendedores
Entre os insatisfeitos e muito insatisfeitos (13%), os maiores problemas são:
- Falta de estabilidade financeira (64,7%).
- Falta de benefícios (10%).
- Trabalha muito sem folga (9,4%)
- Saudade da CLT
As pessoas se autodeclaram empreendedores e autônomos, o que abrange desde o ambulante até aquele que tem algum capital. A cada seis pessoas que são autônomas, só uma acha que é empreendedora.
A pesquisa foi realizada com 3.850 pessoas, presencialmente, em todo o Brasil, entre maio e junho de 2025.

















