Pesquisa encomendada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) revela que 55% da população leva em conta critérios ambientais na hora de decidir o que comprar, enquanto 75% acreditam que a transição para uma economia verde deve gerar empregos e oportunidades no país.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (Abriq) reforça a importância da adoção de normas reconhecidas internacionalmente, como a ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental, como ferramenta estratégica para organizações que buscam alinhar competitividade, responsabilidade socioambiental e confiança do mercado.
A norma estabelece diretrizes para que empresas desenvolvam práticas sustentáveis de forma estruturada, incluindo ações como redução de impactos ambientais, uso eficiente de recursos naturais, diminuição das emissões de gases de efeito estufa e adoção de processos mais conscientes em toda a cadeia produtiva.
Para o vice-presidente de Sistemas e Pessoas da Abriq, José Joaquim Ferreira, o movimento do consumidor brasileiro deixa claro que sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico.
“Os dados mostram que a sociedade está cada vez mais atenta ao impacto ambiental das empresas. Organizações que não incorporarem essa agenda correm o risco de perder relevância e competitividade no mercado”, afirma.
Segundo Ferreira, a ISO 14001 oferece um caminho concreto para essa transformação. Baseada na metodologia Plan, Do, Check, Act (PDCA), a norma permite que empresas planejem, implementem, monitorem e aprimorem continuamente suas práticas ambientais. “Não se trata apenas de cumprir exigências, mas de evoluir de forma consistente, com ganhos operacionais, reputacionais e financeiros”, destaca.
A Abriq ressalta ainda que a certificação ambiental contribui para fortalecer a confiança entre empresas, consumidores e investidores, além de ampliar o acesso a mercados mais exigentes.
“A sustentabilidade hoje está diretamente ligada à continuidade dos negócios. Quem investe em gestão ambiental estruturada não apenas reduz riscos, mas também se posiciona melhor diante de um consumidor mais consciente”, acrescenta José Joaquim Ferreira.
Nesse contexto, a Infraestrutura da Qualidade exerce papel fundamental ao garantir que normas como a ISO 14001 sejam implementadas de forma confiável, por meio de processos de avaliação da conformidade, certificação e auditorias realizadas por organismos acreditados.
Para a entidade, o avanço da agenda sustentável no Brasil depende da integração entre setor produtivo, governo e sociedade, com base em padrões técnicos reconhecidos e práticas transparentes. “A sustentabilidade precisa ser mensurável, verificável e contínua. É isso que transforma compromisso em resultado concreto”, conclui.
Indústria precisa avançar para o conteúdo reciclado
Segundo Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo, recicladora de PET , a reciclabilidade deve ser entendida como condição necessária, mas insuficiente.
“O produto só cumpre seu papel ambiental quando incorpora matéria-prima reciclada, especialmente pós-consumo. É isso que fecha o ciclo da economia circular. Recicláveis e reciclados são interdependentes, mas são os reciclados que materializam a circularidade na prática”, afirma.
Do ponto de vista técnico e industrial, reciclado é todo material que passa por um processo de reprocessamento para uma nova utilização, retornando à cadeia produtiva como insumo. No caso do PET, trata-se da transformação de embalagens descartadas em resina reciclada apta a ser utilizada novamente pela indústria, inclusive em aplicações de maior exigência técnica.
“O pós-consumo é o circuito que efetivamente fecha a economia circular. É exatamente esse o princípio que orienta a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Decreto de Logística Reversa de Embalagens Plásticas: garantir que embalagens descartadas sejam coletadas, recicladas e reinseridas no sistema produtivo, evitando destinação inadequada”, explica Barbosa.
Já os produtos recicláveis são aqueles potencialmente aptos à reciclagem, desde que sua composição permita reaproveitamento industrial. O desafio central é que, na prática, uma parcela significativa desses materiais não retorna ao sistema produtivo, perpetuando o modelo linear de produção, consumo e descarte.
Já em vigor, o Decreto de Logística Reversa de Embalagens Plásticas (12.688/2025) representa uma inflexão relevante na governança do plástico pós-consumo no Brasil. A norma estabelece metas obrigatórias de incorporação de matéria-prima reciclada, determinando que embalagens plásticas contenham, no mínimo, 22% de conteúdo reciclado, com escalonamento progressivo até 40% em 2040. O objetivo é elevar o índice nacional de reciclagem para 50% nos próximos 15 anos.
Ao exigir percentuais mínimos de conteúdo reciclado, o decreto desloca o debate da intenção para a execução industrial. A regulamentação atribui às empresas a responsabilidade direta de reinserir material pós-consumo em seus próprios sistemas produtivos, criando previsibilidade para investimentos, incentivando a ampliação da capacidade instalada da reciclagem e induzindo mudanças estruturais em decisões de design, suprimentos e produção.
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