Mais da metade dos moradores de favelas perderam emprego

Informalidade é alta: só 1 em cada 4 tinha carteira assinada.

A falta de água fez parte da rotina de 37% dos moradores de favelas no Rio de Janeiro; 63% ficaram sem água em algum momento da pandemia. Apenas 26% possuem emprego com carteira assinada, e 54% perderam o emprego no período.

Os dados são da pesquisa “Coronavírus nas favelas: a desigualdade e o racismo sem máscaras”, lançada nesta segunda-feira. O estudo foi realizado pelo coletivo Movimentos, formado por jovens de diferentes favelas da cidade, com apoio do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

O relatório, divulgado pela Agência Brasil, revela que a média de pessoas por cômodo das casas das favelas é de 3 moradores, o que amplia a possibilidade de contágio dentro das residências e dificulta o isolamento social. Além disso, 54% não conseguiram fazer isolamento, principalmente pela necessidade de sair para trabalhar, o que foi relatado por 55% dos respondentes.

O estudo apontou que, no Brasil, pessoas de baixa escolaridade têm taxas de mortalidade três vezes maiores (71,3%) do que das pessoas com nível superior (22,5%). Nas favelas analisadas na pesquisa, apenas 16% dos participantes disseram ter ensino superior. Sobre o desemprego, a situação foi relatada por 26,8% da população não branca, e 30% estão em trabalhos informais.

Entre os respondentes, 62% solicitaram o auxílio emergencial, mas apenas 52% receberam o benefício; 50% solicitaram doações e, dentre esses, 56% receberam ajuda; 36% das pessoas ajudaram arrecadando ou fazendo doações.

Para o coordenador do Movimentos Ricardo Fernandes, morador de Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, a situação durante a pandemia só não foi mais grave devido às redes de solidariedade que ser formaram.

“Além de construir uma potente rede solidária para suprir a ausência do Estado, os jovens das favelas discutem impactos da política de drogas em seu cotidiano, e produzem dados para que a sociedade conheça a realidade que vivemos sob a perspectiva de quem nasce, cresce e mora nesses lugares, que são alvo de várias violências do poder público.

Com Agência Brasil

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