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segunda-feira, janeiro 18, 2021

Mais de mil

Dados parciais mostram que mais de mil mulheres se inscreveram para o Prêmio Mulher Empreendedora, do Sebrae. A premiação tem como objetivo divulgar ações empreendedoras, gerenciadas por mulheres ou grupos de mulheres. São Paulo foi o estado com maior número de inscritas (mais de 200). Em seguida vieram Amapá (97) e Rio de Janeiro (69). Os nomes das vencedoras serão divulgados em 7 de março.

Como iludir o povo
Estrategistas, militares ou não, antes de definir suas táticas de ação se perguntam sobre os objetivos a serem alcançados. Embora óbvia, essa questão não foi feita ou respondida pelos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, que aprovaram, quarta-feira, a destinação de 50% das vagas das universidade federais para estudantes oriundos da rede pública, criando ainda subcotas para brasileiros negros e índios.
Os integrantes da CCJ deixaram sem resposta pergunta basilar: qual o papel da universidade num país periférico? Se a resposta for melhorar as estatísticas sobre os números de universitários brasileiros e fazer justiça social, a medida é coerente. No entanto, se o objetivo é desenvolver o espírito crítico dos jovens e formar profissionais qualificados para o país, estamos diante de, na melhor das hipóteses, uma boa intenção de consequências funestas.
Como sabem todos ligados à educação, o conhecimento é processo cumulativo, sendo desaconselhável, como regra, a queima de etapas. O vestibular está longe de ser processo isento de imperfeições como forma de recrutamento para a universidade. No entanto, se é trocado por critérios desprovidos de parâmetros acadêmicos, estamos diante da ameaça de desconstrução da universidade como instituição de excelência. A ausência daqueles parâmetros pelas universidades privadas explica, tanto o avanço exponencial do número de matriculados, como a transformação da esmagadora maioria deles em commodities de segunda linha. Sua extensão à universidade pública implica, na prática, independentemente das intenções, o desmonte do ensino de Terceiro Grau de qualidade. Ou seja, o resultado é antagônico do acenado pelos defensores das cotas.
Chegar à universidade não é uma forma abstrata de fazer justiça social. Esta deve se dar com investimentos maciços na educação fundamental. Os que consideram esse um processo de médio e longo prazo e por isso optam pela defesa das cotas podem testar seu compromisso com a tese se somando aos que defendem a conversão de parte do superávit primário em investimentos, efetivos, no ensino público. Com cerca de 10% dos R$ 140,9 bilhões que o mesmo governo que defende cotas nas universidades destinou ao pagamento de juros, em 2005, o país praticamente dobraria o orçamento da Educação. Sem dúvida, trata-se de proposta embaraçosa, por mexer com o ajuste fiscal, dogma mais acabado da política econômica, mas por isso mesmo é emblemática, por explicitar as prioridades estratégicas de cada lado. Afinal, é mais difícil mostrar compromisso efetivo com a educação mexendo com os interesses financeiros do que, como dizia Lênin, “iludir o povo, com palavras fáceis e vazias”.

Prova
Todos os postos de combustível localizados no Rio de Janeiro serão obrigados a guardar uma amostra dos dois últimos carregamentos adquiridos. A lei, de autoria do deputado estadual Edmilson Valentim (PCdoB), foi aprovada na Assembléia Legislativa e vai a sanção da governadora Rosinha Garotinho. A idéia é combater a máfia de falsificação de combustíveis. Edmilson ressalta que atualmente é vantajoso ao posto que age de má fé arcar com o valor da multa, que é pequeno, e quanto ao distribuidor seu risco é mínimo porque ele não é obrigado a guardar a amostra. A nova lei prevê multas que variam de 10 mil a 20 mil Ufirs, interdição do estabelecimento comercial e até cancelamento do registro.

Meio canudo
A direção da unidade Centro da tradicional Universidade Candido Mendes foi afastada e substituída por profissionais da filial Ipanema. Por trás da mudança administrativa se esconde uma disputa entre o comando da universidade e os professores, que não aceitam redução da carga horária das disciplinas em 25%, com redução equivalente na remuneração. A direção afastada não concordava com a proposta.
A associação de docentes (Procam) convocou para 16 de fevereiro assembléia para discutir atraso de salários e pagamento de passivos trabalhistas. Professores denunciam que o FTGS não é depositado há três anos e os docentes mais antigos ficaram sem turma, forma de pressionar para que saiam da instituição, sendo substituídos por jovens recém-formados, obviamente ganhando menos.
Na Economia, uma disciplina obrigatória, pertencente ao currículo mínimo, não será oferecida. Caso para o Conselho Regional de Economia.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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