Mal duplo

A queda da taxa básica de juros (Selic) em 2,5 pontos percentuais também ajuda a derrubar outro dogma tucano/petista: a de que juros altos são o principal instrumental para manter a inflação baixa. A queda generalizada de preços no crediário que se seguiu a uma queda um pouco menos tímida da Selic reafirma que, na verdade, juros elevados são duplamente inflacionários. Além de pressionarem a dívida pública, inflam os preços do comércio e da indústria devido aos custos financeiros.

Cavando o  próprio buraco
Diferentemente do propagado pela equipe econômica, a insistência em manter os juros nas nuvens não apenas não ajuda a construir a confiança dos credores, como deve se tornar o principal detonador da debandada de capitais externos. No primeiro semestre, por exemplo, mesmo produzindo um superávit primário (economia para pagar juros) de cerca de 5% do PIB, superior aos 4,25% exigidos pelo FMI, faltaram cerca de US$ 34 bilhões para pagar os R$ 74 bilhões torrados com juros. No segundo, com a recessão recrudescida e reduzindo a capacidade de o setor produtivo arcar com essa drenagem para a banca e os rentistas, em algum momento a bicicleta pára de pedalar.

Armazém petista
O mais grave é que, quanto maior o juro real, maior a necessidade, dentro da lógica palocciana, de produzir mais superávit primário, que, por sua vez, se esvai pelo ralo dos gastos financeiros. Algo mais ou menos como a eterna dívida dos peões do interior do país com os donos de armazém.

Neocorporativismo
Com o governo caminhando para seu nono mês, já está na hora de o presidente Lula, ao fazer o balanço de sua administração, exibir indicadores não financeiros, como risco país, cotação do dólar etc. Uma simples lida dos balanços do primeiro semestre exibidos pelos bancos bastaria para confirmar que a turma da banca vai muito bem obrigado. Fica faltando o petista falar dos indicadores que seu partido, à época em que era oposição, considerava fundamentais, como emprego, saúde, educação, segurança, crescimento etc.

Viagens de negócios
As agências de viagens especializadas no atendimento ao mercado corporativo movimentaram pouco mais de R$ 3,5 bilhões em 2002, contra cerca de R$ 3 bilhões no ano anterior. Esses valores incluem vendas de passagens aéreas, hospedagem, locação de veículos, excursões, eventos e cruzeiros nacionais e internacionais. As 28 associadas do Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais (www.favecc.org.br), criado em 1994, contam com 4.668 funcionários.

Via satélite
Houve uma queda de 50% nos custos de locação de satélite nos últimos três anos no mercado norte-americano, segundo o consultor Paulo Ricardo Balduino, da Spectrum. A redução vem se repetindo em todo mundo. Não há dados referentes ao Brasil, mas a estimativa é que a redução de custo no país deve ter acompanhado o que ocorreu nos Estados Unidos. Essa queda deve-se a uma grande oferta de capacidade espacial e viabiliza aplicações que vão de ensino à distância ao combate ao câncer.

Desenvolvimento em debate
Começa nesta segunda-feira, às 9h, o Ciclo de Seminários Brasil em Desenvolvimento, organizado pelo Instituto de Economia (IE) da UFRJ, com apoio da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal/ONU), que debaterá as perspectivas para o desenvolvimento de longo prazo. Os seminários, que acontecerão às segundas-feiras, até 17 de novembro, deve contar com a presença de ministros do governo Lula. A abertura terá como conferencistas os professores Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares. Também estarão presentes o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, o diretor do Instituto de Economia/UFRJ, João Sabóia, e o diretor da Divisão de Desenvolvimento Produtivo e Empresarial da Cepal/ONU, João Carlos Ferraz. O instituto fica no campus da Praia Vermelha, na Avenida Pasteur, na Urca.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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