Malan sem fundamentos

A escandalosa ação do governo, encabeçada pelo presidente FH, para barrar a instalação da CPI da Corrupção revela a que nível de destroços foram reduzidos os badalados fundamentos do Real. A confissão de que o governo não resiste a uma investigação sobre corrupção, ainda que comandando e mantendo maioria na comissão permite duas leituras. Se o tamanho do temor é revelador do que se teme descobrir, a CPI é, mais do que nunca, urgência nacional. E, não menos importante, a fragilidade do modelo econômico dependente transformou a necessidade de financiamento externo numa camisa de força à retomada consistente do desenvolvimento e num forte fator de chantagem contra o país, a ser acionado sempre que este ameace seus competidores internacionais.
A verdade é que, mais de seis anos depois da implantação do Real, a 11ª economia do mundo continua dependente de dinheiro externo para fechar suas contas, pressionadas pela combinação de abertura comercial irresponsável, juros astronômicos e populismo cambial. Desses três fatores, o único, parcialmente, removido foi o último, embora a falta de controles menos frouxos mantenha o país sujeito a fatores fora do seu controle. Mesmo assim, o grau de desnacionalização imposto ao país impediu que o fim do constrangimento ao câmbio se refletisse de forma mais firme na balança comercial. É que, dentro do desmonte da economia posta em prática, o incremento de componentes importados tem relação geométrica com qualquer avanço, ainda que tímido, da economia. Em outras palavras e sem trocadilho, os fundamentos da economia administrada por Malan & Cia não têm o menor fundamento.            

Vocação para o desastre
Andando às cegas em relação ao plano de racionamento de energia, o governo FH ainda vai fazer o país achar um piquenique a desastrosa operação de troca do código telefônico para ligações interurbanas, em julho de 1999.

Mãezona
Pedagógica foi a sinceridade do diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, ao tentativa da AES de pegar carona no blecaute para elevar ainda mais os preços das tafiras: “Eles já tiveram 20.9% de aumento num país em que a inflação é de 6% e querem mais?” Diante de tamanha generosidade, não existe goela que se contente.

Órfãos do Serra
Os ainda decentes serviços garantidos pelo atendimento do Corpo de Bombeiros, realçados pelo caos do restante do sistema de saúde, provoca cenas tragicômicas. Essa semana, uma doméstica que passou mal na Zona Sul do Rio enquanto trabalhava, foi conduzida para a rua para poder receber os serviços médicos dos Bombeiros, que não fazem atendimento a domicílio.  

Trevas
Por que as ações mais sombrias se dão sempre no apagar das luzes?

Maria Antonieta
Não satisfeito em acabar com o pão, o tucanato agora investe contra o circo. Avesso a manifestações populares, o governo estuda acabar com os jogos de futebol à noite, alegando que a iluminação de um estádio de futebol durante uma partida de 90 minutos, mais o intervalo de 15 minutos, equivale a um gasto de energia de 33 prédios de porte médio durante uma hora. O resultado da revanche deve ser conhecida em 2002.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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