Mandetta sobre Bolsonaro ‘Muito covarde’ e ‘muito pequeno

Ex-ministro acusa Onyx Lorenzoni de gravar conversas com deputados.

Conjuntura / 22:22 - 25 de set de 2020

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A fala em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incentivou apoiadores a invadirem hospitais ao redor do país sob a alegação de que estariam vazios, foi fortemente criticada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em uma live com o presidente do conselho deliberativo do Hospital Albert Einstein, Claudio Lottenberg.

Primeiro o presidente quis colocar a culpa na China, mas falaram para ele recuar pois dependemos economicamente deles. Depois tentou culpar a OMS (Organização Mundial da Saúde), vital para nosso intercambio de saúde, mau negócio. Depois brigou comigo dizendo que os números estão inflados. Ele vai brigar com o planeta Terra para culpar alguém, agora fala dos hospitais. Covarde, muito covarde. Muito pequeno, muito tacanho”, afirmou o ex-ministro.

Mandetta também criticou a presença de militares no Ministério da Saúde, alegando que no momento “temos uma ocupação militar no ministério”. Ele também disse que a lógica militar não condiz e não é ideal para o órgão. “O que está na cabeça do militar é a promoção militar, que se dá a prestar serviços para seus superiores. Os militares não têm formação técnica. São bons para organizar os eventos, as guerras, mas são pouco afeitos a sistemas de saúde.”

Luiz Henrique Mandetta lançou nesta sexta-feira o livro “Um Paciente Chamado Brasil”, no qual fala sobre os 87 dias finais de sua gestão à frente da pasta. No relato, lembra os problemas enfrentados para combater a pandemia e bastidores do governo. Em um dos capítulos, Mandetta acusa o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, do que ele chamou de “pecado mortal” na política. O ex-ministro afirma que, em 2016, quando Onyx era deputado e relator das “10 medidas contra a corrupção”, ele lhe confessou ter gravado parlamentares durante uma reunião na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) para depois tentar comprometê-los. Lembra que na ocasião Onyx era pressionado por parlamentares para alterar o texto original, proposto por procuradores da Lava Jato. Mandetta escreveu que Onyx lhe mostrou a gravação e fez ameaças aos parlamentares de que, se a pressão continuasse, iria vazá-la para a imprensa.

 

 

 

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