Manifestações não alteram cenário negativo para Bolsonaro

Segundo estudo, democracia se enfraqueceu, com o questionamento dos sistemas institucionais do país.

As manifestações deste dia 7 de setembro não resultaram em crescimento expressivo das menções positivas ao presidente da República nas redes sociais. Houve um aumento de apenas 1 ponto e as menções negativas continuaram se sobressaindo. A média de menções negativas a Bolsonaro seguiu acima dos 60%. É o que mostra pesquisa da Modalmais/AP Exata divulgada nesta quarta-feira.

Os sentimentos de medo e tristeza se mantiveram como os mais presentes nas postagens que mencionam Jair Bolsonaro. A confiança no presidente da República também não demonstrou recuperação. Ela, que era o sentimento mais presente nas publicações sobre ele até novembro de 2020, perdeu espaço para sentimentos negativos, a partir do momento em que a população passou a sentir no bolso a volta da inflação.

Já a avaliação do governo também permanece muito mais negativa do que positiva, conforme mostram os dados da Inteligência Artificial da AP Exata, que calcula diariamente a avaliação dos brasileiros sobre o Governo Federal, com base no sentimento das redes e a média das pesquisas. Nesta terça-feira, o percentual de pessoas que avaliam a gestão como ruim/péssima é de 48,6%; 27,4% consideram o governo bom/ótimo e 23,9% avaliam como regular.

Abase de apoio ao presidente da República garante a ele a possibilidade de convocar a militância às ruas, como ocorreu neste dia 7 de setembro. No entanto, é uma base que se fechou nela mesma. Que se retroalimenta de informações elaboradas por canais e influenciadores identificados com as causas do bolsonarismo.

Como tanto a situação quanto a oposição estão bastante cristalizadas nas redes, atos como os de ontem acabam não alterando o cenário do mundo virtual. É como se as manifestações de rua apenas confirmassem movimentos online, que se constroem antes da realidade offline.

O estudo avaliou as hashtags publicadas hoje em publicações no Twitter que mencionam Bolsonaro. Entre as 15 mais utilizadas, as cerquilhas contrárias ao governo se sobressaíram somando 53,78%. As a favor somaram 18,94%.

A hashtag da oposição mais publicada foi# ForaBolsonaro e a da situação foi #7DeSetPelaLiberdade.

Após o presidente da República radicalizar sua fala sobre o STF e afirmar que não cumprirá decisões de Alexandre de Moraes, o impedimento voltou a ser muito mencionado nas redes. O #ForaBolsonaro veio acompanhado de pressão para que Arthur Lira abra o processo de cassação do presidente da República na Câmara. O assunto passou a ser defendido também por analistas da imprensa e aventado por alguns partidos como PSDB, PSD e MDB.

Há uma clara cisão nas redes, intensificada pelos protestos. Ambas entendem que há possibilidade de golpe. A militância bolsonarista aceita passivamente a possibilidade de haver uma ruptura institucional, contanto que ela seja coordenada pelo presidente da República. São pessoas que deixaram de acreditar no sistema, que não veem as decisões do STF como isentas e que acreditam na fragilidade das urnas eletrônicas. Ignoram também as pesquisas dos institutos tradicionais e acreditam que a liderança de Bolsonaro na corrida eleitoral é incontestável, uma vez que ele consegue reunir multidões nas ruas. Esse grupo minimiza as manifestações da oposição, que também têm lotado as ruas.

Já a oposição ao governo teme um golpe liderado por Bolsonaro. Busca ressaltar o quadro econômico grave do país e atribui à política do governo os baixos índices de crescimento do país, a volta da inflação e o desemprego. Vê Bolsonaro como uma líder corrupto, que estimulou e participou de “rachadinhas”, junto com os filhos, e que possui ligações com a milícia carioca. Também culpa o presidente da República pelo alto índice de mortes por Covid no Brasil. São pessoas que minimizam os atos governistas como os de hoje.

Portanto, mesmo dentro da divisão de redes, um golpe é visto como possível. Discute-se, dentro desse tema, a possibilidade de apoio das Forças Armadas e das Polícias Militares em uma possível ruptura. Portanto, esse é o dilema das redes políticas do Brasil hoje. A democracia já não é algo entendido como sólido e, se antes ela era um ponto pacífico, hoje é questionada por suas fragilidades.

As manifestações foram suficientes para que o presidente da República demonstrasse força popular e consolidasse sua liderança junto aos que o admiram, a ponto de se sentir confortável em dizer que não aceitará decisões relativas a um dos Poderes da República. O impeachment se tornou palatável, com um entendimento de analistas, partidos e internautas de que a democracia pode estar ameaçada. A imagem negativa do presidente da República permanece majoritária nas redes.

De acordo com a pesquisa, a bolha que está sob sua influência demonstrou ter uma dinâmica própria, com força para manter ao seu redor um forte grupo de políticos que se preparam para 2022. A democracia se enfraqueceu, com o questionamento dos sistemas institucionais do país. Parte significativa da população perdeu a confiança no sistema eleitoral e no Supremo Tribunal Federal, a ponto de entenderem a desobediência jurídica como embate político e ideológico. A agenda política de reformas se enfraqueceu, ficando sem segundo plano, diante de um movimento eleitoral antecipado em mais de um ano, com nuances que ainda deixam em dúvida se ele irá transcorrer de forma pacífica.

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