Manifestações nos EUA complicam Trump em ano eleitoral

Protestos antirracistas pioram situação do republicano, que lida com alto desemprego e Covid-19.

Internacional / 17:07 - 1 de jun de 2020

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Os protestos antirracistas iniciados em Minneapolis, nos EUA, há uma semana se espalharam por pelo menos 40 cidades americanas, como Washington e Los Angeles, que decretaram toque de recolher e reforçaram a segurança. O estopim das manifestações foi o assassinato do ex-segurança George Floyd por um policial branco. As manifestações são um novo ingrediente para o ano eleitoral no país, já conturbado pelas crises econômica e de saúde pública.

Para Leonardo Trevisan, economista e professor de Relações Internacionais da ESPM SP, a questão racial não é o único fator que motiva a intensidade e a capilaridade dos protestos pelo país.

"As manifestações se iniciaram pelo crime racial, mas nascem em um contexto de mais problemas sociais graves, aprofundados pelo coronavírus. O desemprego atingiu fortemente as principais regiões metropolitanas dos EUA, em especial jovens abaixo dos 35 anos. Junho pode marcar a maior taxa de desocupação desde a crise de 1929, quando o índice atingiu 25%. Um evento estopim como esse ganha muito mais significado pelo momento no qual ocorre", afirma.

Com o contexto de crise, o democrata Joe Biden ganha vantagem em estados chave para a eleição de novembro.

"Biden está na liderança das pesquisas por 10 pontos percentuais nos swinging states, como são chamados os estados que oscilam entre republicanos e democratas nas eleições. Um dos principais é a Flórida, que pende mais para os republicanos e onde Biden também tem vantagem. Os swinging states foram fundamentais para a vitória de Trump em 2016 e isso complicará mais a campanha de reeleição do republicano", afirma.

 

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