Maquiagem derretida

A descoberta da execução de um bandido num cemitério paulista, graças ao espírito cidadão e à coragem indômita de uma mulher, não deveria servir apenas para pôr na cadeia maus policiais. Também deveria funcionar como uma janela de oportunidade para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) explicar de forma detalhada se a acentuada queda na taxa de homicídios no estado, na última década, além de fatores econômicos e da ação da polícia, guarda relação com formas heterodoxas de contabilizar esse tipo de crime.

Origens da estagnação
As políticas de contenção do crescimento Brasil via expansão do mercado interno são fruto da decisão, tomada no fim da ditadura militar, de mudança da modelo econômico, que resultou na assunção dos setores exportadores e rentistas em substituição aos produtores de bens e serviços para o mercado local, que comandaram o desenvolvimento nacional entre 1930 e 1980. A avaliação é do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, em artigo para a edição eletrônica da Revista Fórum.
Na breve historiografia sobre essa troca de guarda no bloco dominante, Pochmann atribui a substituição à crise da dívida externa, no início da década de 1980, que “fragmentou e dissolveu o antigo bloco de poder”. Ele acrescenta que a mudança na condução da agenda nacional resultou em baixo dinamismo econômico, marcado por breve períodos de crescimento, para logo o país voltar a avanços pífios (stop and go). O presidente do Ipea observa, ainda, que a marcha dos exportadores, em particular os de bens primários, rumo ao poder foi facilitado pela situação de pré-insolvência no balanço de pagamentos, que levou sucessivos governos a buscas desesperadas por divisas externas.
Essa situação foi agravada pela mudança da política monetária dos Estados Unidos, na primeira metade dos anos de 1980, quando optaram por juros astronômicos para atrair capitais e aumentar a transferência de renda de países periféricos como o Brasil que optaram por empréstimos externos com taxas flutuantes: “Mas, para a geração de elevados saldos de exportação, especialmente para um país que mal conseguia, até então, equilibrar suas contas externas, o Brasil terminou abandonando o seu próprio projeto nacional de desenvolvimento pela via do mercado interno”, salienta o economista, acrescentando que a opção por políticas de geração de elevados excedentes para arcar com pagamentos da dívida externa constrangia qualquer crescimento mais efetivo do mercado interno, “pois isso tornava insustentável a manutenção das exportações”.

Neocolonialismo
Em tempo: como não raro ocorre, na metade dos anos 90, essa opção político-econômica passou a escudar-se num verniz conceitual. Batizado PIB potencial, ele busca racionalizar o que seria uma suposta limitação do crescimento nacional, que, se ultrapassada, resultaria numa explosão inflacionária. Ou seja, um novo nome para o antigo pensamento colonizado, que intenta transformar superstição econômica em dogma científico.

Economia na escola
Com o objetivo de discutir questões relacionadas à inclusão da economia na grade curricular do ensino médio, o vice-presidente do Conselho Federal de Economia, Mário Sérgio Fernandez Sallorenzo, foi recebido no Ministério da Educação (MEC) pelo secretário-executivo adjunto, Francisco das Chagas Fernandes. Também estiveram presentes representantes da Associação Nacional dos Servidores Economistas e Estatísticos do Poder Executivo Federal (Anseefe), para discutir o mercado de trabalho dos economistas.

Reconstrução
Nesta quinta-feira, o reitor da UFRJ Aloisio Teixeira, se encontra com o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, no campus da Praia Vermelha para tratar da recuperação da Capela São Pedro de Alcântara, localizada no interior do Palácio Universitário, parcialmente destruída no incêndio do último dia 28. A deputada federal Jandira Feghali(PCdoB), que intermediou o encontro, informa que o acervo do Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade (Proedes), que conta com documentos mantidos durante os 90 anos da instituição, não foi totalmente queimado e passará por uma avaliação para saber o que escapou do fogo.

Rato que ruge
Os bombardeios à Líbia e à Costa Rica em intervalos de poucas semanas, causando a morte de centenas de vítimas civis, para abrir caminho para o saque do petróleo e do cacau, mostram que, menos de 49 anos após o fim da ocupação da Argélia, a França mostra que, apesar da evidente decadência do seu protagonismo global, a arrogância colonial se mantém intacta.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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