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domingo, janeiro 17, 2021

Marajás

Os generosos proventos pagos pelo INSS, que tanto motivam os pedidos de corte na Previdência feitos pelos neoliberais de plantão, não parecem satisfazer os aposentados. Quase 25% dos idosos do Rio de Janeiro voltam a trabalhar após a aposentadoria, mostra pesquisa da Fecomércio. E o principal motivo para o retorno ao mercado de trabalho é a necessidade. Na enquete de 2005, 64,5% dos aposentados que voltaram a trabalhar alegaram necessitar de outra fonte de renda; este ano, o total pulou para 72,5%.
A alimentação é o item que mais consome a renda dos idosos (47,5% dos ganhos), seguido por remédios (23,5%) e aluguel (7,2%). Nesta quinta-feira é comemorado o Dia Nacional do Idoso – mas, como diria Juca Chaves na antiga piada, rir de quê?.

A crise de identidade do Geraldo
Caso as pesquisas se confirmem e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, seja derrotado sem ter sequer o gostinho de ir ao segundo turno, muitos, dentro e fora do ninho tucano, já têm o diagnóstico pronto: candidato sem carisma atropelou o nome eleitoralmente mais forte internamente e levou o partido a uma derrota vergonhosa. Simples e direta, essa explicação, no entanto, peca pela impossibilidade de ser estendida ao conjunto da trajetória eleitoral de Alckmin. Sem qualquer carisma e muitas vezes atrás inicialmente nas pesquisas, o mesmo Alckmin só perdeu uma eleição na vida partidária, para a Prefeitura de São Paulo, na qual ser o candidato do Governo FH na principal cidade do país era uma espécie de beijo da morte.
Culpar a ausência de carisma de Alckmin facilita a vida dos que, dentro e fora do PSDB, fogem das consequências indeléveis da trágica herança deixada por FH: apagão, Proer, operação-abafa de 17 incômodas CPIs, compra de votos para aprovar reeleição e incontáveis etcs. E, mais grave, após se dedicar ao desmonte dos fundamentos da Era Vargas, foi incapaz de apresentar um projeto nacional.
Seu legado resultou num país condenado a crescer, em média, a 2,2% ao ano, na última década, e que tem 62,8% das exportações, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), concentradas em commodities. Como Lula adotou e aprofundou esse modelo regressivo, que continua a ser cultuado pelo tucanato, como mostrou a quase interminável blindagem de Palocci, Alckmin se agarrou ao personagem de gerente de banco do interior que se apresentava como gestor mais competente que um ex-metalúrgico. Com essa peça retórica fulminada pelo choque de realidade da ação do PCC,  restou ao candidato tucano uma única alternativa: trocar o Alckmin pelo Geraldo. Pelo visto, até dona Lu deve ter estranhado.

Ganhos e perdas
No 2º Fórum Público da OMC, que terminou nesta terça-feira, em Genebra, o fundador da United Nations Foundation, Ted Turner, protagonizou o discurso mais político do evento. Segundo a economista Josefina Guedes, da Guedes & Pinheiro Consultoria Internacional, que esteve no fórum, Turner afirmou que, caso a Rodada Doha não seja concluída, os maiores perdedores serão os países em desenvolvimento e os países de menor desenvolvimento relativo, visto que os países desenvolvidos realizarão acordos bilaterais e seguirão seus interesses comerciais. Destacou ainda que dar as costas a Doha significa renunciar ao desenvolvimento e à possibilidade de reduzir a pobreza. Vindo de Turner, significa que deve ser exatamente o oposto.

Calendário antecipado
O presidente Lula ingressará, nesta quinta-feira, no período astrológico conhecido como “inferno astral”. Esta é uma fase anual que todos nós atravessamos e que sugere cuidados e recolhimento. Quem garante é o astrólogo Ivan Freitas, delegado regional do Sindicato dos Astrólogos do Estado de São Paulo.

Baile
Um candidato tucano a deputado federal pelo Rio de Janeiro alugou, segunda-feira passada, o Claro Hall, na Barra da Tijuca, para apresentação de bandas, como a Celebrare, contratadas por ele. A platéia foi formada basicamente por empregados de sua empresa, aos quais distribuiu seis ingressos para cada um convidar familiares e amigos. Consideraria o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) esse um caso de abuso do poder econômico?

Troca de chumbo
O que será que não vai aparecer primeiro: os abastecedores das contas de onde saíram os milhões para pagar o dossiê ou os fatos que envolvem o grão tucanato?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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