Marajás

Os generosos proventos pagos pelo INSS, que tanto motivam os pedidos de corte na Previdência feitos pelos neoliberais de plantão, não parecem satisfazer os aposentados. Quase 25% dos idosos do Rio de Janeiro voltam a trabalhar após a aposentadoria, mostra pesquisa da Fecomércio. E o principal motivo para o retorno ao mercado de trabalho é a necessidade. Na enquete de 2005, 64,5% dos aposentados que voltaram a trabalhar alegaram necessitar de outra fonte de renda; este ano, o total pulou para 72,5%.
A alimentação é o item que mais consome a renda dos idosos (47,5% dos ganhos), seguido por remédios (23,5%) e aluguel (7,2%). Nesta quinta-feira é comemorado o Dia Nacional do Idoso – mas, como diria Juca Chaves na antiga piada, rir de quê?.

A crise de identidade do Geraldo
Caso as pesquisas se confirmem e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, seja derrotado sem ter sequer o gostinho de ir ao segundo turno, muitos, dentro e fora do ninho tucano, já têm o diagnóstico pronto: candidato sem carisma atropelou o nome eleitoralmente mais forte internamente e levou o partido a uma derrota vergonhosa. Simples e direta, essa explicação, no entanto, peca pela impossibilidade de ser estendida ao conjunto da trajetória eleitoral de Alckmin. Sem qualquer carisma e muitas vezes atrás inicialmente nas pesquisas, o mesmo Alckmin só perdeu uma eleição na vida partidária, para a Prefeitura de São Paulo, na qual ser o candidato do Governo FH na principal cidade do país era uma espécie de beijo da morte.
Culpar a ausência de carisma de Alckmin facilita a vida dos que, dentro e fora do PSDB, fogem das consequências indeléveis da trágica herança deixada por FH: apagão, Proer, operação-abafa de 17 incômodas CPIs, compra de votos para aprovar reeleição e incontáveis etcs. E, mais grave, após se dedicar ao desmonte dos fundamentos da Era Vargas, foi incapaz de apresentar um projeto nacional.
Seu legado resultou num país condenado a crescer, em média, a 2,2% ao ano, na última década, e que tem 62,8% das exportações, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), concentradas em commodities. Como Lula adotou e aprofundou esse modelo regressivo, que continua a ser cultuado pelo tucanato, como mostrou a quase interminável blindagem de Palocci, Alckmin se agarrou ao personagem de gerente de banco do interior que se apresentava como gestor mais competente que um ex-metalúrgico. Com essa peça retórica fulminada pelo choque de realidade da ação do PCC,  restou ao candidato tucano uma única alternativa: trocar o Alckmin pelo Geraldo. Pelo visto, até dona Lu deve ter estranhado.

Ganhos e perdas
No 2º Fórum Público da OMC, que terminou nesta terça-feira, em Genebra, o fundador da United Nations Foundation, Ted Turner, protagonizou o discurso mais político do evento. Segundo a economista Josefina Guedes, da Guedes & Pinheiro Consultoria Internacional, que esteve no fórum, Turner afirmou que, caso a Rodada Doha não seja concluída, os maiores perdedores serão os países em desenvolvimento e os países de menor desenvolvimento relativo, visto que os países desenvolvidos realizarão acordos bilaterais e seguirão seus interesses comerciais. Destacou ainda que dar as costas a Doha significa renunciar ao desenvolvimento e à possibilidade de reduzir a pobreza. Vindo de Turner, significa que deve ser exatamente o oposto.

Calendário antecipado
O presidente Lula ingressará, nesta quinta-feira, no período astrológico conhecido como “inferno astral”. Esta é uma fase anual que todos nós atravessamos e que sugere cuidados e recolhimento. Quem garante é o astrólogo Ivan Freitas, delegado regional do Sindicato dos Astrólogos do Estado de São Paulo.

Baile
Um candidato tucano a deputado federal pelo Rio de Janeiro alugou, segunda-feira passada, o Claro Hall, na Barra da Tijuca, para apresentação de bandas, como a Celebrare, contratadas por ele. A platéia foi formada basicamente por empregados de sua empresa, aos quais distribuiu seis ingressos para cada um convidar familiares e amigos. Consideraria o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) esse um caso de abuso do poder econômico?

Troca de chumbo
O que será que não vai aparecer primeiro: os abastecedores das contas de onde saíram os milhões para pagar o dossiê ou os fatos que envolvem o grão tucanato?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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