Margem de erro

A dispersão – para ser otimista – entre as pesquisas divulgadas recentemente mostra que as mudanças de posição na segunda colocação, por enquanto, são mais afeitas ao campo da propaganda do que ao da estatística. A divulgação pelo Instituto Sensus de pesquisa em que aponta a diferença entre Ciro Gomes e José Serra na faixa de dez pontos percentuais contrasta com as do Ibope e Vox Populi, que apuraram queda maior do candidato da Frente Trabalhista e uma alta surpreendente do tucano.

Rei do sertão
Surpreendente, por exemplo, no Nordeste, onde Serra teria praticamente dobrado na preferência estimulada – de 9% para 17%, dados do Ibope -, o que faria um analista político mais apressado concluir que a televisão e o rádio são a cabeça do novo coronelismo nordestino.
Os próximos números poderão indicar alguma tendência. Por enquanto, apenas a confirmação de que as pesquisas estão muito longe da eleição real e a forma como são divulgadas precisa ser revista pelo Congresso e Justiça.
Números da pesquisa espontânea – quase nunca divulgados – refletiriam melhor o momento. Neles, segundo o Ibope, Lula teria 25%, Ciro 15% e Serra e Garotinho aparecem tecnicamente empatados – 9% para o primeiro e 6% para o segundo. Fazendo as contas e tirando os que vão votar branco e nulo (6%) temos 38% de indecisos, noves fora aqueles que poderão mudar de voto.

Fora dos grandes centros
São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estariam fora dos planos de executivos se convidados a mudar de cidade para um novo emprego. Pesquisa feita pelo Grupo Catho, especializado em recursos humanos, mostra que 25,36% dos executivos não se mudaria “por dinheiro nenhum” para a capital paulista; os escritórios cariocas são rejeitados por 20% dos entrevistados; percentual próximo – 18,45% – não iria para as imediações da Savassi. Os cariocas implicam com os paulistas: 29,17% dos moradores do Rio de Janeiro não se mudariam para São Paulo por dinheiro nenhum. A cidade menos rejeitada é Curitiba – 2,25%; a seguir vêm Porto Alegre (6,32%) e Salvador (8%).
As capitais de estados da Amazônia também não são bem vistas: 12,33% dos executivos ouvidos na pesquisa recusariam propostas milionárias se tivessem que ir para Manaus e 13,68% ficariam longe de São Luiz.

Aumento maior
A Catho apurou que 83,93% dos executivos aceitariam mudar para longe de sua atual residência para aceitar um novo emprego, com todas as despesas de mudança pagas. Mas para ir para São Paulo exigiriam aumento de 112,56% e para o Rio pediriam mais 92,47%. Manaus também é encarada como um Eudorado: para ir para a capital do Amazonas os executivos entrevistados pediriam, em média, 105,64%. Para São Luiz, mais 97,14%. Novamente as cidades do Sul são as preferidas: um aumento de cerca de 48% bastaria para que um executivo saísse de sua casa e se mudasse para Curitiba ou Porto Alegre.
Moradores da Região Sul possuem altas restrições para mudanças. Exigiriam 141,19% de aumento para mudarem-se para São Paulo e 31,81% não aceitaria mudar por dinheiro nenhum.

Presidente sofre
A pesquisa do Grupo Catho revela que 31,98%  dos executivos já precisaram mudar de residência para uma outra cidade por causa do empregador. Homens são mais propensos ao risco de uma mudança:  35,84% dos homens já precisaram mudar para uma outra cidade por causa do empregador, versus 12,70% das mulheres. Quanto mais alto o cargo, maiores as chances de uma nova vida em outra cidade: o número mediano de mudanças de cidade por causa do empregador é de 1,84 vezes; para quem ocupa a cadeira de presidente esse número salta para 2,76; diretor, 2,44; gerente fica na média (1,87); supervisor 1,62; e profissional especializado 1,22.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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