Margem equatorial e desenvolvimento regional

Em vez de disputa, parceria para países da região da Margem Equatorial darem um salto muito além do extrativismo

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mapa da margem equatorial
Margem Equatorial brasileira (mapa elaborado pela Petrobras)

Na coluna anterior, falamos sobre a disputa Guiana-Venezuela na região de Essequibo e como a atuação da Petrobras na Margem Equatorial poderia ser um fator de equilíbrio na região.

Mas a exploração de petróleo deveria ser apenas o início de um grande projeto de desenvolvimento regional, como defendeu Dennis Small, da EIR, no artigo “Snatching Development from the Jaws of War” (algo como “Tirando o desenvolvimento das garras da guerra”).

“As receitas provenientes das receitas petrolíferas combinadas, mesmo em áreas disputadas, seriam reinvestidas numa série de grandes projetos de infraestrutura que são também de natureza multinacional.” Small destaca 3 grandes áreas que considera decisivas para aproveitar o potencial da Margem Equatorial:

  1. Corredores ferroviários de alta velocidade, construídos ao longo de toda a costa norte da América do Sul, conectando Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela – e seguindo de lá para Colômbia, através do Desfiladeiro de Darién, e para a região da América Central e México.
  2. Desenvolvimento da força de trabalho em países cujas economias são hoje em grande parte extrativistas, alcançado através de uma série de projetos, como desenvolvimento de processamento de metais, permitindo exportação com valor adicionado – tais como a transformação de bauxita em alumina e depois em alumínio. Com o tempo, seriam desenvolvidas atividades industriais mais avançadas de metalurgia e metalurgia, juntamente com mão de obra nacional qualificada necessária para apoiar essas atividades.
  3. Área espacial, com lançamentos coordenados e outras atividades científicas espaciais nos dois locais de lançamento existentes mais próximos do Equador do que qualquer outro no planeta: a sede da Agência Espacial Europeia em Kourou (Guiana Francesa), e a base da Agência Espacial Brasileira em Alcântara (Brasil). Estes devem impulsionar a ciência, atraindo a força de trabalho de toda a região.

Dennis Small destaca que os recursos viriam da exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma das áreas mais promissoras do mundo, e também de financiamentos que poderiam ser obtidos no Banco dos Brics (Novo Banco de Desenvolvimento, NDB). A região é integrada pelo Brasil, membro-fundador dos Brics, pela Venezuela, candidata a integrar o bloco numa próxima ampliação.

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Além disso, a região é de importância geopolítica para a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), que tem na China – outra fundadora dos Brics – sua principal impulsionadora.

Ondes estão as ONGs na Margem Equatorial fora do Brasil?

A exploração de petróleo na Margem Equatorial não passa apenas pela transformação do conflito Guiana-Venezuela em uma parceria produtiva para ambos. Depende também da presença da Petrobras.

A atuação do Brasil na região vem sendo obstruída por 80 ONGs ditas verdes e pelo próprio Ministério do Meio Ambiente.

Enquanto isso, a norte-americana Exxon e outras petroleiras multinacionais ampliam a presença na Margem Equatorial sem que se encontre, na imprensa mundial, reações dessas ONGs.

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