Marta “fashion”

Após pedir doações a empresários e à população, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), pretende conseguir recursos para o município vendendo camisetas. A idéia foi divulgada durante visita ao São Paulo Fashion Week e ainda depende de parcerias que estão sendo discutidas pela prefeitura. Pela idéia de Marta, a venda de camisetas seria feita em lojas de grifes. Cada marca idealizaria sua versão de camiseta e doaria parte do dinheiro obtido com a venda do produto à prefeitura. A prefeitura usaria o recurso nas administrações regionais, no bairro em que a empresa que fez a doação está instalada. “As administrações regionais têm de tapar buracos. A gente está conseguindo pôr poucas equipes para tapar buracos. Mas, de repente, a gente consegue vender um bom número de camisetas”, disse a prefeita sobre sua idéia. Mas admitiu: “Isso não vai solucionar o problema de falta de recursos para São Paulo, mas cria uma solidariedade bacana na nossa cidade”.
Descamisados
Além da moda, a Prefeitura de São Paulo busca recursos de forma mais convencional. A demissão de funcionários fantasmas vai gerar neste ano uma economia de cerca de R$ 70 milhões na folha de pagamento, segundo dado parcial divulgado pelo secretário das Finanças, João Sayad. O valor é suficiente para complementar a renda de cerca de 60 mil famílias carentes no Programa de Renda Mínima.

Estabilidade
O liquidante do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj) demitiu 14 dirigentes sindicais. O Sindicato dos Bancários fala em arbitrariedades e diz que pelo menos uma já foi reparada judicialmente.

Taxi
Pesquisa feita pela revista CartaCapital com líderes empresariais sobre as tendências das aplicações em 2001 revela que, apesar de comandarem poderosos conglomerados e terem acesso a variados meios de informação e a assessorias especializadas, a maioria dos empresários se comporta de maneira não muito diferente do já folclórico motorista de taxi que, após o dólar ter batido recordes de valorização, pergunta se é hora de comprar a moeda norte-americana. A sondagem – que ouviu 91 peso-pesados, como Jorge Gerdau, Cláudio Bardella e Emilio Odebrecht – mostra que 11,1% acreditam em alta expressiva e 70% em elevação moderada das ações em 2001. Em 1999, antes do verdadeiro boom que fez disparar os preços na Nasdaq, apenas 4% previam um aumento expressivo. Já em 2000, nada menos que 25% esperavam euforia no mercado acionário e outros 70% acreditavam em alta moderada – apenas cerca de 5% dos entrevistados falaram em estabilidade ou queda nas cotações. O que se viu ao final do ano passado foi o fim do delírio na Nasdaq, carregando para baixo as demais bolsas mundo afora.

CPF
A Receita Federal está enviando, para quem recadastrou, um cartão magnético – semelhante a um cartão de crédito – que substitui o tradicional CPF. Só que tem um problema. O cartão magnético é frágil e pode ser danificado facilmente. Muitos contribuintes serão obrigados a pedir uma segunda via do CPF. Será que o cartão magnético tem alguma outra utilidade além de garantir o faturamento das empresas fabricantes de tais produtos?

Quem paga
Alguém poderia explicar por que os Correios são obrigados a pagar propaganda do Ministério das Comunicações enaltecendo a telefonia celular. Os Correios nada devem ganhar com o aumento do número de celulares no país – ao contrário, podem perder movimento. Pior é fazer propaganda para uma empresa particular. No anúncio aparece, de forma nada disfarçada, o nome da Telesp.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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