Material de construção tem grande crescimento mesmo com pandemia

Intenção de investir da construção atinge ponto mais alto desde 2014; dados da CNI revelam recuperação do setor.

O setor de varejo de material de construção foi um dos que menos sentiram os impactos da crise gerada pela pandemia. O crescimento de faturamento do setor em 2020 em comparação ao ano de 2019 foi de 11%, atingindo o valor de R$ 150,55 bilhões de movimentação, segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Mesmo depois de um início de pandemia assustador, no qual as lojas tiveram que fechar as portas, com a abertura gradual o que se observou foi uma rápida retomada nas vendas, apresentando um crescimento maior do que nos últimos anos. Isso ocorreu por diversos fatores, dentre os quais o fato de as pessoas ficarem em casa e olharem mais para as necessidades de reformas”, analisa o presidente da Federação Brasileira de Redes Associativistas de Materiais de Construção (Febramat), Paulo Roberto dos Santos Machado.

As projeções para este ano são também bastante positivas, com as expectativas de que as lojas da Febramat saltem de um faturamento de R$ 3,8 bilhões em 2020 para uma projeção de R$ 4,2 bilhões em 2021. Já a projeção de crescimento em compras para 2021 é de 39,5%.

Já a Sondagem da Construção mostra recuperação do setor. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela avanço pelo segundo mês consecutivo da atividade, emprego com tendência de recuperação e capacidade operacional no ponto mais alto desde 2014, refletindo o melhor desempenho do setor. Nesse cenário, o Índice de Confiança da Empresa Industrial (Icei) atingiu o maior patamar de 2021; além disso, também houve um aumento significativo na intenção de investir em agosto. O indicador de intenção de investir registrou o maior valor desde 2014, aproximando-se da linha divisória de 50 pontos.

Pelo segundo mês consecutivo, após um primeiro semestre marcado por recuos, o desempenho da indústria da construção foi positivo, com 51 pontos numa escala de 0 a 100. Ou seja, a atividade ficou um ponto acima da linha de corte (50 pontos), o que indica crescimento na comparação com o mês anterior. O nível de emprego ficou em 50 pontos, caracterizando estabilidade em relação a junho.

Diante do cenário positivo, o Icei-Construção aumentou 1,9 ponto em relação a julho, atingindo 59,7 pontos. É o maior índice registrado em 2021, o que indica confiança intensa e disseminada no setor. O otimismo vem crescendo desde agosto de 2020. Neste período, o índice acumulou alta de 5,7 pontos, sempre acima da linha de corte (50 pontos). Movimento também significativo foi constatado no Índice de Condições Atuais, que cresceu em 2,3 pontos em relação a julho, atingindo 52,4 pontos em agosto. O avanço foi influenciado principalmente pela melhor avaliação das condições da economia brasileira, que passou de 47,6 pontos em julho para 51,3 em agosto, ou seja, saiu de uma avaliação de piora das condições correntes para uma de melhora. O índice de condições atuais das empresas cresceu de 51,2 pontos em julho para 53,1 em agosto.

O otimismo é crescente em todos os indicadores analisados em agosto na comparação com o mês anterior. O índice de expectativas para o nível de atividade dos próximos seis meses aumentou em 2,2 pontos em relação a julho, atingindo 57,7 pontos. Quanto aos novos empreendimentos, o aumento do índice de expectativas foi de 1,7 ponto, registrando 56,3 pontos. O índice de expectativa de compras de insumos e matérias-primas mostrou avanço de 2,1 pontos em relação a julho, enquanto o índice de expectativas do número de empregados para os próximos seis meses foi de 54,4 pontos em agosto, um aumento de 1,3 ponto no mês. Puxado pelo otimismo, o índice de intenção de investir da indústria da construção encontra-se no ponto mais alto desde 2014. O aumento na comparação com julho foi de 3,5 pontos, alcançando 45,4 pontos. Em relação a agosto de 2020, a alta foi ainda mais expressiva, de 5,9 pontos.

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