Mau humor com avanço do Covid na Europa e decisão do Copom no Brasil

Bolsas globais em forte queda nesta manhã; contínua elevação do número de casos de Covid-19 na Europa preocupa mercados.

Opinião do Analista / 12:57 - 28 de out de 2020

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O que pode impactar o mercado hoje - O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, a terceira consecutiva do índice desde que ele bateu 102 mil pontos na última quinta-feira, puxado pelo mau humor no exterior. Já as taxas futuras de juros fecharam o dia de ontem em alta, seguindo ainda os receios com relação ao risco fiscal no Brasil, na falta de avanços do lado político. DI janeiro de 2021 fechou em 1,96%; DI janeiro de 2023 encerrou em 4,99%; DI janeiro de 2025 foi ara 6,7%; e DI janeiro de 2027 fechou em 7,54%.

Mercados globais em forte queda nesta manhã. A contínua elevação do número de casos de Covid-19 na Europa (-2%) segue preocupando os mercados sobre a recuperação econômica do continente no quarto trimestre, e governos consideram medidas mais restritivas. A expectativa é de alguma reação do Banco Central Europeu no discurso desta quinta-feira por mais estímulos monetários.

Já nos EUA, a aversão ao risco chega também forte (-1,3%), com 6 dias para as eleições e a alguns bilhões de dólares de distância de um novo pacote de estímulos. No cenário eleitoral, os candidatos fazem eventos de campanha nos "swing states"e consolidam suas mensagens. Nessa reta final, as pesquisas mostram acirramento em estados chave, como Pennsylvania e Arizona. No entanto, Joe Biden retém vantagem e continua sendo o favorito. Segundo os principais agregadores, o democrata hoje tem vantagem de 7,1% (RCP) - 9,2% (538) nas pesquisas nacionais. Destacamos ainda que, diante do fato de que o número de pessoas que votaram antecipadamente chega a mais da metade do número total de eleitores de 2016, o turnout promete ser histórico.

No Brasil, o noticiário volta a destacar a alta na inflação vista recentemente. Matéria do jornal "Valor Econômico" destaca que a alta não está apenas nos preços de alimentos e já se estende para o início de 2021. Já reportagem no jornal "Estado de São Paulo" destaca que a composição da cesta mais cara afeta principalmente o poder de compra das famílias mais pobres. E por último, matéria do jornal "O Globo" expõem os itens de alimentos que tiveram as maiores altas no período.

Na agenda econômica do dia, atenções voltadas para a decisão do Copom às 18h. Expectativa de manutenção da taxa Selic em 2,00% a.a. e de exposição no comunicado sobre os próximos passos sobre a política monetária.

Enquanto isso, na política, Rodrigo Maia pressiona pela suspensão do recesso parlamentar em janeiro para avançar nas votações da PEC Emergencial e do orçamento de 2021. No entanto, a disputa pela sucessão da Câmara é um obstáculo para esse objetivo. Sobre a reforma administrativa, Maia diz que vai apensar proposta a outra mais adiantada para agilizar a tramitação e driblar o fato e não ter sido instalada ainda a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, sem a qual a proposta não tem como avançar. No entanto, é consenso que o tema ficará para 2021.

Ainda no cenário político, o relator da PEC Emergencial, senador Márcio Bittar, defendeu a tese de que o Renda Brasil precisa ser resolvido ainda neste ano, depois de reunião com o ministro Paulo Guedes em que foram discutidas novas possibilidades. O programa deve constar em seu relatório, mesmo que seja apenas como um conceito geral. Nenhuma novidade sobre o tema na fala do senador, o que era esperado diante da postura mais cautelosa adotada após polêmicas recentes.

Do lado das empresas, retomamos a cobertura dos shopping centers brasileiros: Iguatemi (IGTA3; Preço-alvo de R$ 41,0/ação) e Multiplan (MULT3; Preço-alvo de R$ 25,0/ação) com recomendação de compra e BrMalls (BRML3; Preço-alvo de R$ 10,7/ação) com recomendação neutra. Apesar dos resultados amplamente impactados pela covid-19, vemos as ações dos shoppings negociando em patamares atraentes. Temos preferência pelas companhias com portfólio de shoppings sólidos e dominantes, pois acreditamos que elas tendem a se recuperar mais rapidamente do que a média do setor em um cenário pós-pandemia. Para mais detalhes, confira nosso relatório publicado.

Finalmente, ontem houve a divulgação de resultados de Raia Drogasil, vendas de Carrefour, Santander e Cielo referentes ao terceiro trimestre de 2020 (3T20). Os resultados de RD vieram em linha com nossas estimativas e esperamos uma reação positiva do mercado por conta da aceleração do ritmo de vendas tanto nas lojas físicas quanto no canal online. Carrefour também divulgou um sólido desempenho de vendas no trimestre com um crescimento de +29,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e 4,2% acima da nossa estimativa, por conta de um crescimento recorde de +26% A/A no conceito mesmas lojas (contra nossa estimativa em 21% A/A). Mantemos nossa recomendação de Neutro para ambos os papeis.

Já o Santander reportou um lucro de R$ 3,9 bilhões e um ROE nível pré-pandemia de 21% no trimestre devido a provisões abaixo do esperado. Embora consideremos as provisões ainda não normalizadas, temos agora mais visibilidade de uma possível redução sequencial dos níveis de provisionamento para os bancos incumbentes, o que deve aumentar o potencial para os bancos brasileiros e possíveis reavaliações de múltiplos. Por fim, Cielo apresentou forte recuperação quando comparada ao prejuízo no segundo trimestre, ajudado pela recuperação econômica e aumento de volumes, mas ainda 55% inferior ao mesmo período do ano anterior. Por fim, mantemos recomendação de neutro para ambos os papeis.

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