Theresa May deixa oficialmente hoje a liderança do Partido Conservador e continuará no cargo de primeira-ministra do Reino Unido somente até que um sucessor seja eleito, o que deve acontecer até o fim de julho.
As avaliações da mídia e de consultorias sobre o fim do mandato de May são extremamente negativas. Depois de 2002, May era vista como uma espécie de reformadora, disposta a livrar os conservadores da imagem de reacionarismo tacanho e de partido fixado no enriquecimento dos ricos e na manutenção do poder da classe alta inglesa.
Quando então assumiu a chefia de governo em 2016, o discurso de May alimentou essa esperança, ao apontar injustiças e manifestar o desejo de que o Reino Unido seja um país governado para o bem de todos.
O que May parece ter subestimado inteiramente foi o puro poder destrutivo do Brexit. Para manter sua base de poder no partido, ela se curvou desde cedo às exigências dos linhas-duras antieuropeus. Com isso, a premiê britânica esquecia que só estava defendendo a opinião de uma minoria do país e do Parlamento. Durante quase dois anos ela desperdiçou a oportunidade de explorar as possibilidades de acordos com a oposição trabalhista ou com o Partido Nacional Escocês (SNP), só começando a fazer isso no segundo trimestre de 2019, quando já era tarde demais.
O triste final é conhecido. Ao fim de seu mandato, May teve que reconhecer que fracassou. A melhor avaliação que recebeu foi que tinha "se esforçado muito"; nenhuma corajosa reforma social, nenhuma iniciativa legislativa de futuro leva o nome dela, e o Brexit ficará para seu sucessor.
Ontem, o presidente russo, Vladimir Putin, havia dito esperar que o próximo primeiro-ministro do Reino Unido esqueça o envenenamento de um ex-agente duplo na Inglaterra no ano passado para melhorar as desgastadas relações entre os dois países.
O envenenamento de Sergei Skripal e de sua filha Yulia, em Salisbury, com um agente nervoso levou a uma onda de expulsões diplomáticas e reprimendas. O episódio empurrou os laços entre Londres e Moscou para o pior estado desde o fim da Guerra Fria.
Procuradores britânicos desde então acusaram formalmente dois oficias de inteligência militar russa, conhecidos pelos pseudônimos de Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, de tentativa de homicídio, na ausência dos dois, embora o Kremlin tenha repetidamente negado envolvimento russo.
Ao falar à imprensa nos bastidores de um fórum econômico em São Petersburgo, Putin disse esperar que quem quer que seja o sucessor de Theresa May no cargo de primeiro-ministro enxergue o que ele descreveu como uma visão mais ampla e supere o incidente de Skripal.
May deve sair do cargo em breve após fracassar em convencer o parlamento a apoiar o acordo para a retirada do Reino Unido da União Europeia. O Partido Conservador, do governo britânico, está no processo de escolha de seu sucessor.
"Quando tudo for dito e feito, precisaremos virar essa página relacionada a espiões e tentativas de assassinato", disse Putin.
O presidente russo descreveu Sergei Skripal, um ex-coronel da inteligência do exército russo que traiu dezenas de agentes ao trabalhar para o serviço secreto britânico MI6, como um espião de Londres.
Com informações da Agência Brasil
















