Meca

Considerada a maior ameaça pelos calçadistas brasileiros, a China não compete com o Brasil apenas por mercados, mas também por mão-de-obra. Muitos dos profissionais brasileiros altamente qualificados demitidos aqui estão sendo contratados pelos chineses, revelaram industriais do setor à Agência Câmara, durante audiência no Congresso quarta-feira. José Antônio Mônaco, um dos 2 mil calçadistas gaúchos que viajaram 36 horas de ônibus até Brasília, contou que a filha e o cunhado foram contratados por uma empresa chinesa e já conseguiram guardar dinheiro e comprar bens.

Negócios digitais
A discussão sobre a TV digital mereceu duras críticas de Marcos Dantas, professor da PUC do Rio e que acaba de deixar o conselho da Anatel: “Chegamos, a este início de 2006, podendo mostrar à sociedade brasileira que nossas universidades e centros de pesquisa são capazes de pesquisar e desenvolver um sistema autóctone de televisão digital. Mal consigo crer que o governo, quando podia colher as glórias desse resultado extraordinário, possa estar sendo induzido a se desfazer de todo o trabalho já feito e a optar por soluções exógenas, em nome de uma pressa discutível. Não é tecnologia que estamos discutindo. Sob o véu da escolha de “padrões”, escondem-se disputas acesas a respeito do modelo de negócios que mais atende a diferentes interesses econômicos, disputas que também influenciarão os rumos da democratização da produção de conteúdos e do desenvolvimento industrial e tecnológico do país”, criticou, em seu discurso de despedida.
“As decisões a serem tomadas dirão, por um lado, se o nosso país seguirá, ou não, sendo centro de uma forte indústria audiovisual televisiva, de alta qualidade técnica, necessária à afirmação de nossa identidade nacional, à geração de milhares de empregos qualificados, ao fomento das vendas e dos negócios, e, não menos importante, à manutenção de saldos na balança comercial, além de levar a imagem do Brasil ao exterior, por exportar serviços e programas”, conclui Dantas.

Direito
O juiz federal Alberto Nogueira Júnior lança, dia 18, Segurança – nacional, pública e nuclear – e o direito à informação. O evento ocorrerá às 17h30m, no prédio da Justiça Federal no Rio de Janeiro.

Rochas que navegam
O setor de setor de rochas ornamentais, que movimentou cerca de US$ 2 bilhões, em 2005, com a comercialização de pedras, máquinas e equipamentos, pretende cavar novas oportunidades recorrendo à ferramenta da Internet. Na China, maior produtor mundial de rochas ornamentais, por exemplo, 32% dos negócios do setor têm a rede mundial como ponto de partida. Uma parceria entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia e a USP, o projeto E-mine pretende ajudar o país a sair da quase estagnação nessa área, estimulando o uso do comércio eletrônico pelo setor mineral, começando pelo segmento de rochas ornamentais.

Esquinas de Brasília
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal realizou, quarta-feira, ato no estacionamento da UniCeub, em Brasília, em protesto contra a censura sofrida pelo jornal-laboratório Esquina. Segundo o sindicato, o jornal dos alunos foi censurado pela reitoria da universidade por publicar matéria sobre o ex-governador do DF Joaquim Roriz (PMDB). “Trata-se de péssimo exemplo que essa universidade dá a seus alunos e à sociedade. Que liberdade de expressão defendem esses senhores proprietários do UniCeub? Que liberdade de imprensa existe no Distrito Federal? É preciso respeitar as opiniões divergentes e o direito à comunicação”, cobrou o sindicato.

Armadilha
O projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 283, cujo relator é o deputado José Pimentel (PT-CE), guarda uma armadilha para o trabalhador brasileiro, denuncia a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras e Usuários de Vale-Transporte (Abravale). O texto determina que o empregador arque com apenas 6% do valor gasto pelo trabalhador para o deslocamento ao trabalho. Ou seja, exatamente o inverso do que acontece hoje: o empregado entra com 6% do valor do vale-transporte e o empregador com 94%.
Segundo pesquisas, um trabalhador gasta, em média, em transporte R$ 150 por mês. Se ganha, por exemplo, R$ 500, desembolsa em transporte R$ 30 (6% do valor). Se o projeto de lei for aprovado, passará a pagar R$ 120, ou quase 25% de sua renda.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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