Mediocridade premiada

Comemorado pelo governo como testemunho do êxito da política econômica, o crescimento do Brasil ano passado, de 5,2%, deixa o país num incômodo nono lugar numa lista de 11 nações em desenvolvimento, à frente apenas de África do Sul e México, segundo levantamento do economista André Lacerda, assessor parlamentar do PSDB. Na média, ainda segundo números preliminares, o crescimento dos países em desenvolvimento é de 6,5%, ou 1,3 ponto percentual superior ao do palocciano. Na América do Sul, Venezuela (18%), Uruguai (12%) e Argentina (8,8%) avançaram 3,4 vezes mais, 2,3 vezes mais e 1,6 vez mais que o Brasil de Lula e Palocci, ano passado.

Lanterninha
Registre-se ainda que, a exemplo da inflação que caiu em todo o mundo nos últimos dez anos, não apenas no Brasil tucano, o crescimento de 5,2% do país não foi fenômeno isolado nem fruto da engenhosidade petista. Ano passado, a economia mundial, que teve crescimento médio de 5%, viveu seu melhor momento desde 1979. Países em desenvolvimento obedientes ou não ao FMI tiveram crescimento bem mais musculoso, como China (9,5%), Rússia (7,3%), Turquia (7%), Malásia (6,5%) e Índia (6,4%).

Roto & esfarrapado
Se em 2004, o Brasil petista ficou bem atrás de nações com menos vantagens comparativas que as nossas, em 2003 o incremento de 0,5 ponto deixou-nos em situação humilhante em relação aos países em desenvolvimento. Esse ranking foi encabeçado pela China (9,1%), seguida por Argentina (8,8%), Rússia (7,3%), Malásia (4,2%), Tailândia (4,2%), Austrália (4%), Indonésia (3,5%), Coréia do Sul (2,5%) e México (1,3%).
Na média de seus dois primeiros anos, o governo Lula mantém o país na segunda divisão a que foi levado pelo longo período FH. O crescimento médio é de meros 2,82%, contra pouco mais de 8% da Argentina, por exemplo. Se serve de consolo, o crescimento médio petista supera a média de 2,3% dos oito anos do tucanato. Mas, como reafirmaram os 64% dos brasileiros que não votaram em nem um nem outro nas últimas eleições, o Brasil não se limita a PT e PSDB.

Buraco
O Índice dos Gerentes de Compras do Comércio Varejista na Zona Euro elaborado pela Bloomberg mostra que as vendas de mês sobre mês do comércio europeu continuaram a apresentar queda em fevereiro, assim como os lucros. Foi um festival de descontos e promoções para tentar revigorar as vendas. Os preços médios de compra no setor em fevereiro apresentaram o índice mais alto dos últimos sete meses (55,7).

Carniça carioca
Pelo menos uma pessoa declara-se satisfeita com a crise na saúde que vitima os cariocas que dependem do serviço público. Em entrevista, no fim de semana, ao programa Deles&Delas, o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia, filho do prefeito Cesar Maia, declarou que “a crise é boa”: “A crise é boa, porque vai expor a situação da saúde.” Como a afirmativa foi feita mais de uma vez, falta perguntar: boa para quem, cara pálida?

Mais seis
A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro conta hoje cerca de 1 milhão de processos em andamento. O presidente do TRT/RJ, Nélson Thomaz Braga, defendeu aumento do número de funcionários para suportar a demanda em alta desde a Emenda Constitucional 45/2004, em que os TRTs passarão a julgar todos os conflitos oriundos das relações de trabalho, incluindo, por exemplo, litígios de profissionais liberais e terceirizados e disputas sindicais. Thomaz Braga disse que cada vara trabalha com dez funcionários, quando o ideal seriam 16.

Lenha
O IRB-Brasil Re ajustou a taxa de juros aplicadas no parcelamento do prêmio do resseguro. Para os contratos com início em março, a resseguradora estabeleceu taxa de 1,44%, que está 0,03 ponto acima do percentual estabelecido para os negócios iniciados em fevereiro. Desde o início do ano, a taxa já subiu 0,06 ponto percentual, ao embalo do aumento da taxa de juros básica da economia (Selic). Parece pouco, mas em um mercado de valores com mais de seis dígitos, significa um impacto alto e elevação dos preços para o consumidor de seguros brasileiro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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