Medo do passado

O economista Márco Naranjo Chiriboga, do Banco Central do Equador, afirmou que o país não possui reservas cambiais: “Nossos dólares foram entregues ao povo quando houve a dolarização, em troca de seus sucres”.
“Antes de o país decidir pela dolarização, nossa moeda (sucre) havia desvalorizado 73.000%, a inflação atingia 4.000%”, comentou. De acordo com Chiriboga, a população equatoriana teme que a criação de uma nova moeda nacional, medida que permitira ao país, entre outras coisas, ter política cambial, traga de volta ao Equador tais índices. “Não há credibilidade para fazê-lo, 83% da população acreditam que com o fim da dolarização o país voltará à enfrentar os problemas do passado”, ressaltou.

Medo do presente
Chiriboga, que esteve em Curitiba, durante o seminário “Crise: Rumos e Verdades”, organizado pelo Governo do Paraná, disse que o Equador está de mãos atadas frente à dolarização de sua economia. Ele propôs que os países da América do Sul com os quais seu país têm relações comerciais deveriam criar uma moeda de troca. “Não tem cabimento tirarmos nossos dólares da circulação interna para pagar o que compramos da Venezuela, do Brasil”, comentou.

Solidariedade
Segundo o economista, em 2007, 60% das exportações do Equador (US$ 14 bilhões) foram para os EUA e a União Européia, enquanto 50% das importações (total de US$ 12 bilhões) são provenientes de países da América do Sul. “Após termos o primeiro governo realmente popular em nosso país, precisamos da solidariedade de nossos vizinhos”, ressaltou Márco Chiriboga.

O ano que acabou
Um conhecido desta coluna foi a um consultório dentário na Zona Sul do Rio de Janeiro com consulta previamente agendada. Ao chegar lá, estranhou a ausência de alguém na recepção, mas um jovem informou que o pai já ia atender. Após cinco minutos, o cliente dirigiu-se a sala de atendimento e reparou que, sentado numa cadeira de praia, o dentista… cochilava.

Até 2009
Surpreendido em plena sesta, o dentista ainda esboçou uma promessa de atendimento para “daqui a pouco”. Após alguns minutos de abandono na recepção, no entanto, o ex-cliente resolveu ir embora para casa. Afinal, por que atrapalhar o sono dos outros no trabalho.

Sem terra: fila de 60 mil
Na mesma linha, em 1º de dezembro, foi a vez da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgar antecipadamente o relatório Situação e Perspectivas da Economia Mundial 2009, o qual prevê uma drástica redução do crescimento econômico mundial, para não mais que 1% no próximo ano. “A maioria das economias desenvolvidas entrou em recessão durante o segundo semestre de 2008 e a desaceleração econômica se espalhou aos países em desenvolvimento e às economias em transição”, diz o relatório (Reuters, 1º./12/2008).
Em tom de urgência, o documento também pede o estabelecimento coordenado de pacotes de estímulo econômico, para limitar o impacto da desaceleração das economias ocidentais sobre os países mais pobres. Ainda assim, reconhece que o quadro é sombrio: “Um estímulo fiscal coordenado em grande escala entre as economias principais desviaria o pior da crise, mas… não evitaria uma desaceleração significativa da economia global em 2009.”
O relatório pede também uma maior regulamentação dos mercados financeiros e dispara mais uma seta contra a ideologia “rentista-mercadista” que está na raiz da crise: “O fato de que analistas e formuladores de políticas estejam agora manifestando espanto com a extensão da crise sugere não apenas uma vasta subestimação das causas fundamentais da crise, mas também uma fé infundada na capacidade de auto-regulação dos mercados financeiros descontrolados.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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