Meirellices

Na ausência de frutos robustos da política econômica que se estende por duas décadas e meia, há que fabricar mitos. Um dos mais recorrentes sustenta que o Brasil não só zerou sua dívida externa, como tornou-se credor líquido em dólar. Com a divulgação dos últimos números do Brasil sobre as contas externas, os propagadores dessa tese precisam, então, explicar por que o país vai, segundo projeções do próprio BC, torrar, este ano, US$ 9,5 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) com juros sobre… a dívida externa. Quer dizer que, não satisfeito em sumir com a dívida, o país continua a pagar juros sobre o que já liquidou?

Lixo sopesado
“Em 1° de janeiro, no, digamos, açodado Decreto 30.341, a Prefeitura do Rio desconstituía a empresa vencedora da licitação para o novo aterro sanitário. Afirmava que “há diversos aspectos formais e materiais de interesse público que não foram devidamente sopesados na licitação”.” A informação é do ex-prefeito Cesar Maia, que continua: “Mas, no Diário Oficial de hoje (sexta) publica o Decreto 36.163, que diz simplesmente: “Revoga o Decreto 30.341, de 1º de janeiro de 2009″.”

Novo nicho
Principal destino da cerâmica brasileira para revestimento, os EUA reduziram seus volumes de compra com a crise que solapou o mercado imobiliário, principalmente o residencial, que responde pela maior parte da exportação das fábricas do Brasil. Nos últimos 12 meses, os norte-americanos importaram 14.216 milhões de m², gerando mais de US$ 74 milhões em negócios. Os fabricantes de cerâmica buscam mercado no segmento de construções comerciais, menos vulnerável à crise.

Antípodas
O golpe deflagrado em Honduras e a resistência a ele empreendida por largos setores do povo hondurenho e da comunidade internacional tiveram importante efeito colateral: rasgar a fantasia de democratas que, se registre, com imenso incômodo, vestia os conservadores tupiniquins, em particular, os alojados na mídia local.
Para além da importância estratégica residual daquele país da América Central, o episódio reafirma o antagonismo entre neoliberalismo e democracia. Sendo sistema que favorece apenas meia dúzia de parasitas e especuladores, o neoliberalismo, quando não consegue desqualificar seus adversários por seus instrumentos de propaganda, trata de apeá-los do poder, se preciso for, com arma na cara quando estão de pijama. Para, em seguida, segundo o manual de redação de algumas organizações de mídia, ser erigido à condição de “governo de fato”.

Honduras fora da pauta
Hiperativa em seus protestos contra governos que identifica como inimigos dos seus associados, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) é de um silêncio sepulcral em relação aos ataque à imprensa hondurenha, como a Rádio Global local, o Canal 36 e a Radio TV Maya, que insistem em denunciar a quartelada perpetrada naquele país. Em sua página na Internet (www.sipiapa.org/espanol/pulications/anualrep2000.htm) a SIP lista 14 países sobre os quais aprovou resoluções; nem uma é sobre Honduras.

Muito preocupante
A entidade também apresenta relatórios anuais sobre os países em que tem associados. Nas primeiras linhas sobre Honduras, lê-se que “o jornalismo hondurenho vive uma situação muito preocupante por causa da atuação do Poder Judiciário…”. Ilude-se, porém, quem julgar tratar-se de alguma referência à ação dos golpistas contra a liberdade de informação. Trata-se da condenação por difamação e calúnia do jornalista Arnulfo Aguilar, por sua seguidas denúncias contra o narcotráfico.

Autodefesa
“Pensamento Critíco” é o nome do curso que o Centro de Lógica Júridica e Teórias da Argumentação do Mosteiro de São Bento vai realizar. Ministrado pelo professor Walter Carnielli, o curso tem o objetivo servir de guia para a boa argumentação e, ao mesmo tempo, de instrumento de “autodefesa intelectual”: a habilidade de construir bons argumentos e criticar argumentos defeituosos. Será dia 3 de outubro. Inscrições: [email protected] ou (11) 3328-8791.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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