Melhor idade

Opinião / 13:15 - 3 de out de 2002

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O futuro a Deus pertence, mas uma melhor qualidade de vida podemos plantar hoje para colhermos depois. Afinal, um dos poucos sentimentos que é unanimidade em todos as pessoas, além de saúde, é claro, é a esperança de poder viver uma velhice com dignidade. E essa deve ser a prioridade de todo parlamentar. Todo homem público tem que carregar consigo a obrigação de olhar com carinho para essas pessoas, que tanto já contribuíram para o progresso da nossa sociedade. Muitos os consideram na terceira, mas na verdade, eles estão na melhor idade. A mudança do perfil demográfico mundial aponta para um futuro próximo, um planeta com mais idosos que crianças. Aqui no Brasil também há um processo de mudança. No censo 2000 ficou evidenciado que 8,6% da população brasileira é constituída de idosos. A projeção para 2050 é que os idosos irão representar 22% (52 milhões) dos brasileiros. Em 2025, o Brasil será a sexta maior população de idosos do planeta. Diante desse quadro, tornar-se mais necessário ainda um planejamento sério no que diz respeito à Previdência Social e a assistência à saúde. Lutar com afinco pelos interesses daqueles que dedicaram anos de suas vidas ao trabalho e à sociedade é o mínimo de reconhecimento que as autoridades podem oferecer aos idosos. Acesso ao mercado de trabalho para os que se sintam produtivos, atendimento médico para os que precisam e uma aposentadoria que proporcione a todos o mínimo de dignidade são elementos indispensáveis para esse público. Infelizmente, o que vemos por aí é uma realidade bem diferente. Recentemente, vários abrigos para idosos foram denunciados por maus tratos. Dezenas de velhinhos sem famílias sujeitam-se a viver em más condições por falta de opção, ou melhor, por culpa do total abandono dos nossos governantes. Desamparados por familiares, amigos e pelo Estado, só restam aos idosos rezarem e, em muitos casos, aguardarem a morte. O tratamento que se dá ao idoso é o referencial de uma sociedade. É preciso respeito aos anos de experiência e ao acúmulo de saber, qualificando-os como referência e tradição. Os jovens têm muito o que aprender com eles. Vamos acolher nossos idosos. Noel de Carvalho Deputado estadual (PSB-RJ).

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