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sexta-feira, janeiro 22, 2021

Memória petista

“Milhões de cidadãos que eram isentos do Imposto de Renda passaram a ser tributados e outros tantos sofreram aumento de alíquota efetiva, apenas por terem obtido em negociações a reposição das perdas. Não aceitaremos um ônus maior à classe média, ou um reajuste ínfimo na faixa de isenção, que mantenha o confisco os rendimentos da maior parcela dos trabalhadores.”
Esse verdadeiro libelo contra a tunga dos assalariados de classe média foi produzido pela bancada do PT na Câmara dos Deputados, em nota distribuída em 1º de novembro de 2001, para protestar contra as injustiças do sistema tributário praticado por FH.
Deve-se ao PSDB sua lembrança na mesma semana em que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, produziu a fábula de que, no Brasil – lugar em que a classe média é espécime rara quando se trata de pessoa física pagar imposto de renda – “o IR não é alto nem excessivo”.

Fome americana
Os Estados Unidos importam 75% do vestuário vendido no país. O dado é citado por Francisco Silveira Prado, consultor de comércio internacional da Câmara Americana de Comércio, para ilustrar o que chama de “fome importadora” norte-americana e para conclamar o empresariado brasileiro a ampliar sua participação naquele mercado: “Importar eles precisam, exportar nós queremos, o empresário e o governo precisam então juntar esses dois fatores”, destaca Prado.

Anorexia brasileira
Ainda de acordo com o consultor da Câmara Americana de Comércio, as importações mundiais do Estados Unidos equivalem a três produtos internos brutos (PIBs) brasileiros. Ele salienta, entretanto, que o Brasil representa uma fatia insignificante das compras externas norte-americanas, o que atribui, entre outros problemas, “à falta de uma cultura exportadora aqui dentro”: “Os exportadores brasileiros pecam pela falta de conhecimento do mercado norte-americano”, salienta.

Regime nacional
E, pode-se acrescentar, esbarram no acirrado protecionismo da terra de Bush quando se trata de setores em que o país é mais competitivo que os produtores (e eleitores) locais, principalmente produtos agrícolas. Além disso, apesar de badaladas, o agronegócio representa apenas 8% dos negócios com os EUA. O grande problema é  a grande concentração das nossas exportações, que se concentram em apenas oito setores, com poucas empresas e que respondem por 61,3% das vendas totais: aviões (Embraer), combustíveis minerais, maquinária e peças, máquinas elétricas e peças, veículos e peças, calçados, ferro e aço, madeira e artigos de madeira. Ou seja, falta mais produção – e de produtos de maior valor agregado – ao Brasil para ampliar, quantitativa e qualitativamente, os espaços no mercado dos EUA.

Forma e função
Popularizar o design é o objetivo do site DesignBrasil e do Concurso Design de Caráter Social, que serão lançados, nesta segunda-feira, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A cerimônia será realizada às 11h, na sede da CNI, e contará com a presença do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan.

Mãos ao alto
Primeiro banco a quebrar o cartel que mantém o arcaico horário de funcionamento das agências de 10h às 16h (nos grandes centros), o HSBC, que começa a funcionar para o público às 9h, teve uma de suas agências, a de Icaraí, Niterói (RJ), assaltada na última terça-feira. Os ladrões entraram por volta das 9h10m e levaram pouco mais de R$ 60 mil. É o caso de a polícia levar em conta, na sua estratégia contra assaltos a bancos, que nem todos os estabelecimentos seguem o horário cartelizado.

Fuga
Em artigo da edição deste domingo da Folha, o embaixador Rubens Ricupero cita trechos de documento do Bank of International Settlements (BIS),  da Basiléia. “Ao observar que os ganhos provenientes do petróleo mais caro não foram acompanhados, desta vez, pela elevação dos depósitos árabes em dólar no exterior, ao contrário do ocorrido, no passado com os petrodólares”, escreve o ex-ministro de Itamar, o BIS levantou duas suspeitas. “A primeira é que os exportadores de (óleo) cru já estejam diversificando os recursos em euros ou francos suíços para se protegerem de queda precipitada do dólar. A segunda é que desejam pôr-se ao abrigo de possível medida do governo americano para congelar depósitos suspeitos de financiamento a entidades islâmicas.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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