Menos de 30% das empresas na B3 têm auditoria contra greenwashing

63% relataram práticas socioambientais, mas menos de 1/3 das companhias da B3 têm as informações asseguradas

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Greenwashing
Greenwashing (foto Greenwash Guerillas, CC)

Boa parte das empresas brasileiras já relata de forma voluntária as práticas ligadas à agenda ESG (sigla em inglês para governança social, ambiental e corporativa). Segundo o anuário “ESG Disclosure Yearbook Brasil 2024”, elaborado pela agência de classificação de risco de crédito Bells & Bayes Rating Analytics, 63% das 191 companhias listadas no Novo Mercado da B3 (Bolsa de Valores) publicaram algum tipo de relatório de sustentabilidade em 2022. No entanto, apenas 29% tiveram os dados auditados ou assegurados externamente, o que seria um antídoto contra o greenwashing, termo para uma falsa aparência de sustentabilidade.

“Em um contexto no qual os investidores levam cada vez mais em consideração as informações ESG para tomada de decisão na hora de alocar capital, o estudo sugere que a falta de verificação externa, capaz de inibir a propagação de relatos equivocados e a promoção do greenwashing, tende a despontar como desafio a ser superado internamente, principalmente porque, a partir de 2027, a divulgação deve torna-se obrigatória”, afirma Wesley Mendes, principal autor do anuário.

Desde novembro do ano passado, pontua o pesquisador em inovações financeiras, vigora no Brasil a Resolução 59 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), voltada à uniformização da informação de ESG por parte de empresas e fundos, iniciativa pioneira no mundo.

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O levantamento da Bells & Bayes revela ainda que 82% das companhias analisadas informaram não possuir, ou não mencionaram, objetivos específicos voltados à diversidade de participantes na alta administração. Além disso, a pesquisa detectou que em 50% das empresas as mulheres não estão presentes na diretoria; enquanto que no conselho de administração o índice é de 27%.

“A diversidade, entendida como a presença de pessoas tecnicamente habilitadas, com diferentes origens, experiências, habilidades e perspectivas na alta administração, exerce papel fundamental na criação de valor econômico e no impulsionamento da inovação e do desempenho empresarial”, destaca o relatório, que, ao mesmo tempo, identifica nas informações divulgadas por diversas empresas discursos vagos, sem posicionamentos objetivos a respeito do tema.

Na avaliação de Mendes, o cenário deve começar a mudar em breve. “Ao longo dos próximos dois anos, as empresas terão de adequar a novas obrigações impostas pela B3 quanto à composição da administração, adotando critérios de diversidade ao elegerem os membros da sua alta gestão, indicando ao menos uma mulher (considerada qualquer pessoa que se identifique com o gênero feminino) e/ou um membro de comunidade assumida como sub-representada (assim entendido como qualquer pessoa que seja ‘preta’, ‘parda’ ou ‘indígena’, integrante da comunidade LGBTQIA+, ou pessoa com deficiência), para cargos de titulares do conselho de administração ou da diretoria estatutária.”

Outros dados do anuário:

  • 24% das empresas informaram que consideram aspectos ESG na remuneração da alta administração;
  • 32% (61) das companhias não reportam ou não consideram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU);
  • Mais de 70% (135) mencionam considerar aspectos ESG como oportunidades a explorar no plano de negócio;
  • Em termos de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), 52,9% das companhias alegaram monitorar os escopos 1 e 2. Já o escopo 3 aparece como monitorado em 46%.
  • 80% das companhias detalham fatores de risco sociais; em termos de fatores ambientais, a parcela de companhias é de 83%; aspectos climáticos aparecem para 77%. No entanto, uma parcela significativa, aproximadamente 20%, ainda não menciona ou não identifica esses riscos.
  • 70,7% (135) informaram considerar oportunidades ESG em seu plano de negócio, com destaque aos setores de petróleo e gás (90%) e utilidade pública (92%).
  • 64% (132) das companhias seguem GRI (Global Reporting Initiative) em termos de padrões e frameworks para apresentar relatórios de sustentabilidade.
  • Enquanto o ODS – Objetivo de Desenvolvimento Sustentado mais frequente é o ODS8 – Trabalho decente e crescimento econômico, citado por 58% das companhias, o ODS14 – Vida na água é citado por 10% delas;
  • 20% das companhias não informam exposição a riscos de ordem social; em termos de aspectos ambientais, esse percentual é 17%, e 23% para aspectos climáticos. Isto é, em torno de 40 companhias não dedicam atenção a reportar riscos nessa agenda.

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