Mensagens comprometem Boeing em avião que matou 346

Macacos, palhaços e cortes nos custos: assim foi desenvolvido o 737 MAX.

Empresas / 22:38 - 10 de jan de 2020

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Mensagens entregues pela fabricante de aviões Boeing ao Congresso norte-americano mostram as falhas e problemas no desenvolvimento do 737 MAX, modelo de avião que provocou 346 mortes em dois acidentes na Indonésia e na Etiópia, em 2018 e 2019.

“Você colocaria sua família em um simulador MAX? Eu não”, afirma um empregado da Boeing em e-mail a um outro colega, que também responde categoricamente: “Também não”.

Outra mensagem revela que a companhia negligenciou o treinamento dos pilotos que iriam operar a aeronave. A companhia teria obtido junto aos órgãos reguladores que os comandantes que já voaram no modelo anterior, o 737 NG, não precisariam passar por treinamento.

Um ex-funcionário da Boeing ironiza: “Dá para estar longe de um NG durante 30 anos e ainda assim entrar em um MAX? Amo!” As horas em simulador representam alto custo para as empresas no desenvolvimento de aviões.

As revelações são especialmente preocupantes para o Brasil. No ano passado, a Boeing ganhou aval do governo brasileiro para adquirir a Embraer, empresa com histórico de tecnologia de ponta e compromisso com a qualidade das aeronaves que fabrica. Desde o acidente de 2019, os 737 MAX foram retirados de circulação no mundo, gerando prejuízos de US$ 9 bilhões à fabricante.

Outra mensagem de funcionários da companhia norte-americana atacava: “Esse avião foi projetado por um palhaço sob supervisão de macacos”. Talvez a mais taxativa era a que falava: “Ainda não fui perdoado por Deus pelas coisas que escondi no ano passado”.

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