Mercado corre do risco em momento de estresse

Se tem uma coisa que o mercado é previsível é com relação ao seu comportamento em momentos de estresse é aversão ao risco. “Nessa hora, a ordem costuma ser o ‘bater e correr’, para depois ver a real extensão do problema”, comentou nesta sexta-feira o economista Alexsandro Nishimura, head de conteúdo e sócio da BRA.
“Com o temor global de que a nova variante identificada na África do Sul possa provocar novos surtos, com impacto sobre a frágil recuperação econômica, as ordens de venda predominaram e os pregões foram de quedas generalizadas ao redor do mundo”, avaliou.
Nos Estados Unidos, as bolsas tiveram uma operação mais curta nesta sexta-feira (26) devido ao Feriado de Ação de Graças no país. A nova variante do coronavírus, identificada pela primeira vez em Botsuana, no sul da África, conseguiu puxar os índices para baixo.
O Dow Jones terminou em queda de 2,53%, aos 34.899 pontos (índice perdeu mais de 1000 pontos no dia), o Nasdaq caiu 2,23%, aos 15.491 pontos, e o S&P 500 fechou em baixa de 2,27%, aos 4.594 pontos. Os três índices tiveram a pior sessão já registrada em uma Black Friday. A Bolsa de Paris encerrou em queda de 4,68%, a de Londres 3,51% e Frankfurt de 3,80%. Em Londres, o preço do barril de petróleo WTI operava em queda de 10,79%.
Na Ásia, os mercados refletiram a tendência e Tóquio fechou em baixa queda de 2,53%. Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve queda de 0,74%, enquanto o índice de Xangai caiu 0,56%.

Brasil

No Brasil, o dólar avançou frente ao real, enquanto o Ibovespa recuava 3,52%, aos 102.090,18 pontos, às 16h49, horário de Brasília, após atingir o menor patamar aos 101 mil pontos. A moeda norte-americana fechou a sessão desta sexta-feira com alta de 0,55%, cotada a R$ 5,596. No acumulado da semana, o dólar caiu 0,25%.
Segundo Nishimura, é cedo para afirmar como a variante vai reagir às vacinas ou como os países vão lidar caso haja novas ondas de contaminação, mas o mercado se antecipa e ativos de risco sofrem pelo mundo. Dada a força do movimento global, os ativos brasileiros também foram fortemente penalizados, com o Ibovespa retrocedendo tudo e mais um pouco do que foi ganho durante a semana.
O economista citou que as ações mais prejudicadas foram, naturalmente, da Gol, Azul e CVC, que lideraram as perdas no Ibovespa. “O temor natural foi de que estas empresas voltem a ser as mais prejudicadas, uma vez que já houve sinalizações de alguns países para restringir voos vindos do sul da África. Mas o movimento de queda foi generalizado, atingindo commodities, bancos e construtoras, por exemplo. Os temores com a variante ofuscaram até mesmo a black friday e a queda dos juros futuros no Brasil, que poderiam dar algum respiro para as ações das varejistas”.
Nishimura disse que as únicas ações que flertaram ou se mantiveram no campo positivo foram as que apresentam alguma resiliência neste cenário de aversão ao risco e alta do dólar. Este foi o caso dos papéis da Suzano e Taesa.
“Quando parecia que teríamos algum respiro, veio uma nova preocupação com a variante sul-africana da Covid-19 e o Ibovespa perdeu todo o tortuoso caminho que havia percorrido durante a semana. Foram três pregões seguidos de alta, mas as perdas de sexta-feira reaproximaram o índice dos 100 mil pontos”.

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