Mercado de gangorra

No cenário local, principal notícia foi que Bolsonaro testou positivo para Covid-19, mas que está bem.

Opinião do Analista / 10:11 - 8 de jul de 2020

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É uma tecla que temos batido faz tempo: os mercados de risco mostram intensa volatilidade nos dias que correm. Mudanças bruscas de tendência intra e entre pregões, alteração de humor dos investidores têm causado essa volatilidade, e notem que não estamos falando só dos mercados acionários, mas envolve também o câmbio e os juros.

Só para exemplificar, a vertente de anteontem para justificar o fortalecimento dos mercados residia na recuperação econômica global. Nesta terça deu-se exatamente o contrário, com investidores preocupados com a nova onda de contágio e mais lenta recuperação das economias. Como preocupação adicional, a inadimplência de empréstimos, citada por Randal Quarles que é membro do Conselho do Fed. Já Thomas Barkin, presidente do Fed regional de Richmond, espera lenta recuperação do mercado de trabalho. O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, declarou que a recuperação pode estagnar com outra onda de Covid-19.

Por trás de tudo isso, a Fitch (agência de classificação de risco) divulgando que a dívida do setor não financeiro americano subiu para nível recorde no final do primeiro trimestre desse ano, atingindo US$ 56 trilhões. Claramente as tensões se ampliam, com bancos centrais e países se preparando para fazer ainda mais em termos de política monetária e fiscal.

Os EUA trabalham em um novo pacote fiscal que deve ser anunciado em breve. Donald Trump e Steven Mnuchin, secretário do Tesouro, têm falado sempre disso, principalmente em redução da carga sobre a folha de pagamentos de empresas. Japão, Reino Unido e França estudam fundo de US$ 20 bilhões para compra de vacinas contra a Covid e o Banco Central Europeu falando do lado positivo que a recessão da Zona do Euro pode ser mais branda que a prevista.

Nos EUA, foi divulgado o relatório Jolts, mostrando a abertura de 5,4 milhões de vagas de trabalho em maio, de anterior em 5 milhões. Mnuchin também confirmou que cinco empresas aéreas pretendem tomar crédito para atravessar a pandemia. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,20%, com o barril cotado a US$ 40,70. Euro transacionado em queda para US$ 1,13 e notes de 10 anos com taxa de juros de 0,64%. Nesse contexto, o ouro e a prata tinha altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que deve alta de 1,75% durante a madrugada na China, com a tonelada em US$ 103,10.

No cenário local, a principal notícia foi a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que testou positivo para Covid-19, mas que está bem. Outros membros do primeiro escalão que estiveram com o presidente estão fazendo testes. O presidente da Câmara também mexeu com os mercados ao dizer que cartões de crédito e cheque especial distorcem o mercado para pior, na véspera de discutirem e votarem limitações aos dois instrumentos. Bancos tiveram forte queda na Bovespa.

Já o Exército paralisou operação contra desmatamento no Pará deixando o Ibama sem apoio, justamente quando as pressões internacionais voltam a ampliar contra o Brasil. No mercado, muita volatilidade nos juros dos DIs e também no câmbio com o dólar encerrando em alta de 0,56% e cotado a R$ 5,38. Na Bovespa, na sessão de 3/7, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 154,2 milhões, deixando o saldo negativo de julho em R$ 983,6 milhões e o ano de 2020 com saídas líquidas de R$ 77,5 bilhões.

No mercado acionário, a terça foi dia de queda na Bolsa de Londres de 1,53%, Paris com -0,74% e Frankfurt com -0,92%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 1,44% e 0,10%. No mercado americano, dia de Dow Jones em queda de 1,51% e Nasdaq com -0,86%. Na Bovespa, queda de 1,19% e índice retornando para 97.761 pontos. Máxima do dia chegou a 98.938 pontos.

Na agenda desta quarta, teremos o IPC-S da primeira quadrissemana de julho, o IGP-DI de junho e as vendas no varejo de maio; além do fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA, os pedidos de hipotecas MBA do início de julho, os estoques de petróleo na semana anterior e crédito ao consumidor de maio.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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