Mercado imobiliário tem saldo positivo no 1º semestre

Registro de escrituras de contratos de crédito habitacional da Caixa será realizado de forma eletrônica.

Conjuntura / 20:13 - 13 de jul de 2020

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No início do isolamento social compulsório foi registrada queda nas vendas de imóveis. No entanto, já no mês de março o mercado reagiu. O índice FipeZap informa crescimento nas vendas de 0,18% em março, 0,20% em abril e 0,23% em maio.

Os fatores econômicos têm contribuído. A Selic, a 2,25%, o menor índice desde sua instituição, tem derrubado as taxas bancárias. Recentemente, o Banco Santander, que praticava juros imobiliários de 7,3% ao ano, anunciou redução para 6,99%, com seis meses de carência. A Caixa Econômica Federal já pratica crédito de até 30 anos com prestações fixas e anunciou novas medidas que irão ampliar e agilizar o financiamento e a produção de novos empreendimentos imobiliários.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e o vice-presidente de Habitação da Caixa, Jairo Mahl, anunciaram em videoconferência, no início desse mês, informação corroborada pelo Diretor de Habitação, Matheus Sinibaldi, na mesma data em live realizada pela Ademi/AL, com a participação do presidente do sistema Cofeci Creci, João Teodoro, que será possível utilizar recursos de repasses/recebíveis no pagamento de encargos dos empreendimentos (somente para contratos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo - SBPE). Haverá uma flexibilização da comercialização mínima, de 30% para 15%, em novos empreendimentos estimulando novos lançamentos (tanto para contratos de financiamento com recursos do FGTS como do SBPE).

Há, ainda, a possibilidade de contratação da produção de empreendimentos sem exigência de execução prévia de obras e de destinação dos recursos provenientes das vendas das unidades habitacionais para pagamento dos encargos mensais (para contratos FGTS e SBPE).

Além disso, a partir de 13 de julho, o registro de escrituras de contratos de crédito habitacional da Caixa, para unidades em empreendimentos habitacionais, será realizado de forma eletrônica, com troca de arquivos de dados estruturados entre o banco e o respectivo Cartório de Registro de Imóveis. A medida permitirá acelerar o registro das operações, que antes levava em torno de 45 dias e agora poderá ser finalizado, em média, em cinco dias. Além de dispensar a necessidade de recebimento do contrato físico pelo cartório, o registro eletrônico traz benefícios para as construtoras e clientes que não precisam realizar o deslocamento.

Já as pessoas físicas que contratarem um crédito habitacional poderão incluir o financiamento das custas e do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). A medida é aplicável a todas as operações residenciais com recursos do FGTS e, nas operações com recursos do SBPE, para imóveis com valor de avaliação de até R$ 1,5 milhão. Com isso, as famílias passam a dispor de mais recursos para as despesas iniciais no novo imóvel, como compra de mobília e eletrodomésticos.

Segundo o presidente do Sistema Cofeci Creci, João Teodoro, as palavras de ordem são adaptação e tecnologia. As vendas remotas vieram para ficar. E o home office também. "A prática mostrou que eles podem ser até mais eficientes e baratos do que o trabalho presencial. Isso implica renovação não apenas na forma de negociar, mas também na de viver", afirma.

A expectativa da Caixa com essas medidas é contratar 1.280 novos empreendimentos, o que representa 156 mil novas moradias e 485 mil empregos diretos e indiretos. Atualmente, os contratos em andamento na Caixa financiam 5.603 empreendimentos em obras, totalizando 745 mil unidades habitacionais em construção. Hoje, apenas 0,7% estão paralisadas em função da crise ocasionada pela Covid-19, contra 0,3% em abril e 1,7% em maio.

Há 2,4 milhões de contratos de crédito habitacional pausados no pagamento dos financiamentos e foram firmados 26 mil novos contratos com carência de seis meses para pagamento da primeira prestação. Entre janeiro e junho, houve aumento de 22% de liberação de crédito, cujo volume subiu de R$ 39,6 bilhões para R$ 48,2 bilhões, para 873 mil famílias (somente em junho foram R$ 11,1 bilhões, beneficiando 55 mil famílias).

O volume de empréstimos no programa Minha Casa, Minha Vida subiu de R$ 4,8 bilhões em abril para R$ 5,5 bilhões em maio e R$ 6,4 bilhões em junho. No semestre totalizaram R$ 29 bilhões, financiando 6.172 mil unidades habitacionais. Já os créditos da Caixa com recursos da Poupança somaram R$ 14 bilhões de janeiro a maio, e em junho foram acrescidos de mais R$ 4,7 bilhões, o maior resultado mensal dos últimos quatro anos, segundo a instituição.

"Sempre acreditamos na continuidade das vendas, porque sabemos do potencial de inovação e superação de nossos profissionais e empresários. O isolamento social forçou, e o mercado respondeu", destaca João Teodoro.

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