Mercados aguardam decisões de política monetária na 'Super Quarta'

Nessa manhã, EUA e Europa operam em alta, enquanto investidores ponderam impasse sobre pacote de estímulos do Fed.

Opinião do Analista / 11:53 - 16 de set de 2020

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O que pode impactar o mercado hoje - O Ibovespa fechou próximo da estabilidade ontem, aos 100.298 pontos, após o noticiário doméstico se sobrepor às boas notícias do exterior. No mesmo movimento de cautela com o cenário político, as taxas futuras de juros fecharam o dia em alta. A tendência foi suavizada ao longo do dia, porém não foi o suficiente para compensar totalmente a alta das expectativas. DI janeiro de 2021 fechou em 1,96%; DI janeiro de 2023 encerrou em 4,15%; DI janeiro de 2025 foi para 6,03%; e DI janeiro de 2027 encerrou em 7,03%.

Nessa manhã, mercados globais em alta (EUA e Europa +0,5%), enquanto investidores ponderam impasse sobre pacote de estímulos e mais detalhes da política monetária mais acomodativa do Federal Reserve.

No cenário político internacional, após semanas de impasse nas conversas entre os partidos, de acordo com a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, o recesso da Casa deve ser adiado até que democratas e republicanos cheguem a um acordo pelo novo pacote de estímulo à economia. Ainda nesta terça-feira, Israel assinou acordo para estabelecer relações diplomáticas com Bahrein e Emirados Árabes Unidos com mediação de Donald Trump, que procura promover conquistas na seara internacional na busca pela reeleição. Por outro lado, o governo Trump sofreu uma derrota na Organização Mundial do Comércio (OMC), que concluiu que as tarifas aplicadas pelo país à produtos chineses violaram regras de comércio global.

No Brasil, o principal destaque da agenda econômica será também a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A nossa expectativa é de que a taxa Selic seja mantida em 2,00% ao ano, e que o Banco Central pontue em sua comunicação a redução do espaço para novos cortes de juros adiante, mas sem fechar totalmente a porta. Nos EUA, o Fed anunciará sua decisão de política monetária às 15h. A aposta unânime é de manutenção das taxas de juros, deslocando a atenção para a sinalização futura tanto no comunicado quanto na entrevista do presidente da autoridade monetária.

Já na seara política doméstica, o foco do noticiário fica para a decisão de Jair Bolsonaro de enterrar o Renda Brasil, diante do desgaste provocado pelas alternativas apresentadas pela equipe econômica para financiá-lo - extinção de outros programas sociais ou desindexação de benefícios. O presidente ameaçou dar um "cartão vermelho" a quem apresentasse novas ideias do tipo e disse que o governo seguiria com o Bolsa Família - que poderia ainda ser ampliado a partir do ano que vem. A decisão reforçou em parte do Congresso o discurso de que os deputados e senadores é que devem tratar da agenda social.

Com a decisão, a equipe econômica fala agora em centrar esforços nos próximos passos da reforma tributária, com foco em medida que desonera a folha de pagamentos e na concepção de um novo tributo sobre transações. Cabe ressaltar que, mesmo se efetivada com sucesso, a desoneração da folha não teria impacto no teto de gastos - que rege apenas o lado das despesas primárias.

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