Mercados atentos ao pacote nos EUA

Bolsas atentas também à agenda com PMI no exterior, IPCA-15 e contas externas no Brasil.

Opinião do Analista / 12:10 - 23 de out de 2020

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As Bolsas globais fecharam a quinta-feira sem direção única, com os agentes ponderando a possibilidade de pacotes de estímulos nos EUA antes das eleições e, também, de olho nos casos de coronavírus na Europa, que continuam a subir. No Brasil, as expectativas em torno dos balanços de bancos e do aumento do petróleo contribuíram para a alta do Ibovespa.

O avanço do coronavírus em solo europeu continuou a levar temores para os investidores, estimulando a venda na maioria das Bolsas europeias. Além disso, as incertezas em relação aos pacotes de estímulos e índice de confiança do consumidor aquém do esperado na Alemanha e na Zona do Euro também contribuíram para a queda.

Em Londres, o índice CBI de tendências empresariais focou 11 pontos acima do esperado, ajudando a alta de 0,16% para os britânicos. A Península Ibérica teve as pioras quedas, com retração de 0,52% em Lisboa e de 0,14% em Madri. Frankfurt teve desvalorização de 0,12%. Paris e Milão tiveram perdas próximas da estabilidade, em 0,05%.

Os futuros do ouro fecharam em queda com a alta do dólar, mesmo que o fechamento da commodity e a disponibilização do pacote fiscal nos EUA não ocorram antes das eleições.

O contrato de petróleo para dezembro teve queda de 1,29%, cotado a US$ 1.904,60 a onça-troy.

O mercado de petróleo fechou em alta, sendo estimulado pelo anúncio de permanência dos cortes na produção de petróleo por parte da Opep+.

O contrato do WTI para dezembro teve alta de 1,51%, a US$ 40,64. O Brent com barril previsto para o mesmo mês teve valorização de 1,75%, cotado em US$ 42,46.

Nova Iorque teve mais um dia de forte volatilidade. O vai-e-vem dos Democratas e Republicanos continuou a fazer preço nos índices americanos. Todavia, ao fim do dia, as esperanças em relação ao plano de ajuda à economia do país se elevaram. Do ponto de vista dos números de conjuntura econômica, os pedidos por seguro-desemprego surpreenderam positivamente, alcançando 787 mil pedidos contra a expectativa de 860 mil.

O Dow Jones teve alta de 0,54%, seguido pelo S&P 500, com ganhos de 0,52%. A Nasdaq ganhou 0,19%.

No Brasil, a Bolsa seguiu o bom humor de Wall Street e as expectativas positivas em relação aos balanços dos bancos puxaram o Ibovespa, tal como os preços do petróleo. Ademais, o noticiário político mais calmo também contribuiu para que não ocorram possíveis turbulências.

O Ibovespa subiu em 1,38%, a 101.917,733 pontos. O dólar teve queda de 0,36%, cotado a R$ 5,59.

Mas uma vez, na Ásia, os investidores consideraram os efeitos do Pacote de Estímulos nos EUA e a segunda onda da Covid-19 na Europa, fazendo os mercados fecharem sem direção única no continente.

Na China, o Xangai Composto perdeu 1,04% e o Shenzhen perdeu 1,90%. Taiwan também teve realização, em 0,14%.

Hong Kong foi o mercado que teve o melhor desempenho, com valorização de 0,54%, seguida por Seul, com avanço de 0,24%, e Tóquio, com ganhos de 0,18%.

Hoje, as Bolsas no Velho Continente abriram em alta após a divulgação dos PMI’zs e dados do varejo no Reino Unido. Nos EUA, os futuros passam por leve alta, com as expectativas em relação ao pacote fiscal e o balanço de grandes empresas americanas.

No Brasil, os agentes continuarão atentos ao desdobramento das negociações em torno dos pacotes de estímulos nos EUA e com o noticiário fiscal e vacinas, tendo em vista à aversão do presidente Jair Bolsonaro à vacina chinesa. Todavia, para o lado positivo, a Gilead anunciou o primeiro medicamento oficialmente liberado para tratar a Covid-19.

Ainda no Brasil, o Banco Central aprova uma nova modalidade de instituição de pagamento, expandindo o open banking. O governo também anunciará 2 mil simplificações trabalhistas, segundo Paulo Guedes.

No Reino Unido, o Office for National Statistics divulgará os números referentes às vendas no varejo para o mês de setembro. Devido às medidas de isolamento, buscando interromper o aumento no número de infectados pelo coronavírus, as expectativas dos agentes foram mais conservadoras para o mês, em +0,5% para o núcleo do indicador e de +0,4% para o índice com todos os bens. Na observação anterior, houve aumento de 0,6% e 0,8%, respectivamente.

Os números divulgados ficaram acima das expectativas, alcançando 1,5% no varejo ampliado e 1,6% no o núcleo. Ao ano, as vendas subiram 4,7% e o núcleo alcançou 6,4%.

O dia também será de divulgação da primeira prévia do PMI da IHS Markit para os países do Ocidente, com expectativas de diminuição nos indiciadores devido às consequências do avanço da Covid-19 na Europa.

Ainda para os britânicos, as estimativas para o PMI Industrial eram de leve aumento, saindo de 54,1 pontos para 54,3, estimulado pelo índice de tendência da indústria de ontem. Mas os serviços, ao passo que o número de infectados aumenta, tendem a piorar, saindo de 56,1 para 55, afetando o composto.

Mas a prévia para o indicador foi pior que o esperado em todas as suas categorias, alcançando 52,9 pontos no composto, 53,3 para o industrial e 52,3 para o setor de serviços.

Para a Zona do Euro, espera-se desempenho um pouco pior do PMI, sendo impulsionado pelo avanço do vírus em países como França, Espanha e Irlanda. Tal como ocorre no Reino Unido, as piores expectativas eram para o setor de serviços, impactando o indicador composto, de modo que o índice continua em retração, lembrando que números abaixo de 50 pontos mostram queda na atividade econômica.

O PMI industrial alcançou 54,4, contra expectativa de 53,1 pontos, sendo um dado positivo. O de serviços foi de 46,2 ante projeção de 47, e o composto teve 49,4 pontos, contra 49,3, sendo impactado pelo setor de serviços que ainda patinou.

Na Alemanha, mesmo sendo a economia mais forte do grupo econômico, espera-se pedidos mais fracos dos gerentes de compras. Serviços tiveram 48,9 pontos, ante expectativa de 49,2. O Industrial surpreendeu positivamente, alcançando 58 pontos, ante a expectativa de 55,1, e o composto somou 54,5 pontos, contra as projeções de 53,2, recebendo os efeitos positivos do indicador industrial.

A IHS Markit também divulgará a primeira verificação dos PMI’s dos EUA para outubro. Os agentes se mostram conservadores em suas projeções, esperando que eles mantenham o desempenho de setembro. Apesar do aumento de novos casos em algumas regiões, como informou o Livro Bege do Fed, a atividade sobe com força moderada ou leve, a depender da região.

O mercado espera que o PMI de serviços continue em 54,6 pontos e que o industrial tenha alta moderada, saindo de 53,2 pontos em setembro e alcançando 53,4 em outubro.

A empresa Baker Hughes também divulgará a quantidade de sondas em operação ao longo da semana, dando uma perspectiva da produção de petróleo em solo americano.

Aqui, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicará o Índice de Confiança do Consumidor, com o objetivo de captar as tendências do consumo e sua evolução. Devido à reabertura da economia e ao auxílio emergencial, as expectativas do mercado são positivas, vislumbrando que o indicador chegue em 89,5 pontos, contra 83,4 em setembro.

Quanto às contas externas, o BC publicará as transações correntes e o Fundo Monetário Internacional (FMI), os números do Investimento Estrangeiro Direto para o mesmo mês.

As transações correntes devem ser sustentadas pelo resultado positivo da balança comercial, alcançando US$ 2,97 bilhões em setembro. No entanto, apresenta resultado menor que o registrado em agosto, quando alcançou US$ 3,70 bilhões.

O Investimento Estrangeiro Direto, apesar de ter expectativa de US$ 2,10 bilhões em setembro, contra US$ 1,430 bilhões em agosto, apresenta número muito menor em relação ao mesmo período do ano passado, quando entraram US$ 6,033 bilhões no país. O menor volume de investimento estrangeiro direto se deve, em grande medida, à pandemia e ao risco percebido em relação ao país. Em 2021, caso a pandemia esteja controlada no Brasil e no mundo, será necessário estabelecer clareza quanto ao rumo do lado fiscal e uma tendência sustentável de crescimento econômico.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicará o mais importante indicador antecedente de inflação, o IPCA-15. O indicador apontará a tendência da inflação, evidenciando se os temores de alguns agentes se concluirão no que diz respeito à elevação dos preços. A expectativa do mercado é de que o indicador avance em 3,40% ao ano em outubro, ante 2,65% em setembro. Ao mês, a expectativa é de elevação de 0,81%, contra 0,45% no mês anterior.

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