Mercados em risk-off e temores de crise imobiliária na China

Nos EUA, os futuros indicam que será mais um dia que queda com a digestão dos dados de inflação.

As Bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda com receios de que o Fed amplie o aperto monetário após o CPI, mais uma vez, superar as expectativas do mercado.

Internamente, os dados acima do esperado, como é o caso do PIB trimestral do Reino Unido (atual 0,4% ante expectativa de 0,00%) e da produção industrial que cresceu 0,9% ante a perspectiva de 0,2% e na Zona do Euro ganhando 0,8% ante 0,3% que era esperado, os principais mercados não resistiram aos receios inflacionários e à eminente recessão.

Londres teve queda de 0,74%. Frankfurt recuou 1,16%. Paris caiu 0,73%. Milão recuou 0,93%. Madri e Lisboa tiveram desvalorização de 0,87% e 0,97% respectivamente.

Nos EUA, os mercados operaram com bastante volatilidade. Os investidores passaram a considerar o peso do avanço da inflação que chegou ao seu maior nível em 41 anos alcançando 9,1% de alta.

Tal dado começa a fazer o mercado a considerar um aumento de 100 pontos base na próxima reunião do Fomc. Um aumento em tal magnitude amplia os receios recessivos que um aumento mais rigoroso dos juros pode gerar na economia.

Raphael Bostic, do Fed de Atlanta, por exemplo, já acredita nos 100 p.b. Com tal cenário, os principais índices do país não conseguiram manter as altas iniciais do dia com o Dow Jones perdendo 0,67%. O S&P 500 teve queda de 0,45% e o Nasdaq recuou 0,15%.

No Brasil, o mercado seguiu o mau humor global. Apesar de começar em alta, principalmente de empresas de setores cíclicos. Todavia, o mercado como um todo não resistiu aos temores inflacionários advindos dos EUA. A alta do minério de ferro não foi suficiente para fazer Vale (VALE3) avançar e a queda do petróleo também impactou negativamente.

Quanto à agenda de atividade econômica, as vendas no varejo ficaram abaixo do esperado de 1%, atingindo 0,1%. Mediante a tal cenário, o Ibovespa teve queda de 0,4% a 97.881,16 pontos.

Hoje, na Ásia, os mercados operaram em queda com os temores da extensão da crise imobiliária na China. Existe receio de que os imóveis não serão entregues. O ministério da construção e do desenvolvimento urbano e rural teve reuniões com reguladores financeiros e os maiores bancos da China, mas a situação continua indefinida. Xangai teve queda de 0,08%. O Nikkei teve perda de 0,08%. O Nikkei teve queda de 0,62%. Hong Kong recuou 0,22% e o Kospi teve desaceleração de 0,27%.

O minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian teve baixa de 2,59%, a 695,50 iuanes, o equivalente a US$ 103,12.

Na Europa, os mercados seguem em queda com a União Europeia aumentando suas projeções de inflação, saindo de 6,8% para 8,3% ponderando os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Nos EUA, os futuros indicam que será mais um dia que queda com a digestão dos dados de inflação e a própria questão da China. No corporativo, o JP Morgan registrou queda de 28% no lucro, mais tarde, o Morgan Stanley também divulgará seus números. Na agenda econômica, temos os pedidos por seguro-desemprego, Índice de Preços ao Produtor e discurso de Christopher J. Waller.

No Brasil, o mercado deve ser castigado pelos ruídos externos. A queda das commodities devido aos receios em torno da crise imobiliária na China, o que acarreta menor perspectiva de crescimento econômico, também será um fator que posará nas companhias com maior ponderação na Bolsa.

Assim, apesar do desconto no valuation, o cenário de que indica dólar para cima e commodity para baixo é desfavorável para a Bolsa. Na agenda econômica, temos o IBC-Br de maio. O resultado de bancos nos EUA também deve ficar no radar, pois pode impactar o setor internamente.

No corporativo, a EDP que apresentou prévia do 2T22 com aumento de 3% no volume de energia distribuída.

A MRV registrou R$ 2,6 bilhões em vendas líquidas no segundo trimestre, alta de 26,2% no ano.

O Iguatemi teve alta de 30% nas vendas do 2º tri de 2022 ante igual período de 2019.

As Lojas Americanas anunciaram a contratação de Fabiana Freire Oliver para o cargo de diretora-executiva de RI.

As vendas líquidas contratadas da Cyrela somaram R$ 1,622 bilhão no segundo trimestre de 2022. O valor é 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e 24% superior ao acumulado de janeiro a março deste ano, apontam as prévias operacionais.

A Oceana Investimentos diminuiu participação de 5,59% para 5% nas ações ordinárias emitidas pela Tenda, passando a deter 5,217 milhões de papéis do tipo.

O empresário Frank Geyer Abubakir renunciou à Presidência do Conselho de Administração da companhia, posto que ocupava desde 2005. Bruno Uchino, sócio-fundador da Essentia Partners, que já foi conselheiro da Unipar, é eleito para assumir a função.

Valor geral de vendas (VGV) lançado pela Plano&Plano no 2TRI cresce 11,4% na comparação anual, somando R$ 394,1 milhões, segundo prévia operacional. Vendas líquidas no período aumentam 5,2% em relação ao mesmo trimestre de 2021, para R$ 379,5 milhões.

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Matheus Jaconeli

CNPI 2917

Analista de Investimentos da Nova Futura

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