Mercados novamente estressados

Nesta quinta, Bolsas inverteram posicionamento da véspera e fecharam com quedas em praticamente toda a Ásia.

Opinião do Analista / 10:54 - 14 de fev de 2020

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Quarta foi dia de mercados acionários novamente em alta em todo o mundo e recordes de pontuação de índices na Europa e nos três principais indicadores do mercado americano (Dow Jones, Nasdaq e S&P 500). Muito em função da desaceleração de contágio pelo coronavírus.

Nesta quinta, os mercados inverteram e fecharam com quedas em praticamente toda a Ásia, Europa seguindo na mesma direção e futuros do mercado americano também; novamente afetados por estatísticas piores sobre o vírus. Na China, já são computados 1.367 óbitos e quase sessenta mil infectados (59.804). Aqui, além da pressão externa de queda, os investidores terão ainda que reverberar declarações polêmicas do ministro da Economia Paulo Guedes e também do presidente do BC, Campos Neto.

No exterior, a Alemanha divulgou que a inflação medida pelo CPI (consumidor) de janeiro mostrou, na verdade, deflação de 0,6%, mas na comparação anual a taxa subiu para 1,7%. Na União Europeia, a projeção de crescimento em 2020 e 2021 foi mantida em 1,2%, com a inflação subindo ligeiramente de 1,2% para 1,3%. Na Argentina, o governo declarou que não há pior alternativa que produzir austeridade fiscal com o país em recessão e que o FMI também é responsável pela crise presente e passada.

Já a Agência Internacional de Energia (AIE), cortou a projeção de demanda por petróleo em 2020 para 825 mil barris/dia, sendo essa a primeira queda prevista (primeiro trimestre) em década. Estimou oferta fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em aceleração para 2,1 milhões de barris. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,57%, com o barril cotado a US$ 50,88. O euro praticamente estável em US$ 1,087 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,58%, em queda. Com estresse, o ouro e a prata mostravam altas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

Aqui, o ministro Paulo Guedes declarou que é melhor juros de 4% e dólar em R$ 4, que dólar de R$ 1,80 e juros de 14%. Também disse que a energia barata (diz que pode cair 40% em um ano e meio) e dólar em R$ 4 são positivos para reindustrializar o país. Mas também polemizou que com dólar barato até empregadas domésticas estavam indo para a Disney.

Campos Neto do BC falou que a desvalorização do câmbio ocorre com inflação estável ou em queda, juros fechando taxa e Bolsa subindo. Acha que não tem bolha em nenhum segmento e tem dúvidas sobre o impacto do coronavírus aqui e na economia global. Aqui pode afetar commodities.

O Banco do Brasil também divulgou resultados. O lucro ajustado do quarto trimestre atingiu R$ 4,6 bilhões, com crescimento de 20,3% sobre igual período e no ano atingiu R$ 17,8 bilhões (+32,1%) com rentabilidade (ROE) em queda para 14,7%. A carteira de crédito chegou em R$ 680, 7 bilhões, com queda no ano de 2,6%.

O dia é de agenda vazia. Aqui o IBGE anuncia o volume de serviços prestados em dezembro, enquanto nos EUA teremos a inflação medida pelo CPI de janeiro e os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior. Portanto, a Bovespa deve seguir o exterior em queda, dólar ainda pressionado por aqui, mesmo com exterior mais fraco e juros em alta.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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