Mercados se recuperam no exterior

Internamente, ata do Copom, vendas no varejo e balanços são destaques.

Os mercados europeus fecharam em queda no pregão de ontem. O desempenho dos mercados no continente foi fortemente impactado pela piora nas perspectivas de crescimento econômico global, haja vista os dados das contas externas da China. Por mais que os dados tenham ficado levemente acima das expectativas a queda foi considerável.

Internamente, o mercado acredita que a autoridade monetária da Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE), pode começar a reduzir os estímulos em junho. Na agenda econômica, o índice de confiança do investidor teve queda de 22,6 pontos contra expectativa de 22,6%. Ao longo da semana serão divulgados números decisivos de inflação nos EUA e na Europa. Londres perdeu 2,32%. Frankfurt teve queda de 2,15%. Paris teve variação negativa de 2,75%. Milão perdeu 2,61%. Na Península Ibérica, Madri e Lisboa tiveram perdas de 2,72% e 2,20% respectivamente.

Nos EUA as Bolsas também caíram sendo impactadas pelos temores de crescimento econômico menor, mas também temendo a alta da inflação que pode exigir um Fed mais agressivo. Ontem, membros do Fed como Rapahel Bostic e Neel Kashkari falaram sobre novos aumentos nos juros, porém o segundo com tom mais agressivo, pois analisa que a o esperado era que a inflação levasse menos tempo para arrefecer. O índice Dow Jones fechou em baixa de 1,99%, em 32.245,70 pontos, o S&P 500 caiu 3,20%, a 3.991,26 pontos, e o Nasdaq recuou 4,29%, a 11.623,25 pontos.

O Ibovespa seguiu os seus pares globais fechando em queda de 1,79% cotado a 103.250 pontos. Houve forte queda do minério de ferro após a divulgação de que os dados de China evidenciarem tombo nas exportações do país de 14,7% para 3,9% e as importações continuarem em 0,0% e Xi Jinping informar que a política de Covid zero permanecerá no país. Tais variáveis acabaram por afetar os preços do petróleo. Apesar das perspectivas negativas para o crescimento, alguns shoppings foram bem no dia como o JHS (JHSF3) e BR Malls (BRML3). Empresas que divulgaram bons balanços foram o BTG Pactual (BPAC11), Sabesp (SBSP3), Brasil Foods (BRFS3) e JBS (JBSS3). A queda do petróleo contribuiu porá Braskem (BRKM5) e Engie (EGIE3) que seguiu seus pares do setor elétrico. Com a aversão ao risco e queda no petróleo, vimos perdas em Locaweb (LWSA3), Totvs (TOTS3), 3R Petroleum (RRRP3), Petrorio (PRIO3) Petz (PETZ3) e Natura (NTCO3).

Hoje, os mercados asiáticos seguiram as perdas do Ocidente na véspera. Os receios em relação ao crescimento econômico global menor alinhado com os anúncios de continuação da política de Zero Covid na China. Xangai teve perda de 1,06%. O Nikkei contrariou seus pares subindo 0,58%. Hong Kong e a Coreia do Sul tiveram perdas de 1,84% e 0,55% respectivamente.

Minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian teve baixa de 4,12%, a 779,00 iuanes, o equivalente a US$ 116,03.

Nos EUA os índices futuros das principais Bolsas americanas se recuperam após pregões de forte queda. Ao longo do dia os investidores ficarão atentos às falas de membros do Fed como Bostic, Christopher J. Waller, Loretta Master e John C. Williams.

Na Europa, os mercados também se recuperam com os dados de Percepção Econômica para maio vindo melhores que o esperado para a Alemanha, -34,3 ante a expectativa de -42, e na Zona do Euro 29,5 pontos ante expectativa 42 pontos.

No Brasil, os investidores ficam atentos a importantes indicadores econômicos como vendas no varejo, venda e produção de veículos. Todavia, o maior destaque é a Ata do Copom que direcionará o comportamento dos DIs. A alta externa pode contribuir para o bom-humor aqui dentro, mas a queda nos preços das commodities podem ser fatores que minimizem os ganhos.

Hoje também é dia de divulgação de muitos balanços como Alupar (ALUP11), Armac (ARML3), BrasilAgro (AGRO3), CSU Cardsystem (CARD3), Cury (CURY3), CVC (CVCB3), Grupo SBF (SBFG3), Log-In (LOGN3), Mobly (MBLY3), Nutriplan (NUTR3), Qualicorp (QUAL3), São Carlos (SCAR3), Valid (VLID3), e Telefônica (VIVT3).

Ademais, na agenda corporativa a Via (VIIA3) teve lucro contábil de R$ 18 milhões, segundo dados enviados à CVM, o que representou uma queda de 90% frente aos R$ 180 milhões de igual período de 2022.

A BB Seguridade (BBSE3) lucrou R$ 1,179 bilhão no primeiro trimestre, alta de 20,7% na base anual. O resultado das participações atingiu a cifra de 1,179 bilhão nos três primeiros trimestres deste ano, um crescimento de 21,4% frente a 1T21.

O Assaí (ASAI3) reportou lucro líquido de R$ 214 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 10,8% em relação ao mesmo período de 2021. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado cresceu 17,3% no 1T22, totalizando R$ 752 milhões.

A Méliuz (CASH3) registrou prejuízo líquido de R$ 6,5 milhões no primeiro trimestre de 2022 (1T22), revertendo lucro de R$ 3 milhões do mesmo trimestre de 2021.

A Petrorio (PRIO3) apresentou produção diária de 33,7 mil barris de óleo equivalente no mês de abril deste ano, uma redução de 3,4% em relação a março de 2022.  Já as vendas de óleo totalizaram 882,8 mil barris, uma diminuição de 10,6% na comparação com o mês imediatamente anterior.

A produção total da Enauta (ENAT3) no mês de abril atingiu 623,3mil barris de óleo equivalente (boe), ou produção média diária de 20,8mil boe, a maior produção do ano, superando o mês de março, quando marcou 20,5 mil boe. No total do ano, a empresa produziu 18,4 mil boe em média diária.

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Matheus Jaconeli

Analista de investimentos da Nova Futura Investimentos

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