Merkel: UE deve ter mais responsabilidade na luta contra a pandemia

Para chanceler, 'todos os assuntos nas relações entre a UE e a China são bastante desafiadores e ambiciosos'.

Conjuntura / 14:57 - 1 de jun de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A União Europeia deve assumir mais responsabilidade global na crise do coronavírus, declarou a chanceler alemã Angela Merkel.

Em um discurso delineando a política da Alemanha durante sua presidência rotativa da UE a partir de julho, Merkel destacou que a pandemia tem trazido enormes desafios e mudanças profundas, incluindo os planos para a Presidência do Conselho da UE, disse Merkel.

Na quarta-feira, ela disse ao Konrad Adenauer Stiftung, um think tank, que a Europa tem que "ficar mais próxima na crise" e provar a si mesma ser uma força de solidariedade, que é a única maneira de sair mais forte da pandemia.

Merkel disse que iniciativa franco-alemã para o fundo de recuperação da Europa, que chegou a 500 bilhões de euros (US$ 545 bilhões), e o investimento comum do continente em uma vacina, são todos destinados a intensificar a solidariedade europeia.

Observando que a pandemia resultará em "um agravamento de muitos problemas globais" e representará "um teste de estresse para a política externa e de segurança europeia", Merkel disse que a UE deve agir como uma âncora de estabilidade, assumir sua responsabilidade global e apoiar proativamente a cooperação multilateral baseada em regras.

Merkel revelou que as relações com a China serão o foco da política externa da UE durante a presidência alemã, com uma série de assuntos na agenda, incluindo acordos sobre investimento, mudança climática, saúde global e melhora da transparência da informação em pandemias globais.

"Todos os assuntos nas relações entre a UE e a China são bastante desafiadores e ambiciosos. Além disso, a China não é um parceiro comum", disse Merkel, observando que as diferenças entre China e UE não devem impedir os intercâmbios, o diálogo e a cooperação.

Sobre os EUA, Merkel disse se tratar do parceiro mais importante da Europa, apesar do fato de que a cooperação com os EUA estar atualmente mais difícil do que a que a Europa desejaria, em questões relativas à mudança climática, à política comercial e ao papel das organizações internacionais durante a pandemia.

"No entanto, estou convencida de que as relações transatlânticas, a cooperação e a aliança com os EUA e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) constituirão um pilar central de nossa política externa e de segurança, e permanecerão assim.  Europa faz parte do Ocidente político", disse Merkel, acrescentando que, se a Europa quiser se afirmar no mundo, terá que tomar as rédeas de seu destino com maior determinação, enquanto segue "agindo como um parceiro confiável dentro da comunidade ocidental de valores e de interesses compartilhados".

A descoberta de uma vacina contra a Covid-19 não é a solução definitiva para enfrentamento da doença pelo mundo, de acordo com a diretora médica da Pfizer no Brasil, Márjori Dulcine, em entrevista ao "Poder em Foco", que foi ao ar ontem pelo SBT. Segundo ela, há pessoas que não conseguem desenvolver imunidade e a indústria farmacêutica avança em pesquisas de medicamentos.

"É preciso ter tratamentos eficazes porque a vacina não é 100% de garantia. Nenhuma vai ser. Não existe! Por característica, tem pessoas que não vão conseguir ter a imunidade a partir da vacina. Então, é importante que os tratamentos continuem sendo desenvolvidos", alertou Dulcine, que trabalha na Pfizer há 11 anos e é mestre em Medicina Farmacêutica pelo Hibernia College de Dublin, na Irlanda.

Ela explica que o remédio também não poderá ser único. É preciso ter antiviral para combater o vírus na fase mais precoce da doença, quando a pessoa teve os primeiros sinais da doença; quando entra no hospital e para as pessoas que evoluem para formas mais graves. A médica contou que há várias empresas atuando na pesquisa dos antivirais e que algumas já terão drogas seguras para medicar os pacientes em 2021. "Estou bastante otimista que se todos trabalharmos juntos, Pfizer e outras empresas farmacêuticas, bem como academias, universidades, nós vamos chegar a antivirais muito rapidamente em 2021".

 

Com informações da Agência Xinhua

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor