Mesmo com mudanças, reforma prejudica economia

Apesar de o relatório sobre a reforma da Previdência ter quebrado a espinha dorsal da proposta do governo – que era retirar o tema da Constituição e introduzir o modelo de capitalização, sepultando o sistema solidário tradicional no Brasil – os pontos que permanecem ainda são capazes de provocar um estrago, tanto na conta de cada aposentado, quanto na economia brasileira.

Um dos itens inventados pelo relator, deputado tucano Samuel Moreira, pretende retirar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que iriam para o BNDES. Significa minar uma das poucas fontes de recursos a juros módicos e de longo prazo para financiar a infraestrutura. Drenar verba do banco significa diminuir o crescimento econômico. Além do mais, o FAT não tem nenhuma relação com Previdência.

Também não tem relação, mas foi incluída desde o princípio pelo governo, a garfada nos abonos de PIS e Pasep previa cortar R$ 170 bilhões em dez anos, limitando o pagamento a quem recebesse até um salário mínimo. O relator aumentou este limite para R$ 1.364,43. A coluna não tem os dados para calcular quanto restou de corte, mas o estrago no consumo será grande. Quem recebe este dinheiro extra, quase um 14º salário, gasta com compras ou acerta dívidas. Esse dinheiro é tão importante que o ministro Paulo Guedes, para tentar dar um alívio na economia, pretende, a exemplo de Michel Temer, liberar o saque do PIS.

Redução de aposentadorias e pensões é, por definição, contracionista, ou seja, reduz o consumo e prejudica a economia. O ajuste alegado pelo governo pode se perder em um crescimento menor do PIB. Mas a batalha da reforma está apenas começando, e já com derrotas claras para a proposta de Guedes. O Centrão avisa que alguns acordos foram desrespeitados pelo relator e deve apresentar destaques ao texto. A desidratação continua.

 

O Brasil está de luto’

O presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, afirmou que a decisão do STF em liberar a privatização de subsidiárias sem aprovação do Congresso é “convite à fraude”. Segundo nota distribuída por Celestino, o Supremo não atentou para a fraude à lei, em que subsidiárias sejam criadas com o propósito deliberado de permitir a sua venda, privatizando as estatais por partes. “O Brasil perde uma ferramenta essencial ao seu desenvolvimento.”

O presidente do Clube de Engenharia afirma que a política de venda de ativos da Petrobras, “adotada desde a gestão Bendine, no governo de Dilma Rousseff”, visa reduzi-la “à condição de mera produtora e exportadora de petróleo bruto, tornando o Brasil refém das petroleiras privadas multinacionais para o atendimento às suas necessidades de derivados de petróleo e de petroquímicos”.

Décadas de esforços para construir uma das maiores petroleiras do mundo estão postos a perder. Mais de 5 mil empresas, nacionais e estrangeiras, cerca de 800 mil empregos qualificados, dos quais os de mais de 60 mil engenheiros, perderão a razão de ser. A nós, brasileiros, no setor de óleo e gás, restarão empregos e negócios nas áreas de segurança, transporte e alimentação. Por isto, está de luto o Brasil”, vaticina Pedro Celestino.

 

Sobe

O custo anual de ataques hackers ultrapassa US$ 3 trilhões em perdas de ativos, de acordo com o estudo da multinacional de seguros Aon. Segundo a Pesquisa Global de Gerenciamento de Risco de 2019, os ataques cibernéticos e as violações de dados representam atualmente o sexto maior risco, ameaça que deve subir para a terceira posição em 2022.

 

Liga amanhã

Quem ligava para o Itaú Bankfone nesta sexta-feira e pedia para falar com um atendente recebia a mensagem: “Devido à manifestação sindical, estamos impossibilitados de atender você hoje”.

 

Sociedade

Bolsonaro demitiu o então ministro Bebianno por “trazer a inimiga Globo para dentro do Palácio do Planalto”. Greenwald disse que revelará “os documentos mostrando como Moro está trabalhando junto com a sócia Globo”. É melhor Moro já ir se despedindo do Ministério e do STF.

 

Rápidas

As Implicações Geopolíticas e Comerciais com os Brics é tema da palestra que Renato Galvão Flôres Jr., da FGV, realiza dia 19, às 10h30, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) *** A Companhia Ensaio Aberto prorrogou a temporada do espetáculo Luz nas Trevas até 30 de junho. A peça, baseado em texto escrito pelo alemão Bertold Brecht há 100 anos, é encenada no Armazém da Utopia, na Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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