Metade dos bares e restaurantes do Rio deve demitir após pandemia

Na contramão da crise econômica, mercados e farmácias apresentaram performance melhor que a média dos negócios no período.

Rio de Janeiro / 14:39 - 8 de jul de 2020

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Com perda de mais de 70% do faturamento nos últimos 100 dias, devido ao fechamento ou restrições impostas pelo coronavírus, cerca de 50% dos bares e restaurantes do Rio de Janeiro dizem não ter recursos para pagar os salários de julho e devem fazer demissões em seus quadros de funcionários.

É o que mostra uma pesquisa divulgada hoje pelo Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio). A reabertura dos estabelecimentos, com restrições de horário e lotação, foi permitida no último dia 2.

Segundo o levantamento, 56,7% dos empresários disseram ter perdido mais de 75% da receita nos últimos meses e 24,2% dos entrevistados tiveram redução entre 50% e 75%. Do total que respondeu à pesquisa, 61,9% já fizeram demissões, sendo que 14,9% dos estabelecimentos desligaram mais de 15 empregados.

Sobre a necessidade de medidas emergenciais para ajudar o setor nesse momento de retomada dos negócios, 53,4% dos empresários responderam que é fundamental ter acesso ao crédito emergencial, enquanto 74,2% dos que buscaram novas linhas de crédito tiveram a proposta recusada. Apenas 17% conseguiram financiamento.

Do total, 56,7% disseram não ter certeza se conseguirão manter o estabelecimento aberto, 35% acreditam que conseguirão manter o negócio e 8,2% afirmaram ter certeza quanto ao fechamento definitivo.

De acordo com o presidente do SindRio, Fernando Blower, a situação do setor é dramática, já que 51,1% dos empresários acreditam ser necessário demitir trabalhadores no pós-pandemia e 85,1% afirmam precisar de crédito para o período. Ele destaca que, mesmo com a reabertura, o movimento está muito fraco.

Já pesquisa realizada com mais de 2 mil empreendedores pela fintech BizCapital, na contramão da crise econômica, algumas pequenas empresas se mantiveram firmes durante a pandemia: mercados e farmácias apresentaram performance 30% melhor que a média dos negócios no Brasil. Isso quer dizer que eles não tiveram um impacto tão negativo em seus caixas, como aconteceu com as áreas de beleza, turismo e transportes, que perderam quase 20% de suas receitas.

"Essas farmácias e mercados conseguiram atender as demandas dos moradores do bairro. Muita gente optou por comprar remédio ou alimentos no pequeno negócio do lado de casa para evitar se expor, ao invés de consumir em grandes redes. Além disso, esses dois segmentos se mantiveram abertos porque vendem itens essenciais e que não deixaram de ser consumidos, diferentemente de outros serviços", aponta Francisco Ferreira, sócio-fundador da BizCapital.

A pesquisa também apontou que nos últimos três meses, o percentual de pedidos de empréstimo no setor de farmácias foi menor que 2%. O número é baixo, se comparado com o setor de bares e restaurantes, no qual os pedidos tiveram aumento de 11%. Já no varejo, o crescimento foi de 10% nos pedidos de empréstimo.

 

Com informações da Agência Brasil

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