Metade dos brasileiros acessa conteúdo adulto no trabalho remoto

Três em cada quatro entrevistados não receberam orientações de cibersegurança para o home office.

Informática / 16:32 - 6 de mai de 2020

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De acordo com relatório da Kaspersky chamado "Como o Covid-19 mudou a forma das pessoas trabalharem", 54% dos brasileiros que trabalham de casa e assistiram a conteúdos adultos admitiram que o fizeram por meio de um dispositivo corporativo.

Ainda segundo o estudo, quatro em cada 10 brasileiros disseram estar trabalhando mais do que antes. Na mesma proporção, 41% dos entrevistados disseram que aumentaram o tempo gasto com atividades pessoais. Essa mudança, em particular, pode ter ocorrido porque eles não gastam mais tempo no trânsito ou em viagens como antes.

O relatório revelou ainda que está difícil separar as atividades pessoais das profissionais, especialmente quando se trata de TI.  Algo preocupante para as empresas, 54% dos trabalhadores admitiram ter começado a assistir a mais conteúdo adulto desde que passaram a trabalhar em casa. Ainda, admitiram que o fizeram por meio dos dispositivos que usam para trabalhar. Quase um quinto (15%) deles ainda o faz pelo computador da empresa, com 23% admitindo assistir a conteúdo adulto de seus dispositivos pessoais, os mesmos que usam no trabalho.

Além disso, 78% dos brasileiros dizem que estão lendo mais notícias agora do que estavam antes de começarem a trabalhar de casa. Embora isso seja compreensível, porque as pessoas desejam se manter atualizadas com o desenvolvimento do coronavírus, 53% desta atividade é realizada pelos dispositivos do trabalho. Caso os funcionários não prestem atenção aos recursos ou sites que visitam, isso pode levar a infecções por malware.

Os funcionários também estão desenvolvendo o hábito de usar seus serviços pessoais para tarefas corporativas - o que aumenta os riscos devido à TI Invisível, ou Shadow IT, que pode incluir o vazamento de informações confidenciais. Por exemplo, 52% dos funcionários usam contas de e-mail pessoais para assuntos relacionados ao trabalho e 55% admitem que seu uso aumenta quando trabalham em casa. Além disso, 51% usam programas de mensagem pessoais que não foram aprovados por seus departamentos de TI, sendo 64% deles com mais frequência neste contexto de isolamento social.

Outro estudo mostra que o brasileiro não confia nos serviços de transações virtuais: 51% dos entrevistados deixaram de concluir alguma transação em virtude desta preocupação ou medo de cair em fraude/golpe.

O Instituto de Pesquisa & Data Analiytics Croma Insights, realizou 9.080 entrevistas divididas em oito ondas no período de 15 de fevereiro a 29 de abril, analisando o comportamento do brasileiro na pandemia.

Permanece alta a preocupação da população brasileira com a pandemia (80%) entre os muitos e os extremamente preocupados. O impacto financeiro é visível principalmente para o grupo de 26% que estão sem rendimentos por não poderem trabalhar, mas também atingem outros grupos como aqueles que já tiveram suas jornadas de trabalho reduzidas (10%) ou com férias forçadas (10%) e os que já estavam sem emprego antes da pandemia (15%).

As transações on-line, muito utilizadas neste período, despertam preocupação em relação à segurança envolvida para mais da metade dos entrevistados (51%), Um fato preocupante é o relato de 1/3 das pessoas afirmando que deixaram de concluir alguma transação virtual em virtude dessa preocupação com segurança ou medo de cair em algum golpe/fraude. Caiu o percentual de entrevistados que acreditam que a vida voltará ao normal em dois meses (de 50% para 46%), prorrogando a expectativa deste retorno para o segundo semestre.

Segundo o estudo, 80% declaram que já compraram máscaras reutilizáveis de tecido, indicando uma tendência de uso para o atual momento da pandemia e também para um período pós-pandemia. Hábitos de consumo de streaming de vídeos (77%), cozinhar (64%), assistir lives (60%) seguem muito presentes na quarentena. Na linha de novas tendências para o pós-pandemia vão se confirmando no pensamento da população o trabalho remoto (64%), a busca por novos conhecimentos (58%) e a educação a distância (58%), indicando a necessidade de adaptação das empresas para este formato não presenciais para o trabalho, o ensino, serviços e consumos. O hábito de lavar tudo que entra em casa deve ser mantido por 53% dos entrevistados. O que pode ser um desafio e oportunidade para os fabricantes de embalagens. Shows, teatros, cinemas e academias foram os mais prejudicados pelo coronavírus e 62% dos entrevistados só retomarão os eventos sociais e esportivos depois da vacina contra o Covid19. 

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