Método reproduzido

A vitória apertada do candidato da situação no Equador foi o mote para acusações de fraudes na eleição. Nada muito diferente do que houve aqui, no Brasil, em 2014, que desencadeou uma campanha que acabou inviabilizando politicamente o Governo Dilma Rousseff. A tática de questionar governos que não se enquadram nos interesses do setor financeiro internacional foi usada, com variações, em países como Coreia do Sul, Argentina, África do Sul, Paraguai, Venezuela, Turquia e Rússia.

Os modelos mudam de acordo com a situação local. Na Argentina, a vitória de Macri nas eleições evitou a necessidade de um golpe, embora o governo de Cristina Kirchner tenha sido bombardeado com as acusações de corrupção tal qual os presidentes petistas no Brasil. Na Coreia, o ataque derrubou e levou à prisão a presidente Park Geun-hye, e de quebra aumentou a pressão sobre a Samsung, maior empresa do país, responsável por movimentar quase 20% do PIB, com forte presença internacional. Na África do Sul, Jacob Zuma vai resistindo às acusações de corrupção; ele poderá ter que enfrentar a votação de uma moção de censura no parlamento, após debelar um motim em seu partido. O novo ministro das Finanças promete medidas duras para redistribuir a renda. Ele substituiu um ministro que tinha certa confiança da banca internacional. No Paraguai, o golpe perpetrado em 2012 tenta se manter no poder mudando a legislação sobre reeleição, o que levou ao incêndio do Congresso nesta sexta-feira.

Na Turquia e na Rússia, o buraco é mais embaixo, porém a essência da ação contra os presidentes Erdogan e Putin é a mesma dos demais: acusações de corrupção em meio a problemas na economia. Porém o incentivo a manifestações de rua, apoiadas por ONGs que recebem financiamento do exterior, é similar aos de outros países, como Brasil, Venezuela ou Argentina. Em alguns, com forte apoio da mídia comercial local. Na turquia, porém, Erdogan detonou o golpe (talvez por ele mesmo estimulado) e assumiu o controle do país com mão de ferro. Na Rússia, Putin ignorou a pressão da imprensa ocidental e dissipou as manifestações – que tiveram mínimo comparecimento, diga-se de passagem.

São muitos casos para imaginar que é coincidência. Diante da crise mundial e do crescente questionamento à globalização financeira, a corrupção e a crítica aos políticos une a ação e nesses e em outros países, tentando deter mudanças. Tempos difíceis e de desenrolar imprevisível.

Ruim para todos

O presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Germano Siqueira, corrobora análise feita por esta coluna, dia 29, sobre a Lei 13.429, da terceirização, sancionada pelo presidente Michel Temer: “É ruim para os trabalhadores, para a economia e para as contas públicas”, analisa. “Sem dúvida alguma, as empresas irão tomar a iniciativa de terceirizar tudo ou quase tudo, mas isso diante de um texto ruim, mal escrito e que dá ensejo a várias dúvidas, gerando insegurança jurídica.”

Para o presidente da Anamatra, a nova lei agravará problemas como a alta rotatividade dos terceirizados, o elevado número de acidentes, além de gerar prejuízos para a saúde pública e a Previdência Social. “A tendência, por essa iniciativa de gestão diante da nova lei, será o agravamento do quadro em que hoje se encontram aproximadamente 12 milhões de trabalhadores terceirizados, contra 35 milhões de contratados diretamente, números que podem ser invertidos. Há uma tendência em transformar o emprego direto em exceção e não regra”, explicou.

A lei prejudicará ainda a Previdência, não só devido aos salários menores, mas também à modalidade de recolhimento de impostos adotada pela maioria das empresas que terceiriza os serviços, já que optam pelo Simples, que reduz a arrecadação. Além disso, o número de acidentes de trabalho com os terceirizados é quase 50% maior que com os empregados ligados diretamente à empresa, elevando os custos da Previdência.

Rápidas

A Escola de Pós-Graduação da Facha – Faculdades Integradas Hélio Alonso está com matrículas abertas para o curso de Comportamento do Consumidor, com início em junho e duração de 18 meses. Informações: http://pos.facha.edu.br/cursos/marketing-e-comunicacao/mba-em-comportamento-do-consumidor *** O IAG – Escola de Negócios da PUC-Rio promove, nesta quinta-feira, entre 19h10 e 21h45, a palestra gratuita “Tendências e desafios para os profissionais de gerenciamentos de projetos”. Inscrições em http://bit.ly/PalestraGP *** Carlos Eduardo Moyses foi anunciado como o novo CEO do iFood *** O cantor Jean Jade abre a temporada de abril da happy hour do Carioca Shopping (RJ) nesta quarta-feira, no estilo voz e violão, a partir das 18h *** Indústria 4.0, como está sendo tratada esta questão no Brasil? Esta questão será abordada por Sunil Gupta, considerado o guru do marketing digital, na Fiesp, nesta quarta-feira, a partir das 10h.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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